Curso ministrado pelo Senar em parceria com o Cras oportuniza uma alternativa para geração de renda, além de integração

Curso. Através de parceria, Senar realizou qualificação que se encerra hoje com entrega de diplomas aos participantes

Para os mais novos, a palha de milho pode não possuir outra serventia além de ser usada para iniciar o fogo no fogão a lenha ou na churrasqueira. Talvez os de mais idade tenham chegado a dormir num colchão forrado por ela. Porém, dificilmente se pensa que as folhas que protegem a espiga podem se transformar em algo belo. Foi justamente isso que o curso de artesanato em palha, realizado através de uma parceria do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural com o Centro de Referência em Assistência Social (Cras) Recriar, mostrou que é possível. Além disso, a atividade também mostra um cunho social através da integração e socialização dos participantes.

Rosemeri mostra sua bruxinha

Entre o grupo de 10 pessoas que se formam e recebem hoje a certificação está Rosemeri Arens. Aos 48 anos e encostada pelo INSS em razão de problemas nas pernas, ela chegou a entrar em depressão. Querendo superar a doença que assola milhares de brasileiros, Rosemeri buscou reação no artesanato, fazendo crochê. “Preciso manter a cabeça ocupada, isso afasta a depressão”, disse. E é aí que entra a importância dos cursos que realiza. Mais do que aprender uma habilidade, a atividade torna-se um espaço de convívio. “Através do curso a gente conhece bastante pessoas e convivemos umas com as outras”, destacou. Segundo ela, as aulas também são espaço onde se criam laços de amizade.

Flores foram feitas por Salete

Sobre o trabalho com palha, ela disse que se surpreendeu com ele. “Eu não dava valor para palha de milho, fazia fogo. Mas via os artesanatos e pensava: ‘Nossa, como a pessoa faz isso?’. E hoje eu que estou fazendo”, comentou orgulhosa. Rosemeri destacou ainda que não acreditava ser possível transformar uma palha de milho em objetos como flores ou um bruxinha. A artesã, que não chega a comercializar seus produtos, diz que pretende seguir sua produção. “Nem que seja para presentear alguém. É uma coisa que tu faz, que coloca carinho e amor”, afirmou.

Quem também sofre com depressão e viu no curso uma oportunidade de enfrentar essa doença é Salete de Sousa, 49 anos. “O psicólogo que recomendou (a participação em cursos deste tipo), e está ajudado”, garantiu. Esta é a primeira vez que Salete, que é membro de grupos do Cras, participa deste tipo de atividade. “Achava que não teria como fazer flores ou bruxas com palha”, contou. Salete ressaltou ainda a importância social deste tipo de programação. “Recomendaria para outras pessoas, principalmente para quem precisa de uma atividade para ocupar a mente”, afirmou.

Qualificação também é oportunidade de gerar renda

Eva (E) diz que artesanato em palha é apreciado no exterior

Responsável por ministrar o curso de 32 horas, a instrutora do Senar Eva Danila de Moura explicou que o artesanato em palha tem origem africana, mas também é bastante praticado na Europa. “Na Alemanha se trabalha muito com o artesanato em palha de milho e de trigo”, disse. Segundo ela, o artesanato com palha de milho serve para os lugares mais rústicos, com a confecção de cestas, bolas e chapéus, até para os espaços mais sofisticados, com a criação de enfeites para mesas.

“Aqui se aprende a transformar palha em artesanato e agregar valor ao milho”, explicou Eva. Segundo ela, este tipo de obra é bastante apreciado, sendo bem aceita até mesmo no comércio para exportação. A instrutora reforça que o artesanato em palha é uma maneira de se gerar renda ao produtor de uma forma que ele quase não tenha custo com a matéria prima.

Teresinha vê no trabalho com palha uma oportunidade de renda

Quem vê no artesanato de palha uma chance de renda é a aposentada Teresinha Hoffmann, 60 anos. Ela disse estar acostumada a trabalhar com artesanato, mas normalmente os faz para dar de presente. “Com esse (palha de milho) até dá para pensar em vender, me identifiquei”, afirmou. Teresinha disse ter tido contato com essa arte quando ainda era criança ao fazer porta cuia e suporte para panela na escola. “Essas coisas mais sofisticadas não tinha aprendido, mas sempre tive curiosidade”, ressaltou.

Pretensão é trazer mais atividades para o município

Trabalho com palha exige habilidade do artesão

De acordo com a secretária de Saúde, Saneamento e Assistência Social Silvani Maria Kremer, três cursos via Senar já foram realizados este ano no município e a ideia é trazer mais atividades com parceiros diferentes. Segundo o coordenador do Cras Recriar, Carlos Aguiar, este ano o Município pretende trazer ainda programas em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial – Senac.

Silvani diz que a ideia é trazer também cursos mais voltados para a área rural e manter a parceria com as entidades que já realizam atividades em São José do Sul. “Os cursos são importantes para as pessoas se qualificarem e também pela interação”, destacou a secretária. Ela salientou ainda que as oficinas disponibilizadas pela população através do Cras costumam ter ótima participação da população.

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