Rainha de Maratá é reconhecida na comunidade por sua alegria, humildade e determinação. FOTO: Patrícia Pohren

Rainha de Maratá, jovem teve ano de superação e objetivos conquistados

Ao ouvir seu nome ser anunciado como a nova rainha de Maratá na noite de 25 de maio deste ano, Vanessa Muxkopf, 20 anos, sentiu como se um grande peso tivesse sido tirado de suas costas. Leve, ela fez questão de mostrar sua felicidade ao sair pulando dos fundos do palco e não com um andar calmo e abanando para o público como seria de se esperar de uma rainha. “A primeira coisa que me deu na cabeça foi de agradecer para Deus, por estar aqui e por ter passado por tudo isso e ter conseguido”, conta. O “isso” se refere não só à tentativa não sucedida de ser soberana em 2017, mas também ao caos sobrevivido em junho daquele ano.

Alegre e com fala rápida, Vanessa só muda o humor quando lembra a madrugada do dia 8 de junho de 2017, quando um tornado atingiu a localidade de Esperança, no interior de Maratá, e destruiu a casa da sua família e tantas outras. Na ocasião, Vanessa, seus pais e seu irmão ficaram feridos. Para se recuperar do trauma e da perda material, a família contou com o apoio de amigos e desconhecidos.

Vanessa conquistou o título de rainha dois anos após ver sua casa ser arrasada por um tornado. FOTO: Patrícia Pohren

Para a soberana, passar por uma tragédia como aquela de junho de 2017 é uma experiência que faz os envolvidos enxergarem a vida de um jeito diferente. Segundo Vanessa, ela e sua família passaram a viver de maneira diferente. “Acho que a gente aprendeu a viver intensamente cada dia que passava, a valorizar mais a família e os amigos”, comenta. Além disso, a chocante experiência deu a Vanessa mais gana de correr atrás de seus sonhos. Foi por isso que ela voltou a se candidatar esse ano no processo de escolha das soberanas de Maratá.

No entanto, essa decisão demorou um tempo para ser tomada. Entre o incentivo de amigas e aquela antiga vontade de representar o Município, Vanessa se dividiu. Em 2017, entendeu que não foi eleita por não ser a hora certa, agora estava indecisa se era aquilo que ela realmente queria. “De noite, deitada, eu ficava pensando: ‘será (que me candidato)?’”, revela. A dúvida foi aumentando até que ela foi até seu armário para ver o vestido que tinha usado na candidatura anterior, bem como as fotos da escolha de 2017 e – junto com estímulo de amigas – resolveu por se candidatar.

O resultado dessa decisão já foi descrito no primeiro parágrafo desta reportagem, mas o que ainda não foi contado foi toda a dedicação de Vanessa para transformar o seu desejo em realidade. Além da preparação oferecida pela organização do concurso, a futura rainha mergulhou em livros e também realizou entrevistas com ex-Soberanas de Maratá e de cidades próximas. “Às vezes chegava de noite em casa e não aguentava mais, mas eu acredito que é assim: quando tu quer realizar muito alguma coisa, tu tem que te dedicar bastante”, afirma. O desejo de Vanessa era tanto que uma noite antes do baile de escolha ela sonhou estar recebendo uma coroa e faixa, mas sem identificar para qual posto da corte.

Por toda essa jornada – que encontrou em 2019 um ano de redenção – Vanessa resumiria com a palavra “gratidão” o ano que se encerra. “Gratidão por tudo o que a gente passou e por ainda estar aqui, por tantas pessoas sempre terem nos ajudado”, reforça.

Vanessa conquistou o título de rainha dois anos
após ver sua casa ser arrasada por um tornado

Experiência como soberana é gratificante, afirma a rainha
Passada toda a preparação e a emoção de ser anunciada como rainha, Vanessa passou a se preparar junto com as princesas Micaela Letícia Grub e Neiva Solange Kunzler para o seu grande momento: recepção dos visitantes na 15ª Oktoberfest, ocorrida em outubro. Antes, elas participaram de uma intensa divulgação. “Foi uma experiência muito boa, apesar de muitas vezes a gente dormir pouco”, comenta Vanessa e acrescenta que por isso todas as soberanas passam.

“Acredito que isso é apenas um detalhe. Para tu conquistar algo bom tu precisa passar por vários momentos. Então, esses momentos de dormir pouco ou de estar sempre cedo no salão são só um detalhe”, reforça a rainha. Ela salienta, ainda, a cumplicidade formada com Micaela e Neiva. “Nós três nos completamos, então sempre que uma precisa de ajuda uma ia lá e ajudava”, destaca.

Sobre a Oktoberfest, que foi realizada em dois finais de semana, Vanessa diz que tudo passou muito rápido. “Só que, claro, eu aproveitei intensamente todos os momentos, desde a divulgação até o fim da festa”, garante. A rainha lembra com carinho dos visitantes com quem conversou e também da oportunidade de falar em alemão com os mais velhos. Inclusive, ela revela que houve quem lhe questionava se era ela a moça que havia se ferido há dois anos em Esperança em razão do temporal e quase não acreditavam que, sim, era ela. “O que o pessoal achava mais inusitado é ter passado por tudo aquilo e depois ter me tornado soberana do Município. As pessoas muitas vezes ficam impressionadas com tudo isso”, revela.

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