Cleusa é uma das contratadas afetadas pelos problemas de pagamento

YC Serviços e Seduc dão suas versões sobre a situação

Para repor a ausência de servidores da limpeza e da cozinha nas escolas da Rede Estadual de Ensino por conta da pandemia do novo coronavírus, o Governo do Estado firmou uma série de contratos emergenciais com empresas que prestam esse serviço. O contrato referente ao serviço de limpeza terceirizado para escolas do Vale do Caí foi vencido pela empresa YC Serviços, de Parobé.

Os contratos provaram-se uma oportunidade de emprego para dezenas de pessoas. No entanto, esses trabalhadores terceirizados vêm enfrentando dificuldades quanto o pagamento de seus salários. Em Brochier, Cleusa Rosane Jardim Vieira foi contratada em 23 de novembro pela YC Serviços para trabalhar na limpeza da Escola Estadual de Ensino Médio (EEEM) Erni Oscar Fauth.

No quinto dia útil do mês de dezembro ela recebeu o pagamento referente aos dias trabalhados em novembro, bem como o vale-alimentação. Em janeiro o pagamento de Cleusa só ocorreu no dia 19, sem o vale-alimentação. “Se a gente trabalha, a gente quer receber”, diz. Apesar disso, a contratada ainda está em situação melhor do que outras pessoas que trabalham para a mesma empresa.

Funcionárias foram contratadas por terceirizada do Estado para realizar a limpeza em escolas da Rede Estadual de Ensino, mas não receberam pagamento correto

Contratada para realizar a limpeza no Instituto Estadual de Educação (IEE) Assunta Fortini, de Barão, Iliete Avrella diz estar há 72 dias sem receber salário. “Saí do meu (antigo) emprego para esta vaga na escola. Várias vezes entrei em contato (com a empresa), mas sem retorno algum. Eles não atendem o telefone e nem visualizam as mensagens”, relata. Apesar de todo esse período sem receber, ela não pensa em pedir demissão.

Também contratada para trabalhar no IEE Assunta Fortini, Sherlea Telles Ignácio tomou uma decisão diferente da colega: pediu demissão. “O pagamento atrasa e eles nem respondem nossas mensagens”, justifica. Ela apontou, ainda, que não recebeu da empresa Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Situação semelhante passa Cleusa, que recebeu apenas uma camiseta com o logo da YC Serviços e um par de luvas.

A contratada para trabalhar na limpeza da escola da Rede Estadual em Brochier também relata, como Sherlea, a dificuldade para conseguir contato com a empresa contratante. “Nós temos três números de contato e nenhum responde”, conta. Segundo ela, as manifestações da empresa ocorrem raramente e apenas em mensagens enviadas para um grupo criando no aplicativo WhatsApp.

“Eles nos deixaram a Deus dará”, lamenta Cleusa. A servidora salienta que consegue se manter por ter a ajuda de familiares, mas conta que há outras contratadas da região que não contam com a mesma sorte e já sofrem as consequências da falta de pagamento, como corte de água e luz.

Contrato emergencial ocorre por conta da pandemia do novo coronavírus, que afastou também trabalhadores do grupo de risco da limpeza e da cozinha das escolas

O que diz a empresa
Questionada pela reportagem sobre o atraso no pagamento, a empresa informou que, a princípio, todos os colaboradores contratados já receberam os salários de dezembro. Por e-mail, a YC Serviços destacou que as contas de algumas pessoas apresentaram problema por estarem encerradas e que o pagamento para essas funcionárias ocorreria ao longo desta semana.

A empresa alegou ainda que até o dia 15 de janeiro o Estado não havia repassado para a empresa o pagamento referente a dezembro e ainda restava pagar 80% de novembro. “Alegavam que não havia pessoal para conferir as notas. Naquela semana, começaram mais 30 pessoas no setor de Compras da secretaria estadual de Educação (Seduc) e, com isso, as liquidações começaram a andar”, explicou a YC Serviços.
Conforme a contratada, ainda há valores que o Estado precisa pagar para a empresa. No entanto, existe a expectativa de que neste mês de fevereiro não haja tanto atraso nos pagamentos.

O que diz o Estado
Por sua vez, o Estado, por meio da secretaria estadual de Educação, alega que para liquidar os valores pendentes referentes ao mês passado a pasta aguarda a entrega e análise de documentações por parte das empresas, bem como o registro de efetividade dos funcionários. “Conforme o artigo 78 da Lei 8.666/93, a empresa deverá aguardar o prazo de pagamento que é de até 30 dias após a entrega dos documentos de cobrança”, ressaltou a Seduc.

Via assessoria de imprensa, a Seduc informou que o valor mensal de repasse referente aos contratos terceirizados de serventes de limpeza e merendeiras é de R$ 6 milhões.

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