Integrantes do grupo Flor da Idade acompanham as aulas através de seus celulares

Grupo Flor da Idade tem aulas on-line. Projeto “Conversando com a comunidade” também foi retomado

Apesar do abrandamento das regras no modelo de Distanciamento Controlado e da volta às aulas presenciais nas escolas, ainda existem atividades que não podem ocorrer de forma presencial por conta da pandemia do novo coronavírus. Como uma forma de integrar a comunidade, São José do Sul está apostando na tecnologia para atender esses grupos. Através de vídeos foram retomadas as aulas de dança do grupo Flor da Idade e também o projeto “Conversando com a comunidade”.

De acordo com a coordenadora do Centro de Referência em Assistência Social (Cras) Recriar, Stefani de Oliveira Zweibrucker, as plataformas on-line são uma forma de continuar o desenvolvimento de projetos já existentes apesar das restrições impostas pela pandemia da Covid-19. E as ações têm dado resultado.
Geci Munhos Hermes tem 70 anos e há nove faz parte do grupo Flor da Idade. A moradora de Linha Lerner vem realizando as aulas de danças on-line que são gravadas pela professora do grupo, Mônica Hillesheim. “Não vejo problemas em ter aula on-line, a tecnologia ajuda muito nesse sentido”, destaca a idosa.

Geci pratica os movimentos de dança junto com a filha Nancy

Após assistir aos vídeos da aula em seu celular, Geci, junto com a filha Nancy Cristina Munhos Hermes, pratica na sala de casa os movimentos dados no vídeo. Mais do que retomar a atividade física, a idosa entende que as aulas on-line promovem a reunião do grupo. “É muito bom, nos reúne mesmo dessa forma. Nos aproxima umas das outras”, afirma. “Para mim, dá a sensação que já estamos voltando presencialmente”, reforça. Geci destaca que a iniciativa valoriza o ser humano e o faz sair da vida sedentária. Ela também agradece o empenho dos entes públicos para a retomada do projeto.

Assim como Geci, Ivani Mossmann, 64 anos, também assiste aos vídeos gravados para depois praticar os movimentos dados na sala de sua casa. “As aulas remotas são uma coisa boa, mas seria melhor se fosse presencial porque daí tu tem contato com as amigas e a ‘profe’. Mas assim também está tudo ótima”, pondera a moradora do Centro. Ela ressalta que consegue dar conta da tecnologia e que não precisa ajuda para manusear o celular quando precisa ver as aulas.

Na sala de aula, Ivani treina os passos de danças. FOTO: Arquivo Pessoal

Projetos on-line visam aproximar a comunidade
“Tendo em vista a remodelação e aperfeiçoamento das atividades do Cras, opta-se por diversificar as atividades através da inclusão de novas técnicas e projetos”. É dessa forma que Stefani explica as ações que vem sendo tomadas pelo órgão.

Sobre as aulas remotas para o Flor da Idade, a coordenadora do Cras diz que foi vista uma oportunidade de retomar as atividades do grupo nesse momento de pandemia através de plataformas on-line. Assim, semanalmente, são enviados pelo WhatsApp vídeos feitos pela professora. “A Mônica deixa (no vídeo) algumas atividades para elas fazerem em casa também, algumas práticas e a gente vai interagindo no grupo”, explica.

Segundo Stefani, havia a vontade de retomar os encontros presenciais do grupo. No entanto, foi avaliado que a necessidade do distanciamento social e do uso de máscara durante a prática da dança pelas idosas complicaria esse retorno. Ela salienta que o Flor da Idade objetiva proporcionar aos alunos experimentos com a dança, práticas corporais e continuidade do projeto já existente.

Além disso, também está sendo retomado o projeto “Conversando com a comunidade”. Nesse primeiro momento, ele ocorre por meio da publicação de vídeos no canal “Conversando com a comunidade São José do Sul” no YouTube. “A gente quer ir toda a semana apresentar um vídeo para a comunidade com coisas diferentes”, explica Stefani.

O objetivo é fazer com que os munícipes tenham acesso a informações novas e de fatos que ocorrem no Município sem precisar sair de casa. “É para o pessoal ver outras coisas, ter acessa a outras práticas e conversar entre si também. Porque (quando) tu recebe material novo tu acaba conversando, ligando para um familiar e passando essas informações”, complementa.

A coordenadora ressalta que esse projeto funciona com parceiros que gravam vídeos com aulas, oficinas ou entrevistas. Entre esses parceiros estão a Emater-RS/Ascar, a artesão Helida, profissionais da Saúde do Município e o empresário Pedro Ivo Hartmann Filho. Inclusive, foi com ele que o primeiro vídeo para o canal foi gravado. No material, ele ensina sobre o manejo de antúrios.

“Elas são muito esforçadas e fazem tudo com muito capricho”
Para a professora de dança do grupo Flor da Idade, Mônica Hillesheim, gravar as vídeoaulas é desafiador. Ao mesmo tempo em que precisa propor uma aula de qualidade, dinâmica e que atraia o interesse, ela precisa ter cuidado para não propor nada com um nível de complexidade muito alto por não poder acompanhar as dificuldades que possam surgir na execução dos movimentos. Cada aula tem cerca de 40 minutos de duração, entre alongamento e desenvolvimento dos movimentos propostos.

Mônica destaca benefícios das aulas ocorrerem mesmo que de forma remota. FOTO: Arquivo Pessoal

A professora também elabora as aulas por temas. “Por exemplo, em abril foi o mês de aniversário de 25 anos de São José do Sul e na primeira aula foi trabalhada a dança de origem alemã já que a colonização do Município é alemã”, explica Mônica. Ela salienta que mesmo de forma remota as aulas são importantes por promoverem o fortalecimento da saúde física e mental. “Estamos vivendo em meio ao caos, em meio ao medo, e práticas como essa, mesmo que remotas, contribuem para que as alunas se desliguem dessa energia de medo e confusão e foquem no seu próprio bem estar”, comenta.

Mônica ressalta que está bastante feliz com os resultados que vem alcançando. “Elas (as alunas) são muito esforçadas e fazem tudo com muito capricho”, garante. “Sempre digo: o grupo Flor da Idade sempre foi cheio de muito amor e afeto e, mesmo com os vídeos e à distância, esse amor e afeto não deixam de continuar florescendo, pelo contrário, estão se fortalecendo”, destaca a professora.

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