Governador fala da crise, de privatizações e da segurança

Nem a pressão da crise da segurança e das negociações com a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados em torno dos projetos de ajuste fiscal do Estado é suficiente para tirar o humor característico do governador José Ivo Sartori (PMDB). Após voltar de Brasília – onde acompanhou mais uma sessão de discussões em torno do projeto que cria regime especial para estados em calamidade financeira – e participar do lançamento do Sistema de Segurança Integrada, Sartori recebeu a Associação dos Diários do Interior (ADI) no Palácio Piratini para uma rápida entrevista exclusiva. Ele estava otimista e bem humorado. Frisou que o Estado “como está não pode continuar” e defendeu os ajustes que estão sendo feitos. A seguir, os principais trechos da entrevista.

O senhor está otimista com o projeto da dívida dos estados que tramita na Câmara dos Deputados? Será aprovado?
Espero que seja votado logo. É importante que seja aprovado, estamos trabalhando para isso. Nos daria uma tranquilidade de 36 meses sem pagar a dívida com a União. Seria uma segunda etapa importante. A primeira foi no ano passado, quando ficamos seis meses sem pagar a dívida e ainda conseguimos renegociar os termos dos juros.

As garantias oferecidas pelo Estado, como CEEE, Sulgás e CRM, são suficientes?
A União nunca inclui isso. Nós é que propusemos para a Assembleia, antes do regime de recuperação fiscal discutido com a União, o fim do plebiscito para tratar da federalização ou privatização desses órgãos. Nós não temos dinheiro para investir, então como faz? Até o fim do ano, teríamos que investir R$ 800 milhões na CEEE e não temos. A saída então é buscar parceiros. Veja o caso da Cesa. Pedimos e a Assembleia retirou a necessidade de plebiscito para fazermos essas parcerias. As condições de armazenamento da safra estão melhorando por conta disso. É claro que o melhor seria o Estado ter dinheiro para investir, mas temos um sério problema. A despesa não cabe na receita atual.

Os projetos que estão na Assembleia serão votados mesmo se o governo não contar com garantia de aprovação?
Essa questão pertence ao Legislativo. Nunca interferi na Assembleia, quem me conhece sabe. O que eu tenho é direito de achar e defender que o plano de modernização do Estado é pra valer. Vou tomar atitudes, independente de ter eleição no ano que vem.

Falando em eleição, quando que o senhor vai parar para pensar nisso?
Nunca pensei e nem vou por enquanto. Estou pensando no Rio Grande, nas providências que precisam ser tomadas. Se fosse pensar em reeleição neste momento, eu não tomaria as atitudes que precisam ser tomadas. Tem gente que olha sempre para a próxima eleição para aí sim decidir como agir. Tenho que cumprir papel de governador. A recuperação exige remédios amargos. Mas brinco: se não posso dizer que sim, também não preciso dizer que não (concorreria à reeleição).

E o Banrisul, ainda pode vir a ser incluído nessa discussão da dívida, das negociações e das parcerias?
Estou cansado de repetir que não. Talvez um dia vão me entender. Tem gente que trata do banco como sendo algo de um grupo de pessoas. O Banrisul é grande, pertence ao Estado. É uma marca do Rio Grande. Nunca cogitamos qualquer possibilidade de privatizar. Nenhuma! O Banrisul vai participar do conselho que reúne os maiores bancos do Brasil, é o sexto maior. Fui o primeiro governador a não colocar nenhum dirigente do banco por indicação política. Estou sendo coerente comigo mesmo.

A população está sentindo na segurança um dos impactos da crise financeira. Como o senhor está trabalhando para tentar minimizar isso?
Sempre disse que no momento em que tivéssemos condições, iríamos melhorar a segurança. Isso tem que ser permanente e o Estado não pode agir sozinho. Por isso lançamos o Sistema de Segurança Integrada. Temos que estar ao lado das prefeituras e dos organismos federais. Nós estamos fazendo o que é possível, tanto que a segurança foi a única área a aumentar o orçamento para este ano. Em breve teremos mais 1,2 mil novos policiais e bombeiros. Também chamamos os policiais aposentados com idade para trabalhar para ajudar no videomonitoramento, nas atividades administrativas e nas escolas. O secretário Schirmer está de parabéns pelo envolvimento, pelo diálogo e pela construção que vem fazendo.

Deixe seu comentário