Governador esteve reunido com presidente da GM Mercosul, Carlos Zarlenga. Foto: Rodger Timm / Palácio Piratini

Economia. Montadora negocia seu futuro, mas ainda não disse se quer incentivos fiscais. Assunto foi tema de reunião

Notícias sobre o encerramento das atividades na América Latina deixaram os trabalhadores da General Motors (GM) de Gravataí apreensivos e o sindicato em alerta. O argumento da montadora é de que estaria enfrentando dificuldades financeiras nos últimos cinco anos. Essa questão foi exposta ontem ao governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), que esteve reunido em São Paulo com executivos da multinacional. Sem detalhar os limites ao qual o Estado pode chegar, ele afirmou que todo o possível será feito para evitar o fechamento da fábrica no RS.

Diante de um cenário de baixa nas vendas, a multinacional repensa a atuação global, o que inclui o Brasil. E para viabilizar a manutenção em solo brasileiro, a GM projeta ampliar a fabricação em São Paulo. Além de depender de negociação com o governo paulista, é imperativo um acerto com sindicatos trabalhistas, inclusive gaúchos. Neste caso a pauta é reduzir o custo operacional, o que significa cortes nos benefícios dos trabalhadores, como já revelou a direção da filial de Gravataí.

As duas questões apontadas pela administração da empresa, segundo Leite, não dependem diretamente do Rio Grande do Sul. Mas podem afetar o Estado, caso as duas negociações não tenham desfecho positivo, pois poderia inviabilizar as operações da GM no país. Se os investimentos não forem possíveis em São Paulo, a empresa ficaria com apenas dois produtos no Brasil, no caso os dois carros fabricados em Gravataí.

“Não chegamos ao ponto de fazer qualquer oferta para a empresa, porque não dependem de nós essas negociações”, apontou o governador. Leite, porém, destacou que irá fazer o que estiver ao alcance para manter a GM. Nova reunião com a diretoria da empresa foi agendada para os próximos 15 dias.

Governador promete fazer de tudo para manter empresa aqui
O encontro de ontem, no Centro Tecnológico em São Caetano do Sul, onde inclusive estiveram o presidente da GM Mercosul, Carlos Zarlenga, e o vice-presidente da GM Brasil, Marcos Munhoz, trouxe confiança de que todas as condições serão atendidas. Ele aposta em um denominador que fique bom para todas as partes. “O governo fará tudo que for possível, porque é uma operação que interessa à economia do RS”, concluiu Leite.

Também participaram do encontro o diretor e a gerente de Relações Governamentais da GM, respectivamente, Adriano de Barros e Daniela Kraemer, o secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo, Dirceu Franciscon, e o prefeito de Gravataí, Marco Alba.

Montadora está presente no Rio Grande do Sul desde 2000
A montadora está em solo gaúcho desde o ano 2000. Da fábrica no município metropolitano saem o Prisma e o Onix, esse segundo o carro mais vendido do Brasil. A unidade gaúcha integra as operações da GM Mercosul, que tem outras duas no Brasil – em São Caetano do Sul e São José dos Campos, ambas em São Paulo. O braço regional da empresa ainda opera uma unidade em Rosário, na Argentina. A Chevrolet tem em andamento projeto que prevê investimento de R$ 13 bilhões no país até 2020, dos quais R$ 1,4 bilhão na fábrica no Rio Grande do Sul, para a montagem de novos modelos de veículos.

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