Filme gravado em 2017 teve cenas rodadas em várias cidades do Vale do Caí, em uma produção bastante intensiva. Foto: divulgação/Gilson Vargas

A Colmeia levou cinco Kikitos na categoria Longas-metragens Gaúchos

O filme A Colmeia, gravado no Vale do Caí, foi destaque no 49º Festival de Cinema de Gramado. O evento encerrou no último final de semana e rendeu à obra cinematográfica cinco Kikitos na categoria Longas-metragens Gaúchos.

Gilson Vargas ficou com o prêmio de melhor direção, João Pedro Prates venceu como melhor ator e Bruno Polidoro ficou com a melhor Fotografia. Também foram premiadas Gilka Vargas e Iara Noemi, como melhor Direção de Arte, e Gabriela Bervian com o melhor Desenho de Som.

A obra cinematográfica gravada no Vale do Caí mostra a vida de um grupo de imigrantes alemães em isolamento no interior do Sul do Brasil. Ali eles são oprimidos pela eminência de agressores externos, mas também da fome e do colapso da união do grupo. Os mais jovens querem aventurar-se além das fronteiras, já os mais velhos impõem suas visões de mundo.

De acordo com o diretor do longa, Gilson Vargas, o pano de fundo é o final da Segunda Guerra Mundial, quando os descendentes alemães e de outros países foram proibidos de manifestar o seu idioma. “Ele usa esse momento histórico pra retratar a vida desse grupo nessa casa e o colapso que esse grupo encontra na medida em que ele se vê com muitos conflitos internos. São conflitos movidos pelo medo do esterno, daquilo que está no entorno. Então na verdade é um filme de época, mas que fala muito de questões atuais”, afirma Vargas.

O diretor destaca que o longa trabalha a linha de suspense. “E eu acho que a arte precisa dialogar com o público, precisa dizer coisas importantes, mas sem perder a vocação de construir estéticas, contar histórias, nos manter ligados naquilo que a gente está vendo”, aponta.

Longa também foi vencedor em Festival da Espanha
A Colmeia foi gravado em 2017, e teve como cenário principalmente a cidade de Maratá, onde fica a casa utilizada como principal pano de fundo do filme. Também foram gravadas cenas em Pareci Novo, Harmonia, São José do Sul e outras localidades da região.

De acordo com o diretor do filme, Gilson Vargas, as filmagens demoraram mais de um mês para serem realizadas, em um trabalho bastante intenso que envolveu 12 horas por dia de gravações, em seis dias da semana.

A estreia internacional do filme foi no Festival Black Nigths, na cidade de Talin, na Estônia, dentro da mostra Rebels With a Cause. O festival está entre os 15 eventos competitivos mais importantes do mundo. Em seguida, foi exibido na mostra principal do Festival Internacional de Zaragoza, na Espanha, onde ganhou o prêmio de melhor longa-metragem estrangeiro.

Premiação do 49º Festival de Cinema de Gramado aconteceu de forma virtual. Foto: reprodução internet

Sua estreia nacional foi na mostra Novos Realizadores, do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A última participação foi no 49º Festival de Cinema de Gramado deste ano, quando o filme se consagrou vencedor de cinco Kikitos na Mostra Gaúcha de Longas-metragens.

Auxílio da comunidade foi fundamental para as gravações
O Vale do Caí foi o cenário perfeito para compor o enredo de A Colmeia. Além do cenário da região, o diretor do filme conta que a recepção da comunidade foi de grande importância para a gravação do longa. “Gravar no Vale do Caí foi muito bom, nós fomos muito bem recebidos pelas comunidades, pelas prefeituras, pelos moradores”, relata Gilson Vargas.

Outro ponto de grande importância para a realização das gravações aqui na região foi a participação de duas profissionais locais na equipe de produção. Gabriela Bervian, que atuou na produção executiva, direção de produção, montagem e no desenho de som, é moradora de Harmonia. Já Eduarda Nedel, que atuou na direção de produção, reside em Pareci Novo. “Através da Gabriela e da Eduarda que nós conseguimos ter uma porta de entrada para poder trabalhar nessa região junto com o auxílio de pessoas locais. Então foi muito bom trazer a nossa equipe, trazer o nosso elenco, e junto com moradores e com a comunidade realizar esse filme na região”, afirma o diretor.

Casa de Maratá que serve de principal cenário é original do final do século IXX. Foto: arquivo Ibiá

A expectativa agora é que o longa-metragem comece a circular nas plataformas digitais. “A gente faz os filmes para que eles sejam vistos, pra que eles circulem. Agora, nossa expectativa é de colocar o nosso trabalho nas salas de cinema, nos streamings, nos players. Então o filme deve em breve estar disponível para que o público possa acompanhar”, afirma Vargas.

O diretor conta que durante o Festival de Cinema de Gramado, A Colmeia esteve disponível na plataforma GloboPlay e que, com a premiação, deve voltar ao circuito para que o público possa acompanhar. “Quanto às premiações, a gente fica muito feliz, fica muito gratificado. Reconhecimentos são sempre bem-vindos, mas isso é bom quando faz com que as pessoas tenham mais interesse em ver o filme, esse é o nosso maior objetivo”, afirma o diretor.

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