Voluntária do Imama falou aos funcionários do Hospital Montenegro sobre a luta da mãe contra a doença

As programações do Outubro Rosa no município já movimentaram muita gente até agora. E tem mais eventos por vir nos próximos dias, com iniciativas das instituições envolvidas com a saúde da cidade. Tem campanhas de doação, palestras, rodas de conversas, exposição de fotos e uma caminhada de conscientização e apoio aos acometidos pelo câncer de mama. Muitos são abertos a comunidade.

O grupo Amigas do Peito, por exemplo, criado há uma década na Unimed para apoiar mulheres que passaram ou estão passando pela doença, tem uma agenda intensa neste mês. Na terça, as voluntárias realizaram uma caminhada de sensibilização pelo hospital, conversando com funcionários, pacientes e visitantes sobre o tema. Participam, ainda, nessa sexta-feira, 20, de um evento na Unisc, a Jornada de Nutrição Unimed, onde terão um espaço às 16h40min para falar sobre prevenção.

São as membras do grupo que protagonizam as fotos da fotógrafa Simara da Rosa, que estarão expostas na plataforma da Estação da Cultura neste domingo (22). A exposição , “De Peito Aberto – Um novo olhar para a vida”, traz 25 trabalhos com foco no resgate da autoestima destas mulheres que viveram e vivem a luta conta o câncer de mama. O evento, aberto ao público, vai das 14 às 17h e prevê apresentações artísticas para os presentes.

As Amigas do Peito participarão também da “Caminhada pela Vida”, a ser realizada na tarde de terça-feira (24). Com início previsto para as 14h30min, o evento tem organização do Partido Republicano Brasileiro – Mulher (PRB) e conta com apoio da Secretaria Municipal da Saúde. Devem participar algumas escolas da cidade, com o convite se estendendo a toda comunidade. O ponto de encontro da Caminhada sairá da frente do Sesc-Montenegro, indo até a Praça Rui Barbosa, no Centro. Os participantes receberão balões de cor rosa para fazerem o trajeto, em apologia à causa do evento.

Campanha de doação no HM
O Hospital Montenegro, por meio do seu Grupo de Educação Continuada (Gecon), está realizando, até o dia 30, uma campanha de doação para mulheres com câncer de mama. A iniciativa, que já está em sua segunda edição, está arrecadando lenços – de preferência, de tamanho grande e tecido leve, para quem tenha perdido o cabelo e prefira não optar pela peruca – e mechas de cabelo – com, no mínimo, 20cm de comprimento e devidamente amarradas, que, posteriormente virarão perucas – para serem enviados para o Instituto da Mama do RS (Imama).

O Instituto, com sede em Porto Alegre, possui voluntários que confeccionam as perucas e às estocam em um Banco de Empréstimos. Interessados, então, devem fazer um cadastro prévio, com a comprovação da doença, e podem ter acesso ao acessório, pelo tempo que acharem necessário. A edição 2016 da campanha do HM arrecadou 30 mechas, uma peruca e 135 lenços. A organização espera que, neste ano, o número seja ainda maior. A doação deve ser entregue na recepção da instituição.

Internamente, o Hospital optou por realizar nesta última semana todas as atividades inerentes ao Outubro Rosa. Ontem, o ginecologista, obstetra e mastologista Túlio Farret deu uma palestra para os funcionários sobre o tema. Na terça, uma das voluntárias do Imama, Cristiane de Souza, foi até a instituição para apresentar dados e dar seu relato pessoal sobre a doença.

Cristiane não teve câncer, mas acompanhou a luta de sua mãe contra esse mal, que foi diagnosticada há dez anos. Há três, ela dá palestras pela instituição, focando na prevenção e no diagnóstico precoce. “Minha mãe não teve esse cuidado. Recebeu o diagnóstico tarde, quando já não tinha como recuperar a mama. Acabou tendo que tirar”, revelou. Hoje, apesar de outras complicações na saúde, a mãe é uma vencedora do câncer.

Secretaria Municipal da Saúde também prevê ações
Por meio do Núcleo Municipal de Educação em Saúde Coletiva (Numesc), a Secretaria Municipal da Saúde traz alguns eventos abordando a temática do Outubro Rosa. Na quarta, a enfermeira e coordenadora do Núcleo, Angelita Moraes, ministrou uma roda de conversa sobre o câncer de mama na JBS Couros. Nos mesmos moldes, está previsto para segunda-feira um outro encontro, na JBS Aves.

