Projeto também participa de eventos culturais em Montenegro, com muito Rap e troca de ideia. Foto: arquivo Ibiá

pelo fim da criminalidade. Projeto busca transformar e salvar vidas

Embaixador do Hip Hop gaúcho, MC Pedrão está cada vez mais engajado no projeto “Hip Hop Além dos Palcos”, em Montenegro. O principal objetivo, segundo ele, é conseguir chegar aos jovens para falar sobre situações difíceis do cotidiano, como violência, racismo e drogas. “Esse projeto surgiu quando notamos a necessidade que a gente tem de chegar mais próximo dos adolescentes e dos alunos. Trocamos ideia com eles a respeito de várias situações, pautas que interessam para a sociedade”, ressalta o MC.

O foco são as escolas e também associações, mas o embaixador conta que onde o chamam, ele dá um toque em sua equipe e vão juntos passar conhecimento para a galera. O trabalho é de conscientização e desmistificação do gênero Hip Hop e do Rap. “Às vezes vou sozinho nos bate-papos e também, se a escola ou entidade quiser, levamos um grupo de Rap, que conta suas histórias através do ritmo”, afirma.

Para Pedrão, as escolas são uma grande ferramenta para passar conhecimento. “A escola é a extensão da casa da gente com ensinamentos, então é fácil chegar no povo e falar com eles”, destaca. O projeto já visitou escolas do interior de Montenegro, além de, dentre outras, Aurélio Porto, Steigleder, Ana Beatriz Lemos e Polivalente. O desejo de Pedrão é poder levar a ação adiante, por isso, já está em contato com escolas de São Sebastião do Caí e Triunfo. Contudo, o preconceito sempre foi e segue sendo comum quanto ao gênero do Hip Hop, o que incomoda não só MC Pedrão, mas MC’s pelo mundo todo. “Por que todo fã do Racionais é marginal? Porque eu faço RAP eu sou marginal? A palavra é até errada. Marginal é aquele que vive à margem da sociedade, mas no ponto de vista das pessoas é o bandido. Eu sou testemunha viva de que o Rap ensina mesmo, e o Rap é a prova viva de que a rua ensina”, evidencia.

“O crime não é um faz de conta”
Pedrão conta que sua equipe é escolhida através da história pessoal de cada pessoa. “Minha equipe de fé hoje em dia conta com uns cinco integrantes. A vida escolheu quem trabalha nesse projeto. Temos pessoas que eram envolvidas com o crime e superaram isso, então, contam suas histórias”, salienta. Pedrão relembra que oportunidade não faltou para que ele adentrasse no mundo da criminalidade, mas não se deixou render. “Tem coisas que eu não posso falar, porque eu não vivi. Graças ao Hip Hop e ao Rap eu nunca me envolvi com crime, não sou um dependente químico, apesar de ter tido oportunidade de ser um usuário e de ser um cara do crime, eu não fui. Então, levamos quem pode falar, porque já viveu. O crime não é um faz de conta. Levamos irmãos com histórias reais para as instituições”, afirma. Pedrão pontua que este é o papel do Hip Hop e do Rap: transformar vidas com suas letras. “Com esses sons, aprendi muita coisa que às vezes nem as escolas me ensinaram.”

Dwedy Appel, produtor e rapper do grupo Guerreiros da Perifa, de Montenegro, afirma que o projeto é trabalho de uma vida inteira, mas que apenas agora ganha nome. “Toda a nossa vida a gente fez isso, independente de ter nome ou não, de as pessoas nos ajudarem assim como a Prefeitura ou não ajudarem.

Agora só está tendo maior notoriedade”, pontua. Ele destaca que o principal fator para quem está inserido na cultura Hip Hop é interferir e salvar vidas. “Por exemplo, na vida de um jovem que não tem estrutura familiar boa. Hip Hop é isso: transformar pessoas que estão em circunstâncias muito difíceis na vida”, conclui. JC também é rapper do grupo e destaca que a importância é incalculável. “Além de tudo, o Hip Hop é um resgate social. É uma arte em que através delas, lavamos para as escolas e comunidades informações importantes e reforçar o quão importante é a educação e o respeito mútuo ao próximo”, pontua.

MC Pedrão ao lado de Dwedy (esquerda) e JC (direita), rappers do grupo montenegrino Guerreiros da Perifa. Foto: divulgação

Luta pelos desassistidos: voz para quem não tem voz
Pedrão conta que, como negro, desde muito cedo teve que lidar com situações muito desagradáveis. O que lhe fez ir ao encontro do Rap. “Eu sempre me incomodei de não ver princesas negras nas histórias que a professora contava, eu não via um preto em evidência em nenhuma matéria dentro da escola. Por que a ovelha negra é a pior da família? Por que o patinho feio quando é feio é preto e quando fica bonito vira um cisne branco? Eu sempre carreguei isso comigo e só depois o Rap me mostrou as respostas. Os caras falam comigo na música”, destaca. O MC diz que foi assim o descobrimento de sua missão no mundo.

“Enquanto eu tiver vivo eu vou fazer o que o Hip Hop me diz pra fazer: lutar pelo povo da periferia seja ele branco ou preto, mas por aquele que é desassistido”, ressalta. Pedrão relembra que o Rap é a voz de quem não tem voz e por isso tem extrema importância na sociedade. “Seja um preto, seja homossexual, branco favelado ou mulher que apanha do marido.” Através do Hip Hop e do Rap o projeto busca transformações sociais.

Em setembro de 2021, ocorreu a Semana do Hip Hop em Montenegro, onde o projeto levou atividades a diversas escolas do município. Foto: arquivo Ibiá

“Trabalho voluntário eu fiz minha vida inteira”
MC Pedrão conta que o título de embaixador do Hip Hop gaúcho lhe deu fôlego extra para seguir realizando seu trabalho. Apesar de todo o empenho, o MC lamenta que ainda tenha que fazer tanto esforço, mas ter seu trabalho sempre apresentado voluntariamente. “Eu não quero mais fazer este trabalho voluntariamente. Quero gerar emprego e renda. Trabalho voluntário eu fiz minha vida inteira, quase 40 anos. Acho que temos que ter uma remuneração”, argumenta. Ele destaca que se houvesse renda para o projeto, mais gente se animaria em se engajar na causa. Por isso, o grupo busca apoio de empresas ou demais interessados para seguir levando seu conhecimento adiante. “Nós tiramos nosso tempo para fazer este trabalho. Como eu vou falar de respeito e valorização se eu não to sendo valorizado? Seria muito bom poder viver do que eu gosto de fazer, mas hoje não é assim”, lamenta.

Quem tiver interesse em conhecer mais sobre o projeto para contratações ou troca de ideias deve entrar em contato com o próprio MC Pedrão, através do número (51) 9 935-7377. Parcerias são essenciais para que o grupo siga levando seu conhecimento para escolas e demais instituições de Montenegro e região. Ainda, você pode acompanhar o trabalho do embaixador do Hip Hop gaúcho e da cena dop Rap em Montenegro através do YouTube Mc Pedrão Rap Live.

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