Time das meninas, chamado Elipa, durante participação em campeonato. Foto: arquivo pessoal

O futebol é o esporte mais popular do mundo e não há contestação em relação a isso. Ele leva crianças a jogarem nas ruas usando chinelos como goleiras, faz com que campeonatos amadores sejam extremamente disputados e transforma a famosa “pelada” numa final de Copa do Mundo. Só dos meninos.

Nem pensar! Tudo isso é muito comum – e cada vez mais – também entre as mulheres. O futebol feminino é modalidade popular nas Olimpíadas, tem Copa do Mundo a cada quatro anos (a edição de 2019 é na França) e competições nacionais e internacionais ao redor do globo. A Copa Libertadores da América, maior competição do esporte no continente, tem como regra que clubes sem times femininos não podem participar do torneio. O crescimento do esporte na categoria feminina não é novidade para ninguém. Além disso, o Brasil dispõe de algumas heroínas do esporte, como Marta, considerada seis vezes como melhor jogadora do mundo.

A prática do futebol geralmente começa na escola, com a presença da Educação Física no currículo. Depois disso, é comum que o hábito de jogar no tempo livre se desenvolva, levando em consideração a grande quantidade de campos de society em Montenegro. Natália Varelmann Merello, de 21 anos, é exemplo dessa paixão feminina pelo futebol. Ela começou a jogar com as amigas, em 2015. Hoje conta que está em quatro grupos diferentes para marcar as partidas semanalmente. “Temos horários fixos em mais de uma quadra, nas segundas, quintas e sextas-feiras, além dos jogos que fazemos no fim de semana. Nessa função toda, ficam mais de 30 gurias pra participar da rotação”, explica. A estudante de Engenharia Civil e as colegas de time já participaram de campeonatos, mas sem compromisso. “Levamos na várzea, nada muito regrado. Não temos muita frequência pra participar dos torneios, é mais quando a gente descobre que vai acontecer e fica com vontade de ir”, esclarece.

As meninas começaram a jogar entre si em 2015, e o futebol ajudou a desenvolver amizades mais fortes. Amanda Sahlberg, de 21 anos, aponta que o fato de jogarem juntas, mesmo se conhecendo antes, acelera o processo de formação de vínculos, pois tudo acontece realmente muito rápido. Depois que começaram a jogar juntas, as amigas saíam pra comer após os jogos, o que se estendeu a finais de semana e outros dias em que não havia futebol. “Hoje a gente é muito grudada, todas as nossas amigas do futebol têm uma relação muito boa entre si”, conta a estudante de Fisioterapia.

Infelizmente, como o meio do futebol ainda é predominantemente masculino, as meninas relatam que alguns casos de machismo já aconteceram. Em 2017, um homem tentou fazer com que elas montassem um time como uma desculpa para dar em cima das garotas. “Sem noção, sabe? A gente parou de ir, saiu do grupo. Isso não se faz, tá errado. Ele quis fazer as coisas pelos motivos errados”, lamenta Merello. Ela diz, porém, que apesar de alguns comentários chatos serem ouvidos quando existe um horário masculino após o delas, muitos homens também as elogiam e que casos extremos como o citado geralmente são isolados.

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