Guilherme (E) e Michael pagaram promessa pedalando distâncias nunca antes percorridas por eles. FOTO: Arquivo Pessoal

Dupla pedalou mais de 150 quilômetros pela recuperação de amigo

A Covid-19 já ceifou mais de 400 vidas na região do Vale do Caí e Triunfo desde o início da pandemia, em 2020. Mais do que famílias que sofrem, são amigos, parentes e até comunidades inteiras que lamentam a perda de vidas que ainda não deveriam ter chegado ao fim. Enquanto seus entes queridos estão afastados e isolados lutando pela vida num leito no hospital, muitos buscam conforto e esperança na fé.
Foi o que fizeram os moradores de Brochier Guilherme Schneider Kunz, 40 anos, e Michael Schumacher, 20 anos, diante do quadro clínico do seu amigo Carlos André Gaelzer, o Bisnaga. O empresário contraiu Covid-19 no final de fevereiro deste ano e em março chegou a ser internado em leito semi-intensivo do Hospital Unimed Vale do Caí (HUVC), em Montenegro. Foram mais de 20 dias de internação entre quarto e no Centro de Terapia Intensiva (CTI) da casa de saúde.

Guilherme cumpriu promessa pedalando o trajeto de ida e volta até Farroupilha. FOTO: Arquivo Pessoal

A piora no estado do amigo fez com que Kunz fizesse uma promessa a Nossa Senhora de Caravaggio pela saúde de Bisnaga. “Sou devoto desta santa e ela sempre atendeu aos meus pedidos”, conta. Michael, que é sobrinho do empresário, também fez uma promessa à santa. Os pedidos foram atendidos e Bisnaga se recuperou.

Alcançada a graça, Kunz e Michael pagaram sua promessa na Sexta-Feira Santa, em 2 de abril. Kunz foi e voltou até o Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio, em Farroupilha, de bicicleta. Foram 8 horas e 30 minutos de pedalada num trajeto de 153 quilômetros. Já Michael fez apenas o trajeto de volta de bicicleta, num total de 76 quilômetros. Para ambos, foi a maior distância já percorrida em cima de uma bicicleta.

“Todos os anos fizemos promessas e pagamos a Nossa Senhora de Caravaggio, mas nesta, pela saúde do Carlos, fizemos um sacrifício maior. A vida dele valeu muito mais que este trajeto”, afirma Kunz. “A sensação foi de gratidão, pois ver meu compadre curado desta doença que tem tirado tantas vidas e ter ele ao nosso lado é muito gratificante”, conta sobre ter cumprido a promessa. Os dois ciclistas tiveram o apoio de Douglas Modzelan, que os acompanhou de carro. Modzelan também é youtuber e gravou um vídeo da promessa sendo cumprida para o seu canal no YouTube.

“É também a doença da solidão”, diz Bisnaga sobre a Covid-19
De acordo com Bisnaga, enfrentar a Covid-19 não é nada fácil. “Além de ela te debilitar os pulmões, (ao ponto de) que você precisa de ajuda para poder respirar, é também a doença da solidão”, conta. “A saudade ajuda a adoecer. Nos primeiros sete dias de internação foi muito difícil. Eu tinha muito medo: medo de ser intubado e de morrer”, relata.

Segundo o empresário, a ansiedade, o medo e a solidão fizeram com que seu quadro regredisse e ele não apresentasse melhoras. Assim, ele foi transferido para a ala semi-intensiva. Ali, começou a apresentar evolução positiva e voltou para um quarto.

Através de conversas com profissionais do hospital e também de vídeos do seu filho de dois anos pedindo por ele, Bisnaga passou a melhorar diariamente. “O atendimento e a dedicação que os profissionais possuem com os pacientes no HUVC, para mim, fizeram muita diferença. Por mais cansados que estes guerreiros estão, eles fazem de tudo para verem os pacientes melhorando, vencendo este vírus e poderem retornar aos seus lares”, agradece.

E foi no quarto do hospital, durante uma vídeochamada, que Bisnaga ficou sabendo da promessa feita pelos amigos. “Inexplicável o meu sentimento pela promessa deles, mostra o quanto torceram e rezaram pela minha recuperação”, diz. Ele revela, ainda, que sua esposa e sua cunhada também fizeram promessas à santa pela sua recuperação.

Hoje, quase um mês após a alta, Bisnaga já se sente muito melhor. Ele faz terapia três vezes por semana e sua saturação de oxigênio está mais equilibrada. No entanto, ela ainda não pode caminhar longas distâncias ou em velocidade, porque lhe falta fôlego. “A recuperação é lenta, mas o pior já foi. Hoje me sinto vitorioso”, garante.

Bisnaga (E) e Guilherme juntos no Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio. FOTO: Arquivo Pessoal

Deixe seu comentário