Sobrou risos, lágrimas e homenagens durante o espetáculo. Foto: Rodrigo Waschburger

Uma chance para viver longe da realidade atrás das grades. A quarta-feira, 7, representou exatamente isso para 12 presas da Penitenciária Modulada de Montenegro. Por meio de um convênio entre Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) e Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), elas apresentaram a peça teatral “Elas existem”.

As apenadas participaram do projeto “Tempo de impermanência: Teatro em Penitenciárias Femininas do Rio Grande do Sul”, do curso de teatro da instituição de ensino. Foram, ao todo, dois meses de oficinas. No início, foram 24 alunas, mas o número foi reduzido pela metade. As presas participaram de todo o processo, desde a criação das histórias, passando pela elaboração do figurino com tecidos doados, cenário, maquiagem, entre outras atividades. A alegria se traduzia em altas risadas e gritos empolgados.

Uma das atrizes é C.M.P, 21 anos. A jovem cumpre pena por tráfico de drogas, associação ao tráfico e porte ilegal de arma. A condenação foi de 12 anos de prisão, mas caiu para cinco após revisão. Fazia parte de uma facção criminosa, mas promete deixar para trás a vida ligada ao crime. Ela comemora a participação na iniciativa. “É muito bom, primeiro por terem pessoas que têm interesse vir aqui nos ensinar, sem medo de nos dar aulas. Estou bem empolgada”, ressaltou. A jovem também trabalha na prisão.

Ela ingressou na Modulada há dois anos, quando tinha apenas 19. Na época, cursava a metade do terceiro ano do Ensino Médio. Em 2018, prestou o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) e espera o resultado. Mas, caso não tenha sido aprovada, pretende concluir os estudos. Também planeja fazer uma faculdade ou curso técnico de Enfermagem. Além disso, não descarta o teatro no seu futuro.

No palco e na plateia, formada por outras detentas e por familiares, improvisados no pátio do Anexo Feminino, sobraram risadas e lágrimas. Eram três histórias interligadas, todas envolvendo a relação entre mães e filhas. O título da peça faz relação a isso: “Elas existem”. Durante as homenagens às mamães, não faltou quem se emocionasse e pedidos de perdão.

A integrante do projeto e responsável pelas oficinas, Camila Pasa, estava emocionada. “Ao longo de todo o processo, me acompanhou o sentimento de que elas fossem as protagonistas. A sensação que me passa agora é de alegria pelo fato de elas terem aceitado esta proposta”, comentou.

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