Família veio de Viamão visitar o casal Eulo e Rita que ficarão uma semana no motorhome

Estilo. Proprietários de motorhome querem apreciar o caminho, sem hora para chegar, e com o conforto do lar

A sensação de liberdade, rodando por uma rodovia sem destino, é uma satisfação que move muita gente. Entre os aventureiros existem ainda aqueles que preferem levar a casa nas costas, ou melhor, viajar com a própria casa. E essa sensação somente pode ser provada através de um trailer ou um motorhome. Até o próximo domingo, o Parque Centenário em São Sebastião do Caí sedia o encontro de motorhome da Associação Gaúcha dos Proprietários dos Veículos de Recreação – Rancho Móvel.

A comunidade está convidada para conhecer esse estilo de vida e ver algumas casas móveis muito bonitas e aparelhadas. Assim como o Ford F-4.000 do casal Eulo Rigotti, 71 anos, e Rita Iara Rigotti, 74 anos. Há 15 anos esses moradores de Viamão optaram por motorhome ao invés de hotéis. Com o veículo já viajaram por toda parte, sendo que o mais longe até agora foi Toledo no Paraná. Isso porque, embora aposentado, Eulo segue a frente da empresa da família.

Mas o casal admite que a ideia é parar de vez com o trabalho para então poder seguir em aventuras mais longas pelo Brasil. “Se Deus quiser”, rezou a esposa. O motorhome deles tem capacidade para seis pessoas, com todos os confortos de uma casa, reservatório de água e banheiro. A família tinha casa na praia, mas, segundo Eulo, foram duas alegrias: “quando comprei e quando vendi”. A liberdade de viajar com sua própria casa não tem comparação.

Não há hora para chegar ao destino e no caminho qualquer bela paisagem é um convite a fazer uma parada, fotos e lanche. Nos campings e nos encontros da Associação, a amizade e confraternizações são outro benefício que um hotel não dispõe. E ao final do dia, fazer um chimarrão e apreciar a natureza em sua volta é revigorante. Ao todo, devem participar em torno de 90 trailers.


A agilidade proporcionada pelos pequenos motorhomes

E para quem pensa que motorhome precisa ser um “caminhão”, o acampamento no Caí prova o contrário. Há muitos veículos van e microônibus transformados em casa, garantindo abrigo, agilidade no deslocamento e facilidade para encontrar paragem. João Roque Ledur, 72 anos, trouxe a esposa Juraci, 45, e a filha Ana Sabrina, 14, de Cascavel, no Paraná, dentro de uma Sprinter 515.

Ele explica que esse modelo da Mercedes Benz tem 7,40 metros de comprimento, o que permite inclusive ter banheiro com chuveiro. Os 250 litros do reservatório de água dão autonomia de dois dias e o reservatório de dejetos também pede poucas descargas. Há apenas cinco meses o professor aposentado investiu R$ 270 mil no motorhome, após 12 anos de veículos maiores.

“Tinha mais espaço. Mas levava mais tempo para deslocar”, explica João, referindo-se a um motohome com dimensões de um ônibus. Com a van, as viagens são menos demoradas e permite pernoitar até em posto de combustíveis. “Motorhome representa a liberdade”, afirma. Ele explica que ficar em hotel requer reserva antecipada e prazos para chegar e sair. De trailer a viagem pode ter paradas para apreciar as cidades e a natureza no caminho.

Veículos garantem conforto e novos amigos no caminho
Vera Teresinha da Silva, de 64 anos, é presidente da Associação Rancho Móvel. Ela e o esposo, Roberto Antônio Tavares da Silva, 69, vieram de Novo Hamburgo com um poderoso Itapuã montando sob encomenda em 1998. Lá dentro tem tudo para abrigar oito pessoas. Aliás, os veículos visitados pela reportagem têm a mesma praticidade, das mesas de cozinha que viram cama de casal ou solteiro.

“Quem tem um desses é por que gosta”, declara Vera. Após tantos anos de estradeiros, o casal não consegue mais ficar em um hotel, após provar a delícia de ter suas coisas, sua casa, ali à mão. “Tu andou, andou, andou. Ficou cansado? Pode parar. Não está satisfeito com o lugar onde está? Começou a chover? Vai para outro lugar”, explica a presidente.

Vera também destaca a amizade criada entre os viajantes de motorhome. Sendo que os integrantes do Rancho Móvel combinam os destinos e se encontram em campings. A Associação tem 40 anos e hoje soma 400 associados, pelo Brasil e países vizinhos do cone sul. Mensalmente acontecem encontros com esse em São Sebastião do Caí, sempre em cidades diferentes. A entidade tem estatuto, que inclusive prevê comportamentos no trânsito e nos locais visitados. “Respeito à natureza! Deixamos o local mais limpo do que encontramos”, declara a presidente.

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