No Studio Bálance as aulas foram readaptadas para que na pandemia, mesmo de forma online, os alunos continuassem interagindo. Foto: Arquivo Pessoal/Bibi Ávila

Pesquisa irá auxiliar no desenvolvimento de políticas públicas da cidade

O Conselho Municipal de Cultura de Montenegro está promovendo um mapeamento cultural com artistas e fazedores de cultura locais, através de formulário online. Os dados podem além de identificar o que ocorre em cada área das artes também auxiliar na criação de um mapa de ações a serem realizadas no município. Para fazer parte da construção coletiva de políticas públicas basta acessar o site: is.gd/mapeamentoartistasmgo.

Segundo a presidente do Conselho, Priscila Nunes, o formulário tem uma série de questões que ajudam a identificar as dificuldades encontradas pelos montenegrinos, principalmente nessa época de pandemia. “Sabendo onde estão os artistas, quais são as sugestões deles, os interesses, a gente vai conseguir realmente construir dentro do município, que é a Cidade das Artes”, diz.

A cultura é dos segmentos mais afetados com a pandemia do novo coronavírus, mas em breve poderá receber uma ajuda do Governo Federal. Aprovada por unanimidade na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, a Lei Aldir Blanc prevê o repasse emergencial de R$ 3 bilhões a trabalhadores, espaços e equipamentos culturais durante a pandemia. Deste total, R$466.955,16 serão destinados a Montenegro. A lei está ainda aguardando a sanção presidencial de Jair Messias Bolsonaro.

Com o formulário também será possível destinar corretamente os recursos aguardados. Depois da sanção do presidente, a previsão é de que em 15 dias o recurso entra no orçamento do município. A lei possui três mecanismos: auxílio emergencial de R$ 600 reais para artistas; subsídio de três a dez mil reais para espaços culturais, escolas e coletivos prejudicados pela pandemia e 20% do valor para editais de fomento, compra de artigos culturais, premiações, etc.

“O setor cultural foi o primeiro atingido e vai ser o último a voltar a normalidade nas suas atividades. Estamos pensando com bastante carinho e fazendo esses cadastros junto ao Conselho de Cultura para conseguir articular isso com os nossos fazedores de arte o quanto antes”, declara Priscila.

Tempo de se reinventar
A pandemia não mudou a rotina só de quem saiu do escritório para trabalhar em casa. Forçou também que artistas de todo o mundo se reinventassem. Esse é o caso da professora de Dança e diretora do Studio Bálance, Bianca Leitão Ávila, a Bibi. “Diante de todo esse caos que está no mundo inteiro e também para nós, estamos tentando nos reinventar cada dia e fazendo tudo por amor ao que a gente tem e o que a gente faz”, comenta.

Completando 15 anos, seu estúdio de dança teve diversas mudanças desde março. “Ficamos 2 meses fechados, tentando trabalhar online, se reinventando e aprendendo a cada dia”, relata ela. Devido a pandemia apenas metade dos alunos estão ativos, e segundo Bibi isso afetou diretamente no orçamento e em toda organização das aulas.

Para contornar a situação pela primeira vez ela e as outras professoras deram aulas online. Segundo ela, todos estão trabalhando triplicado, porém com menos recursos. “Nada para, as contas continuam vindo. Usando ou não, o prédio estando aberto ou não, a gente continua pagando”, comenta.

Para iniciar as aulas online todos os professores de dança foram treinados, mas a diretora conta que no início foi estranho para todos. As professoras do Studio relatam que existe uma grande dificuldade de demarcação do lugar da aula, além do contato social que está interno na família. Isso segundo elas pode enriquecer as aulas ou acabar usurpando o tempo de dança.
“Mas, foi a melhor escolha que tivemos para mantermos o vínculo com nossos alunos. E juntos, sempre pedindo o retorno e a opinião deles, fomos nos adaptando e tentando sempre aprimorar e deixar as aulas online atrativas”. Bibi ainda completa que todos estão batalhando e esperam que os envolvidos com a arte de Montenegro consigam passar por essa pandemia.

Lives são uma das alternativas para a música

O músico e integrante do grupo Timbre Gaúcho, Juliano Hack, também passa por processos de mudanças na sua área. Estudando e trabalhando com música há cerca de 31 anos, o montenegrino nunca pensou passar por algo parecido. Hack vive exclusivamente da música há 8 anos, e agora conta que está necessitando se reinventar, assim como os colegas.
“Tivemos de nos readaptar, estamos tentando trabalhar para esse lado. A ideia agora mais pra frente é a gente fazer algo para conseguir arrecadar um dinheiro”, diz. O último evento em que o Timbre Gaúcho participou foi o rodeio de montenegro, no dia 15 de março, e segundo ele, desde então a empresa não faturou mais nada.

Tentando se adaptar ao momento, o grupo seguiu uma onda mundial, as famosas “lives”. Em comemoração aos 24 anos da banda, no dia 24 de abril os integrantes fizeram uma transmissão tocando suas músicas de sucesso, e obtiveram centenas de visualizações. Já a segunda foi em parceria com o Sesc, em que eles ajudaram na arrecadação de alimentos para o Mesa Brasil. “Nas lives não houve nenhum retorno financeiro para nós, foi só beneficente”, comenta.

Trabalhando em home office os músicos estão aproveitando também para criar canções. Lançada em maio a música “Tamo chegando” faz parte desse projeto do grupo. No momento outra letra está sendo composta, e a promessa é que logo estará disponível também. Juliano também dá aulas de acordeon, e conta que conseguiu fazer algumas aulas online com os alunos.
Todos os músicos que trabalham no grupo, inclusive Juliano, foram cadastrados no formulário do Conselho de Cultura de Montenegro, e esperam ansiosos pelo recurso.

“Esperamos que esse valor que vai ser repassado realmente chegue pra quem precisa”, completa.

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