Postes, fios e até gerador foram instalados, mas ramal ligação não saiu

Sem luz. Novo aviário para 15 mil aves funciona à base de gerador a gasolina

Já faz algum tempo que a RGE Sul tem tido seus serviços questionados na região em razão da falta de energia e também pela demora para restabelecer a luz em casos de interrupção. Em Esperança, no interior de Maratá, um produtor sofre com a falta de atendimento da concessionária para tocar com 100% de eficiência um aviário com 15 mil aves de postura. O espaço já está pronto e há uma extensão da rede elétrica puxada até o local, no entanto, não foi feita a ligação do ramal. Assim, para não acumular prejuízos, foi necessário investir num gerador para garantir a produção.

O aviário pertence a Valdir Luiz Camillo, mas é cuidado pelo seu sobrinho Giovani Reichert, 27 anos, que possui, junto com a família, outros dois aviários de aves de postura e uma pocilga. Segundo Giovani, as obras do galpão iniciaram em maio e foram finalizadas em novembro do ano passado. O pedido para a ligação de energia foi feito em agosto. “Entre novembro e dezembro ‘puxaram’ os postes e os fios. Está tudo pronto, só falta ligar o ramal”, destaca.

Apesar de um poste com transformador ficar a poucos metros da caixa de luz, a rede ainda não foi ligada e o produtor encontra dificuldade em conseguir uma resposta da RGE. “A gente liga para o 0800 e eles não sabem explicar por que não é feita a ligação”, conta Giovani. Segundo ele, até mesmo membros do Executivo buscaram intervir a seu favor, mas também não obtiveram sucesso.

Diante da situação e da necessidade de produzir para pagar o financiamento feito para a construção do aviário, não restou opção a não ser instalar um gerador para poder tocar a produção. “Não pode ficar parado (o aviário). O gerador trabalha 10 horas por dia. São quatro litros de gasolina por hora, logo gastamos 40 litros de gasolina por dia”, aponta Giovani. Se pagar R$ 4,19 pelo litro de gasolina, o gasto do produtor chega a R$ 167,60 ao dia. Ele ressalta que a situação faz seu custo de produção aumentar, além de não permitir um cuidado ideal para com as aves. “No calor, é complicado, não conseguimos ligar todos os ventiladores e nebulizadores ao mesmo tempo. Isso gera estresse e perda na produção”, comenta.

Produtor destaca que pedido de instalação da rede foi feito em agosto

A reportagem entrou em contato, via assessoria de comunicação, com a concessionária, porém, mesmo fornecendo número de protocolo do pedido de ligação de rede feito por Valdir, não obteve resposta sobre o motivo da não ligação do ramal.

Problemas são frequentes
A situação de Valdir e Giovani é só um exemplo dos problemas que os moradores da região têm enfrentado com a concessionária. Em setembro de 2018, o prefeito de Pareci Novo, Oregino José Francisco, foi ao Ministério Público pedir ajuda em razão do desabastecimento de energia que diversos pontos da cidade sofriam três dias após a passagem de um temporal. O caso acabou sendo arquivado após manifestação da empresa.

A RGE argumentou que a demanda de atendimentos emergenciais em Pareci Novo é, em média, de 25,5 eventos ao mês. No entanto, em razão do temporal, o número saltou para 47. Em dezembro do ano passado, situação semelhante ocorreu no mesmo município.

O presidente da Associação dos Municípios do Vale do Caí (Amvarc) e prefeito de Maratá, Fernando Schrammel, diz que não há nenhum movimento conjunto para cobrar melhorias no atendimento. “A gestão cada prefeito precisa fazer individualmente com a companhia”, afirma. No entanto, ele entende que uma ação nesse sentido seria importante.

Citando o exemplo de Maratá, Fernando diz que o Executivo realiza encontros com a comunidade para passar orientações que auxiliam no trabalho da RGE e que diminuem os riscos de queda de luz, como a necessidade de se parar de plantar árvores próximas da rede elétrica.

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