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Pandemia gerou dificuldades para a realização das apresentações

Nesta terça-feira, 6, é comemorado o Dia de Reis. Segundo a tradição cristã, a data foi o dia em que Jesus Cristo, recém-nascido, recebeu a visita dos Três Reis Magos. Cada um deles levou ao menino um presente: incenso, mirra e ouro. Também é a época em que, tradicionalmente, encerram-se as celebrações do Natal, com a retirada dos enfeites.

A data também deu origem a uma das mais tradicionais culturas da comunidade portuguesa no Brasil, o Terno de Reis. De acordo com o Padre Diego Knecht, da diocese de Montenegro, as celebrações de ternos originalmente têm início no dia 24 de dezembro e se estendem até 6 de janeiro, Dia de Reis. “As comemorações se referem à caminhada que os Reis Magos fizeram seguindo a estrela de Belém até encontrar o menino Jesus. Então a celebração é no sentido de comemorar e tentar se aproximar de Jesus Cristo”, explica o padre.

Segundo o Historiador Eduardo Kauer, o Terno de Reis é uma tradição que teve origem em países na Península Ibérica e chegou ao Brasil com os açorianos que desembarcaram no século 18. “Em Portugal e na Espanha o 6 de janeiro é uma das datas mais importantes do ciclo natalino. Com a chegada dos portugueses, eles trouxeram essa tradição e nós sabemos que no século IX e no século XX era muito forte aqui em Montenegro”. De acordo com o historiador, nas comunidades de Sobrado, Muda Boi, Bom Jardim e Serra Velha havia a predominância dos costumes portugueses, mas outras localidades onde havia a predominância de alemães também acabaram absorvendo a cultura do Terno de Reis.

Kauer explica que com o tempo os cantos acabaram também se adaptando à cultura gaúcha. “No início da colonização era uma cultura eminentemente portuguesa, então eram tocadas rancheiras, chotes, valsas e baiões. Com o tempo foi entrando o estilo musical mais gauchesco, como o vanerão, por exemplo”.

Terno de Reis resiste em meio às dificuldades
Idemar de Azeredo, conhecido pelos amigos como Pico, conta com orgulho da história construída cantando Terno de Reis. “O meu avô e o meu pai eram cantores de Terno de Reis e eu desde os 12 anos também canto, já faz 63 anos”, destaca. Nascido e criado na localidade de Serra Velha, interior de Montenegro, ele conta como eram organizadas as festividades: “a gente chegava na casa das pessoas cantando e éramos recebidos com assados, doce de figo, café e pão feito em casa. Então o terno cantava, comia, agradecia e ia para a próxima casa”.

Grupo de Terno de Reis no ano de 1961 na localidade de Serra Velha. Foto: Arquivo pessoal

Idemar explica que o terno iniciava ao entardecer e muitas vezes se estendia até o amanhecer. Dentro dessas visitas nas casas existiam três momentos, primeiro eles cantavam fora da casa pedindo licença para entrar. No segundo momento, quando o dono da casa convidava para entrar, eles faziam o canto dentro das residências, sempre com palavras bíblicas em referência a Jesus Cristo. Por último, o morador da casa oferecia algo para comer e eles saíam com um canto final.

A tradição passou por gerações, mas hoje são poucos os grupos que ainda permanecem na ativa. Para Idemar deveria haver mais estímulo por parte do poder público para não deixar a cultura se perder. “Eu tenho dez irmãos e todos aprenderam a cantar terno, mas não percebo muito envolvimento dos mais jovens. Por isso, acho que deveria ter mais incentivo por parte da prefeitura, organizando eventos com apresentações”.

O tradicionalista Flávio Patrício Vargas ajudou a organizar uma série de Ternos de Reis na cidade. Ele concorda que deveria haver mais incentivo, pois a tradição representa muito para a cultura do Rio Grande do Sul e de Montenegro. “É uma cultura muito linda que está desaparecendo porque os jovens não estão se interessando, é importante não deixar morrer”, destaca.

Estúdio Ibiá terá a apresentação de grupo de Terno de Reis nesta quarta-feira
Como forma de valorizar a cultura do Terno de Reis, nesta quarta-feira, 6, às 12h35min, o programa Estúdio Ibiá, da Rádio Ibiá Web, abrirá espaço ao grupo de terno Rincão dos Brochier. Esse ano, em função da pandemia, não podem acontecer apresentações presenciais. Por isso, a ideia é oportunizar um espaço para a apresentação no programa.

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