Caminhada com orações e cânticos religiosos acontece anualmente, em fevereiro

Católicos realizam homenagens e pagam suas promessas à Santa que apareceu em uma gruta na França

A fé dos marataenses por Nossa Senhora de Lourdes segue forte, ano após ano. A Santa, cercada por 135 rosas, mais uma vez recebeu a devoção do povo. Na manhã do último domingo, dentro da igreja Matriz São Miguel, as participantes do Apostolado da Oração já ornamentavam o andor para a 35ª procissão de Nossa Senhora de Lourdes, que ocorreu no domingo.

A tradição surgiu em 1985, quando a pequena cidade inaugurou a gruta de Nossa Senhora de Lourdes, no parque da Cachoeira Maratá. Desde aquela época, a aposentada Neiva Müller, 57 anos, participa da caminhada que reúne cantos religiosos e orações. “Há muito tempo eu colaboro nos preparativos do andor. No ano passado compramos uma imagem nova, mais leve e melhor de levar. Estar aqui ajudando não tem explicação, pois a gente se emociona ao ver ela pronta”, diz Neiva, emocionada.

Voluntárias fixaram 132 rosas no andor que levou a Santa

Muitos não sabem o motivo da devoção dos marataenses a Nossa Senhora de Lourdes. Por isso, o padre Cláudio Finkler, pároco daquela comunidade católica, explica que por volta dos anos 1980, bispos de todo o Brasil pediam para que as pessoas dessem importância e valor aos lugares religiosos, como grutas, santuários e capitéis. “Nossa Senhora de Lourdes teve sua aparição em uma gruta e nós aqui de Maratá queríamos construir uma. O sub-prefeito, na época, Erci Antônio Pohren disse que o local ideal seria na Cascata”, revela Finkler.

Assim foi colocado um novo sinal religioso no povoado. “Isso tudo se transformou em um local de harmonia entre fé e natureza”, aponta o padre Cláudio. Para iniciar a procissão, o celebrante religioso destacou que durante o trajeto o momento seria de orações pelas pessoas doentes, que necessitam de bênçãos imediatas.

O trajeto percorreu o centro da cidade. Devotos se juntavam aos demais a cada esquina, até chegarem à gruta onde também aconteceu a Missa.

Devoção se torna maior após graças alcançadas
Aos 38 anos, a funcionária pública Marlise Stein esteve presente na homenagem à mãe de Jesus, agradecendo uma graça alcançada há pouco tempo atrás. “Eu tive muita dificuldade para engravidar e sempre pedi para que desse certo. Fui atendida”, reve

Marlise Stein teve pedido atendido pela Santa e agora agradece

la.

Porém, durante a gravidez, a marataense teve um sangramento, no segundo mês de gestação. “Fiz uma promessa para a Santa, para tudo ocorrer bem. A imagem percorre as casas da minha rua, então aproveitei para pedir a ela”, diz Marlise Stein. Agora, a mãe do Kaio tem um motivo a mais para ir à procissão. “Venho para agradecer e pedir saúde aos familiares”, finaliza.

Professora relembra trabalho para a inauguração da Gruta
A professora aposentada Neli Glória Plass, 76 anos, chegou até a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes com um buquê de flores naturais.

Ela lembra bem da festa de inauguração do local religioso, em Maratá. “Vim aqui, na época, com meus colegas professores e alunos para plantar gramas no pátio da cascata. Foi um trabalho exclusivamente da comunidade. Foi lindo”, relembra a professora Glória, como é conhecida.

Glória Plass esteve presente , em 1985, na inauguração da Gruta

Muitos pedidos para a Santa já foram feitos pela aposentada e ela garante que o que se pede lá, se consegue. “É uma questão de fé. Não há quem não tenha sido atendido”, afirma. Glória também relembra e aprova a ideia da transformação do local em um espaço católico.

Ao olhar para a imagem de Nossa Senhora de Lourdes, a professora aposentada diz que seu coração recebe um sentimento de gratidão aos familiares que ensinaram sobre essa devoção.

“E se eu não tivesse plantado essas ‘raízes’ nos meus alunos, muitos deles não viriam aqui hoje”, destaca Glória Plass.

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