Saiba o que fazer com itens muitas vezes tratados como lixo, mas que podem ter outra destinação. Foto: istock

Passados dez anos da promulgação da lei que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em agosto de 2010, o Brasil avançou quanto à destinação de lixo. Em uma década, o País viu a produção de resíduos sólidos urbanos crescer 11%, passando de 71,2 milhões de toneladas por ano em 2010 para 79 milhões de toneladas em agosto de 2020, dado mais recente. Individualmente, os cidadãos geraram cerca de 1,6% mais lixo: antes, eram 373 quilos anualmente por indivíduo e na data eram 380 quilos.

Infelizmente, somente uma parcela do lixo gerado no País vai para aterros sanitários controlados. Isso porque ainda há no país lixões a céu aberto, além dos descartes indevidos em terrenos abandonados. Os impactos não são desastrosos somente ao meio ambiente. Com a poluição do ar, a saúde das pessoas, animais e até plantas também está em jogo. Além de que esses lugares são um prato cheio para a reprodução de pragas.

Mas, como evitar que a geração de lixo cresça se utilizamos objetos de forma cada vez mais descartável? Como destinar corretamente os itens? Você pode fazer a sua parte! Uma das melhores opções é o reaproveitamento dos materiais e objetos que ainda estão em boas condições de uso. Algo pode não ser mais útil para você, mas ser aproveitado por outra pessoa. Assim, você evita que mais lixo se acumule na natureza sem necessidade. E, se realmente precisar descartar? Há meios de fazer isso corretamente.

Customização de roupas

Quantas vezes guardamos no roupeiro aquela roupa ou calçado que já está de lado na intenção de um dia ainda utilizar, mas que, no fim, acaba indo direto para o lixo? Isso é comum, mas, nem sempre, a melhor escolha. Uma alternativa para as peças de roupas e acessórios é a customização. Com tintas, sprays e objetos encontrados em casa, uma peça de roupa pode ganhar cara e estilo novos. De outra cor, corte ou modelo, a roupa se transforma. Calças podem virar shorts, camisetas de mangas compridas podem se tornar blusinhas de Verão. Você só precisa de criatividade.

Restauração de objetos

O seu móvel está com algumas marcas de uso? A cor e características já não combinam com o estilo da sua casa? O brinquedo da criança pode ser utilizado, mas seu filho nem o olha mais? Já pensou em restauração? Existem diversos profissionais na área. Ou você pode fazer serviços mais simples em casa mesmo. Isso não significa que você não deve trocar o móvel da sua sala. O que não pode é simplesmente jogar o antigo na calçada, todo quebrado. Quem sabe, com alguns poucos ajustes antes de descartá-lo, alguém não o aproveite?

Restauração é boa opção para quem quer se desfazer de itens por estarem com aparência “velha”. Foto: istock

Doações para entidades

Não curte muito customizar e quer esvaziar o armário? A doação pode ser uma opção, quando feita da forma correta. Simplesmente largar as peças, junto do lixo comum, na calçada não é o melhor. Até porque as peças ficam sujeitas a pegar chuva ou a se sujarem com outros materiais. Em algumas horas, uma boa blusa, por exemplo, pode se transformar em algo inutilizável. Doar diretamente ou encaminhar para uma das diversas instituições e entidades que precisam de ajuda é muito mais efetivo. Isso também vale para calçados, brinquedos ou móveis.

A Central Única das Favelas (Cufa) Montenegro, é uma das instituições voluntárias que está sempre disposta a receber itens para doação. Segundo uma das integrantes, Kaká Pinheiro, todas as doações recebidas são destinadas às mães e famílias que necessitem. A Central é uma boa opção para quem não pretende utilizar e nem restaurar um brinquedo que esteja em condições e uso. Para mais informações, o contato pode ser realizado através do número da Cufa: 992003-9781. Outra instituição que recebe doações constantemente é a Cáritas, que auxilia famílias carentes de Montenegro. O recebimento de roupas, calçados e brinquedos são sempre bem vindos. O contato para doação pode ser realizado através do número 51 99790-1966.

Outra instituição voluntária que recebe doações para uma boa causa é a ONG Cachorreiros e Gateiros. Os membros voluntários buscam auxiliar o maior número de animais de rua possível. Antes da pandemia, o grupo realizava brechós, além de outras ações, para arrecadar valores necessários para custear atendimentos, ração, cirurgias entre outras para os pets. Ângela Cristina dos Santos, uma das integrantes, explica que mesmo sem poder realizar os brechós em função da Covid-19, o grupo recebe itens como roupas, calçados e acessórios doados para quando retomar a atividade. Peças eram vendidas de R$ 2,00 à R$ 20,00 reais nos brechós. Que tal doar parte do seu guarda-roupas para esta boa ação? Para realizar doações, o contato é realizado pelo número 51 98024-6151.

