Canjica, quando “esmagada” no utensílio de madeira, vira uma espécie de farofa que acompanha a carne na alimentação dos Kaingang

Discursos, apresentações e comidas típicas marcaram o encontro

A tarde dessa terça-feira, 13, foi de muito conhecimento cultural no assentamento indígena Kaingang, em Montenegro. Em alusão ao Dia do Índio, comemorado em 19 de abril, a aldeia preparou apresentações das crianças, discursos e também demonstração dos pratos típicos, tudo a fim de mostrar à comunidade que sua cultura segue viva. O Cacique Eliseu Claudino explica que em tempos passados, a dança apresentada pelos pequenos era realizada pela tribo antes das guerras.

Após o momento, o Cacique reafirmou que o principal motivo da atividade é mostrar que os índios mantêm sua cultura até os dias atuais. “A gente ia apresentar nas escolas, mas como está este problema de pandemia e não tem como, a gente resolveu de fazer dentro da aldeia mesmo. A gente recebeu muito convite para apresentar nas escolas, mas tivemos que cancelar tudo. Muitos falam que nós, indígenas, estamos perdendo a nossa cultura, mas a gente está preservando ela, nossa linguagem e nossas comidas típicas também”, ressalta Eliseu.

Foi pensando nisso que as mulheres da aldeia, que são as responsáveis pela cozinha, colocaram a mão na massa e apresentaram uma deliciosa – e farta – mesa. Dentre os alimentos típicos do povo, está o pão de milho e a canjica que, moída, se torna uma espécie de farofa que acompanha a carne de porco, feita diretamente na brasa, em uma fogueira de chão. Mas, claro, também tem um doce para sobremesa. O conhecido “coquinho”, é esmagado em um dos utensílios próprios e em questão de minutos, a fruta está pronta para servir.

Dorvalino Cardoso, professor formado em educação indígena, foi outro ponto principal da ação. Ele, que já palestrou até fora do Brasil, dá aulas na língua portuguesa e Kaingang. Entre suas falas, citou a importância de se ensinar as crianças indígenas a reconquistarem seus espaços e cultura. “Já perdemos muito, nunca vamos ganhar de volta. Mas, o que ainda resta, estamos reconquistando, e não ganhando”, pontua.

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