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Em 26 de abril, próxima terça-feira, é o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, também conhecida como pressão alta. A data, instituída pela Lei nº 10.439/2002, tem o objetivo de conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico preventivo e do tratamento do problema, vinculado a uma série de doenças. É considerado hipertenso quem mantém frequentemente pressão acima de 14 por 9, ou seja, 140 por 90 mmHg, que significa milímetro por mercúrio. Assim, quando lhe dizem que sua pressão está “doze por oito”, por exemplo, significa a medida de 120×80 mmHg.

Existe a hipertensão essencial, também chamada de hipertensão primária, que surge sem causa esclarecida; e a secundária, que ocorre devido a uma doença identificável, como insuficiência renal, apneia do sono, hipotireoidismo, entre outras. No Brasil, há registro da doença em 35,8% dos homens e em 30% das mulheres. Porém, após a menopausa, a situação se inverte, com maior preponderância da doença entre elas. Isso ocorre porque, nessa fase, há diminuição da produção de estrogênio, protetor natural do sistema arterial.

A hipertensão arterial é uma doença de múltiplas causas, mas há nela um forte componente hereditário. Mesmo com a questão genética relacionada ao surgimento da doença, a prevenção contra a hipertensão é fundamental, uma vez que a pressão alta não tem cura e, quando desenvolvida, apenas há maneiras de controlá-la. O positivo é que várias são as maneiras de evitar que a pressão alta ocorra. O ato de previne a hipertensão é contínuo e inclui atitudes como ter uma dieta com pouco sal, diminuir o grau de estresse do dia a dia, manter um peso saudável e incluir o exercício físico na rotina.

Mudança de hábitos é importante
Uma das principais atitudes preventivas é não abusar do sal. Na hora de cozinhar, utilize outros tipos de temperos que ressaltam o sabor dos alimentos. O sódio presente no sal retém maior quantidade de líquido e isso faz com que o volume de fluidos nos vasos sanguíneos aumente. Assim, eles sofrem maior pressão.

Manter o peso adequado, se necessário mudando hábitos alimentares, é ponto muito importante. Portanto, preze por uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, além de alimentos com menos gordura. Lembre-se: somente faça dietas com acompanhamento nutricional. Regimes “milagrosos” não existem e além de não saudáveis, podem acarretar mais problemas ao seu corpo, como perda de açúcar no sangue.

Praticar atividades físicas regularmente é prevenção para diversas doenças, e com a pressão alta não é diferente. Qualquer exercício físico faz bem para o coração, por isso é importante escolher algo que ofereça também prazer ao praticante. Algumas sugestões médicas são caminhadas, danças, natação, andar de bicicleta, pular corda e até mesmo subir e descer escadas. A hidroginástica também é uma alternativa que ajuda a melhorar seu condicionamento físico.

A ideia básica é que qualquer exercício que tenha bastante movimento faz uma boa prevenção. Ser algo que agrade o paciente é interessante porque a prática de exercícios induz um estado mental de tranquilidade, o que ajuda no controle de estresse e do peso. E este é um detalhe importante. Manter-se longe do estresse é fundamental para a prevenção, então, realize também atividades que acalmem a mente e aproveite seus momentos de lazer.

Outro ponto é a hidratação. Para prevenir a pressão alta, ingira água com frequência e não apenas quando tiver sede. No tempo livre, também beba sucos naturais e água de côco, por exemplo. Outro vilão para o aumento da pressão arterial é o cigarro, justamente por ser o principal fator de risco para doenças cardiovasculares. O consumo contribui especialmente para o desenvolvimento da hipertensão e para o descontrole da pressão alta em quem já tem a doença. Além disto, modere o consumo de álcool.

Diagnóstico é objetivo
O diagnóstico da hipertensão arterial é muito objetivo, realizado na monitoração do paciente com uso do aparelho de pressão manual. O uso do aparelho digital não é recomendado como 100% confiável porque o mecanismo acusa pressões por vezes inadequadas, não sendo um aparelho de precisão. Pacientes que ainda tenham dúvidas do diagnóstico, principalmente no início, podem obter o resultado por mapeamento de pressão de 24 horas ou ergometria.

Doença silenciosa
A maioria dos casos de hipertensão arterial ocorre sem que haja uma prevenção efetiva. Isso se deve ao fato de a doença raramente apresentar sintomas. Por isso, a pressão alta é considerada uma doença silenciosa. A hipertensão arterial pode estar presente no organismo, mas as pessoas não notam, pelo menos nos casos com quadros mais iniciais.

Em alguns casos, há até mesmo uma confusão, na qual pacientes creditam determinados sintomas à pressão alta, mas, em uma consulta com especialista, descobrem outras variadas causas. Apenas hipertensão muito severa dá sintomas. E este é um quadro bastante raro. Nesses casos mais severos, com sindomas, ocorre a hipertensão maligna, quando a pressão mínima passa de doze e meio. Nestas situações, mesmo que incomuns, alguns sintomas podem aparecer como dor de cabeça, tonturas e ânsia de vômito.

Por que prevenir a pressão alta?
A hipertensão arterial ataca os vasos sanguíneos, coração, rins e cérebro. É responsável por 80% dos derrames, 40% dos infartos e 25% dos casos de insuficiência renal terminal. Internamente, os vasos sanguíneos são recobertos por uma camada fina e delicada, facilmente machucada quando o sangue está circulando com pressão elevada. Com isso, os vasos se tornam endurecidos e estreitados podendo, com o passar dos anos, entupir ou romper. As consequências variam conforme o órgão atingido. Por isso, prevenindo a pressão alta, você está evitando diversas doenças decorrentes dela.

Segundo informações da Sociedade Brasileira de Cardiologia, o controle da pressão arterial reduz em 42% o risco de derrame e em 15% o risco de infarto. Pessoas que já têm o coração enfraquecido pela doença, quando têm crise hipertensiva, podem desencadear arritmias cardíacas – em que o coração pode sair de compasso -, além de edema agudo de pulmão. Também, além das comuns alterações cardíacas, se não prevenida ou tratada, a pressão alta pode resultar em insuficiência cardíaca a longo prazo, por exemplo. Outra consequência que pode ocorrer são os aneurismas, que são uma dilatação doentia dos vasos sanguíneos devido à alta pressão.

Não tem cura, mas pode ser controlada
Mesmo sem cura, a hipertensão pode ser controlada. Segundo a Sociedade Brasileira de Hipertensão, apenas 23% dos hipertensos controlam corretamente a doença. Outros 36% não fazem controle algum e 41% dos pacientes abandonam o tratamento. O principal meio de tratamento é a utilização de medicamentos hoje em dia muito eficazes, que costumam ter poucos efeitos colaterais e ainda assim controlam bem a pressão.

A hipertensão arterial pode necessitar de remédios a longo prazo, mas fornecem uma ótima qualidade de vida. Há pacientes que fazem o controle – com medicamento e mudanças de hábitos – por décadas e estas pessoas vivem bem, como qualquer outra que não tem hipertensão. Ou seja, é possível ter uma existência longa e com qualidade de vida utilizando a medicação, que tem efeitos benéficos para o organismo.

O Sistema Único de Saúde (SUS) é referência no atendimento para pacientes com doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como é o caso da hipertensão, por isso, oferece gratuitamente o tratamento, acompanhamento e medicamentos para controle da doença.

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