Acompanhando uma iniciativa da Emater, também na segunda, ocorre uma palestra no Salão Comunitário da localidade de Vendinha. Aberto à comunidade e com início previsto para as 14h30min, este evento abordará, dentre outros pontos, o que é o câncer, como se faz o exame, como identificar o nódulo e como se dão os encaminhamentos. No dia 30, a mesma iniciativa ocorrerá na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, do Bairro Faxinal, a partir das 13h30min. Com umz duração maior, a organização prevê a fala de uma nutricionista, distribuição de lanche saudável, relatos de voluntárias do grupo Amigas do Peito e palestra com profissionais do Hospital Santa Casa de Misericórdia, de Porto Alegre.

Panorama geral da doença
Presente no HM, o Instituto da Mama trouxe alguns dados sobre a situação das mulheres com câncer e as consequências da doença em suas vidas. Os apontamentos vêm de uma pesquisa feita no mundo todo com 1273 mulheres, das quais 100 eram brasileiras. Nomeado de “Conte-nos, Conheça-nos, Junte-se a Nós”, o estudo, datado de 2013, ainda traz um panorama atual da doença, de acordo com o Instituo. Conheça a situação exposta:

– Mulheres com câncer de mama avançado querem ser compreendidas
49% das brasileiras com câncer sentem que ninguém entende o que elas estão enfrentando;
42% afirmam que o diagnóstico da doença impactou seus relacionamentos;
67% dizem que o apoio por parte do parceiro é adequado;
83% estão satisfeitas com o apoio da família e dos amigos;
81% dizem que comunidades virtuais de pacientes com câncer serviriam como base de apoio.

– Elas sentem carência de informações específicas
80% afirmam procurar ativamente por informações sobre o câncer de mama;
62%, no entanto, dizem que as informações disponíveis não são adequadas às suas necessidades;
91% das brasileiras acreditam que os materiais informativos sobre o câncer ajudariam seus amigos e familiares a compreenderem a doença;
80% apontam uma falta de dados gerais sobre câncer de mama metastático ou avançado;
83% gostariam de informações sobre a doença e seus tratamentos em redes sociais;
85% querem dados sobre eventos adversos da terapia;
76% buscam informações sobre possíveis mudanças em sua aparência visual;
65% procuram dados de sobrevida dos pacientes;
55% buscam informação sobre perda do interesse sexual.

– Confiam nos médicos, mas sentem falta de apoio emocional
84% afirmam que o apoio de seus oncologistas é suficiente;
87% consideram os médicos realistas ao abordar o prognóstico da doença;
75% das pacientes gostariam que os profissionais da saúde também atendessem às suas necessidades emocionais;
61% afirmam que são incluídas pelos médicos na discussão quanto ao rumo do tratamento;
27%, apenas, conversam com os profissionais sobre os impactos da doença em sua sexualidade ou feminilidade.

– Sentem os impactos negativos em sua qualidade de vida
81% consideram ter tido sua qualidade de vida comprometida;
61% têm menos vontade de participar de determinadas atividades;
60% tiveram seus hobbies prejudicados;
74% afirmam que sua saúde emocional foi negativamente afetada;
42% consideram que a doença trouxe um impacto negativo em seus relacionamentos.

– Questão financeira também é fator
92% precisaram adaptar seus gastos por conta da doença;
61% contam que a doença interferiu em seu trabalho, de forma a reduzir a renda;
66% das brasileiras precisaram parar de trabalhar por um determinado período;
55% cortaram gastos, como entretenimento e férias, e aumentaram despesas com produtos de nutrição.

foto: reprodução internet

Previna-se contra o câncer de mama
– Faça os exames de controle com o seu médico;
– Faça o auto-exame das mamas;
– Procure o seu médico se notar dor mamária fora do período pré-menstrual;
– Fique atenta se notar a presença de algum nódulo;
– Observe mudanças como edema, retração, ulceração, sangramento ou distorção do mamilo e alteração na aréola. E, nesses casos, procure logo o médico;
– Mulheres com histórico familiar de câncer de mama devem manter maior atenção;
– Mulheres que nunca amamentaram devem estar atentas pois o aleitamento é fator protetor.

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