Na fabricação dos produtos são priorizados componentes naturais e orgânicos a fim de evitar a intoxicação do corpo e poluição do meio ambiente. Fotos: reprodução internet

O cuidado com a beleza tem se tornado uma constante preocupação que transita tanto no universo feminino quanto no masculino. Entre os consumidores, cresce o número de pessoas que buscam muito além de produtos que forneçam bons resultados. Agora o interesse é também nos que contenham componentes naturais e estejam aliados à sustentabilidade. Dessa forma, a biocosmética ganha cada vez mais espaço no mercado e conquista adeptos em todo o mundo.

Um cabelo hidratado, uma pele mais iluminada ou aquele perfume especial, a verdade é que o mercado dos cosméticos busca agradar os mais diferentes gostos e exigências. Em Montenegro, a estudante de teatro e microempreendedora Rafaela Fischer, encontrou nesse nicho uma forma de obter renda e colaborar com um modelo de consumo mais consciente.

Através da venda dos biocosméticos, a microempreendedora Rafaela Fischer estimula o consumo consciente dos seus clientes

“Tenho uma prima que trabalha com florais e foi ela a responsável por me apresentar a alquimia e o universo das plantas e suas infinitas propriedades”, disse a estudante sobre seus primeiros contatos com esse segmento. “Isso foi me interessando, então comprei um livro sobre fitoterapia e nele descobri a biocosmética.”

No início, a redução de danos causada pelo uso excessivo de remédio e alimentação inadequada motivou a fabricação dos primeiros produtos. “Um dos ingredientes que utilizo na composição dos biocosméticos são os óleos essenciais com propriedades terapêuticas”, explica Rafaela, destacando o auxilio das substâncias nos distúrbios da pele, qualidade do sono, redução de dores musculares, entre outros efeitos. “Comecei produzindo para o autoconsumo e familiares, só depois expandi”, completa.

Com o objetivo de potencializar as produções e aprimorar a qualidade dos produtos, a estudante conta que realiza, periodicamente, cursos de formação na área da biocosmética para ampliar cada vez mais seu grupo de consumidores. De acordo com Rafaela, o público que busca uma alternativa mais natural e saudável de consumo é crescente, o que possibilita a expansão dos negócios. “Desde que comecei a falar sobre os cosméticos naturais, tenho notado que as pessoas ficam interessadas em conhecer, saber se tem site, catálogo, quais os produtos e os benefícios”, revela Rafaela. “Através dessa linha de produção, procuro fazer com que as pessoas se conectem mais com seus próprios corpos e reduzam o nível de intoxicação do organismo.”

Muito conhecido na biocosmética, o termo Skin Food transmite a ideia de produtos como uma forma de “alimento da pele”

A expansão da biocosmética surge simultaneamente a uma parcela da sociedade que se preocupa cada vez mais com os impactos na natureza. O respeito ao meio ambiente e ao próprio corpo está entre os fundamentos norteadores do seguimento, que prioriza a utilização de componentes naturais e orgânicos, evitando o uso de substâncias químicas. “Eu sinto que faço um trabalho com propósito, onde o meu servir vai muito além de interesses financeiros, dessa forma, busco levar qualidade de vida para as pessoas”, revela Rafaela Fischer.

Através dos produtos naturais, Rafaela ressalta a importância de diferente alternativas de consumo, onde a população tenha mais liberdade e autonomia frente às grandes indústrias. “É importante que pensemos diferentes maneiras de fugir um pouco desse sistema econômico que nos aprisiona na hora de comer, beber água e nutrir a pele, como acontece no setor dos cosméticos convencionais”, avalia a microempreendedora.

Skin Food: cosméticos que alimentam
O conceito “skin food” em inglês, ou “alimento para pele”, transmite a filosofia de pensar nos cosméticos como uma refeição simples e saudável para o corpo. A ideia é tão literal que ao utilizar seus cosméticos você pode fazer a pergunta “Será que eu posso comer isso?” E se a resposta for “não”, então, seria este um produto para usar na pele e ser absorvido pelo maior órgão do corpo?

Há algumas exceções, é claro! Alguns produtos podem não ter sabores agradáveis para se comer! Mas é importante para a saúde da pele que os produtos que estão sendo colocados sobre a sua superfície sejam saudáveis para o corpo inteiro.

“Como base nessa filosofia, os produtos possuem em suas formulações ativos naturais, que incluem frutas, vegetais e outros ingredientes que são saudáveis e também utilizados na alimentação”, explica Rafaela Fische. “Por isso, diferentes dos cosméticos convencionais, nós usamos óleos vegetais, manteigas vegetais, óleo de coco, entre outros competentes também utilizados na culinária.”

Faz bem, mas é preciso cuidado
Melhor compatibilidade cutânea e reposição de nutrientes essenciais para a saúde da pele, essas são algumas das vantagens do uso de produtos biocosméticos. Além dos benefícios, a dermatologista da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, Greice Chavez, também cita algumas das desvantagens.

“Podemos ver a dificuldade em diferenciar as categorias de produtos e em garantir que o que está sendo consumido é realmente o que se espera em termos de sustentabilidade, composição dos produtos e preservação ambiental”, salienta a profissional.

Antes de começar a utilizar os biocosméticos, a dermatologista destaca alguns aspectos importantes que os consumidores precisam saber.

“Ao utilizarmos este tipo de produto, temos que nos atentar às variações nas classificações existentes e na presença de certificados de qualidade no rótulo das embalagens”, destaca a especialista, acrescentando as diferenças dentro do seguimento:
Cosméticos naturais – Deve conter ao menos 5% de matérias primas orgânicas certificadas, os 95% restantes podem ser compostos de matérias primas sintéticas.

Cosméticos orgânicos – Devem ser predominantemente (95%) compostos de matérias primas orgânicas e rastreadas.

Cosméticos veganos – Não possuem nenhum substrato de origem animal na sua composição.

“Visto isto, é importante dizer que um cosmético orgânico é um produto natural, mas um produto natural não é necessariamente orgânico. Enquanto um cosmético vegano pode ou não ser natural ou orgânico”, explica a dermatologista, que ainda salienta a importância das empresas de certificaçaão. “Elas são responsáveis por fiscalizar a elaboração e a produção desses produtos e garantir que estes sejam feitos nos mais altos padrões ambientais.”

Ainda que sejam produtos com apelo natural, alguns cuidados são indispensáveis. “Não utilizá-los sem indicação médica, especialmente em peles sensíveis; cuidar com o uso de adequados para área de olhos; sempre aplicar os cosméticos com a face e as mãos limpas; estar atento ao prazo de validade dos produtos e sempre suspender o uso no caso de reações adversas”, orienta Greice.

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