Danieli Fernanda Grösz, 1ª sota-capataz; Zuleica Alff, 1ª agregada das pilchas; Michele da Silva Manske, 2ª sota-capataz; Carina Weizenmann, capataz geral; Marinéia Fernanda Mendel, 2ª agregada das pilchas; Sibeli Amador de Azeredo, patroa; e a 1ª prenda juvenil, Érica Weizenmann da Silva.

CTG. Feito é histórico para a entidade, que é uma das mais tradicionais do Município

No próximo sábado, 2 de abril, um baile marcará não só o início dos eventos presenciais do CTG Estância do Montenegro; mas também um importante feito para a história da entidade e, provavelmente, do movimento tradicionalista local: a posse de uma patronagem formada exclusivamente por mulheres. O grupo é liderado pela patroa, Sibeli Amador de Azeredo, e a capataz geral (vice), Carina Weizenmann; as esposas, respectivamente, do patrão e do capataz da gestão anterior, que é de dois anos. “Nossos maridos estavam à frente da entidade e a tendência era de que eles continuassem com a mesma patronagem, pois não havia outra chapa interessada. Era uma chapa formada só por homens, então, eu disse pra Carina que, se eles iam continuar, porque não nós sermos as líderes”, lembra Sibeli. “Igual, nós iríamos estar junto trabalhando nesses dois anos. Aí, começamos a convidar as pessoas. Pelas nossas afinidades, fomos nos juntando e foi acontecendo.”

A patroa reforça que, no geral, o CTG sempre deu espaço para as mulheres. Inclusive, o Estância já foi liderado por uma, Mariloy Petry, em uma chapa que era formada também por homens. Porém, destacando que a sua principal bandeira é o tradicionalismo, Sibeli reconhece a relevância da formação que assume para este biênio. “Principalmente na área campeira, é onde a gente vê mais resistência (à mulher). Inclusive dentro da entidade, nós já ouvimos que o cargo da campeira tinha que ficar com um homem; ouvimos que tinha que se ver com cautela uma patronagem 100% feminina. São coisas que a gente sabe que vai ouvir ainda”, relata a patroa. “O que eu sempre digo é que iremos fazer o nosso trabalho parelho com o que os homens iam fazendo e trabalhando pelas mesmas causas, pelo tradicionalismo.”

A nova líder da entidade é natural de São Jerônimo e, praticamente, cresceu dentro de CTG. “Desde os oito anos de idade, eu dançava, meu pai foi patrão. Pequena, eles me levavam nos fandangos e eu dormia atrás do balcão do bolicho”, narra. Na vida adulta, já em Montenegro, outros compromissos a afastaram do tradicionalismo por alguns anos; e foi através do interesse dos filhos que, em meados de 2014, a paixão foi reavivada; com a entrada no Estância. “Eu e a Carina (a vice patroa) chegamos juntas ao CTG. Com as nossas crianças dançando, nós passamos a participar das atividades e começamos a nos interessar. Foi algo que aconteceu muito naturalmente.”

Sibeli abraça o desafio de dirigir a entidade, com seus mais de 60 anos de história, contando com o apoio das colegas que tem ao seu lado. “É uma responsabilidade imensa, mas a gente se apoia sempre”, pontua. “Nós temos um grupo bem forte pra se apoiar um no outro. Quando um não pode, o outro vai. Quando um está caindo, o outro levanta. Tem dado certo!”

Carina Weizenmann, capataz geral, e Sibeli Amador de Azeredo, nova patroa do CTG

Patroa quer levar a tradição gaúcha para mais pessoas
A posse oficial da nova patronagem, definida ao final do ano passado, ocorre no baile em 2 de abril. A atividade vai ser adaptada para também “empossar” a patronagem do biênio 2020/2021, que, em função da pandemia, não pôde realizar a cerimônia. Já com menores restrições de funcionamento, o evento oficial vai significar uma volta do Estância à normalidade, após meses de dificuldades impostas com o objetivo de conter o avanço do coronavírus.

“Foi um período complicado, porque o CTG sobrevive das pessoas e das atividades”, lembra Sibeli que, ao lado do esposo, acompanhou de perto o que ocorreu. Com atividades suspensas, despesas pra manter o prédio e sem poder realizar eventos ou locações do espaço; o Estância se adaptou para realizar algumas atividades em formato drive-thru durante 2020. Cortou pela metade a contribuição mensal dos sócios para incentivar a adimplência e também contou com aporte de recursos através da Lei Aldir Blanc, que veio pra beneficiar pessoas e entidades ligadas à Cultura. As restrições foram afrouxando aos poucos ao longo de 2021; e a patroa projeta para sua gestão uma bela retomada.

“Eu vejo como o maior desafio e maior legado que a gente pode deixar nesses próximos dois anos é, justamente, a retomada da vida social e desse convívio social; de trazer o pessoal de volta para o CTG”, avalia. “Hoje, nós já estamos fazendo um trabalho bem forte com a invernada campeira, que é o pessoal que lida com os cavalos, rodeios e atividades de campo, pra unificar com a parte artística. Também queremos levar mais o CTG pra comunidade, de forma mais aberta, pra gente tornar mais públicas as nossas atividades”, projeta.

Através de projeto ligado ao Conselho da Criança e do Adolescente, que foi patrocinado pela John Deere, a entidade deve ampliar o acesso de crianças à invernada, sem custos. Ela também projeta atividades ao ar livre para evidenciar os talentos que têm em seu grupo. “Nós queremos estar na rua, não só dentro do galpão”, destaca a nova patroa. O curso de dança de salão do Estância, nesse pós-pandemia, também está sendo retomado.

O Baile
Data: 2 de abril, às 20h
Cardápio: cuca com linguiça
Animação: Grupo Lida Bruta; e apresentação das crianças e jovens do CTG
Traje: pilcha ou social
Valores: R$ 30,00 para não sócio; e R$ 25,00 para sócios em dia
Reservas pelos telefones: (51) 99595-5979 ou 99758-3690
Pagamento pode ser feito via PIX

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