Doar itens para brechós beneficentes é uma opção. Foto: arquivo pessoal Cachorreiros e Gateiros

Descarte correto

Há, em algumas cidades da região do Vale do Caí, ações das Prefeituras Municipais que incentivam o descarte correto de resíduos. Em Montenegro, a ação costumava ocorrer duas vezes por mês, mas para março, a pandemia parou o serviço temporariamente. Segundo a Administração Municipal, é esperada a volta da ação a partir de abril, se ocorrer a diminuição de casos e mortes pela Covid-19. Os materiais aceitos são resíduos como vidros, lâmpadas, garrafas, óleo armazenado em garrafas pet, pilhas, baterias e materiais eletrônicos.

Com relação a móveis e outros objetos que não são recolhidos pela coleta e nem aceitos no Dia do Descarte Correto, a Administração Municipal adianta que está estudando a implantação de um novo serviço com este objetivo, vinculado ao projeto Cidade Limpa. A ideia é estabelecer um roteiro, com uma ou duas datas por mês, em que um caminhão da Prefeitura visitará as comunidades para recolher itens como roupeiros, camas, mesas e cadeiras, entre outros.

Mas a implantação dessa proposta depende de algumas ações de médio prazo. Entre elas, a formalização de parcerias com entidades que possam receber os móveis e, antes de dar a eles uma nova destinação correta, realizar pequenas reformas e recuperações. “Não teria sentido recolher tudo para simplesmente mandar ao aterro sanitário”, comenta o prefeito Gustavo Zanatta. Muitos itens, segundo ele, podem ser reaproveitados por famílias mais humildes.

De acordo com Ronei Carvalho, chefe do serviço de Educação Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente, é importante que as pessoas se desfaçam destes materiais de forma irregular. “Pedimos a colaboração de todos para que guardem estes objetos em casa por algumas semanas, até que o Dia do Descarte Correto possa ser retomado”, afirma. Caso não seja possível, a opção é recorrer a uma empresa que presta este tipo de serviço e pagar pelo recolhimento.

São José do Sul e Maratá também realizam as ações com os mesmos resíduos aceitos por Montenegro. Além disso, Maratá costuma ter, assim como Pareci Novo, dias específicos para descarte correto de eletrônicos.

Em Pareci Novo, no início de março, foi realizada uma ação mais específica e que deve ocorrer novamente em setembro. Se trata do Bota-Fora. Um dia em que os cidadãos podem colocar (de maneira que não obstrua passagem) em suas calçadas, itens para destinação correta como eletrodomésticos, colchões, utensílios e móveis velhos e ainda madeira (apenas madeira de até 1 metro).

Em Brochier, a iniciativa dá o descarte adequado a materiais de linha branca (como geladeiras, fogão, máquinas de lavar roupas e louças, microondas, freezers, a condicionado e similares), assim como para móveis quebrados, utensílios velhos e até colchões.

Em Montenegro, antes da pandemia a ação ocorria duas vezes ao mês em diferentes pontos da cidade

Mas e com remédios?
O que fazer?

Os comprimidos que sobram após um tratamento por vezes acabam jogados dentro de gavetas e perdem a validade, ou são descartados de forma irregular, quando poderiam estar ajudando famílias que não têm condições de fazer a aquisição. Pareci Novo tem, na farmácia da UBS, local específico para “descarte” de medicamentos. Estes são doados após avaliação de sua integridade e validade, sob responsabilidade técnica de um profissional farmacêutico. A proposta tem como finalidade possibilitar conscientização de toda a população sobre o uso responsável de medicamentos, além de evitar a automedicação e intoxicações. Ainda tem foco no descarte incorreto que impacta diretamente no meio ambiente. Qualquer pessoa que tenha em casa medicamentos em desuso pode fazer sua doação diretamente na farmácia da UBS.

Montenegro conta com o fim da pandemia para implementação do projeto “Farmácia Solidária”, que permitirá que o município receba medicamentos doados pela população. “Assim que a pandemia ceder, vamos fazer um debate interno e definir a implantação”, projeta Cristiano Braatz, vice prefeito. A secretária municipal da Saúde Cristina Reinheimer explica que será necessária a elaboração de lei autorizando a implantação do serviço e definindo regras sobre o que pode ser recebido e em que condições, como validade; bem como os grupos que serão contemplados. “Além disso, precisaremos de um espaço específico e funcionários. A proposta é muito boa, mas o momento é difícil”, pondera.

Em Pareci Novo, projeto de doação de
medicamentos visa evitar o descarte incorreto. Foto: divulgação ACOM Pareci Novo

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