A auxiliar de lavanderia Marina Durayski Kunzler faz parte de um pequeno percentual de pessoas com deficiência presentes no mercado de trabalho no Brasil

Inclusão de pessoas com deficiência é um dos pilares da instituição para ter um ambiente mais plural

Trajes dobrados e passados impecavelmente. Entre uma peça e outra, sorrisos que se misturam às pilhas de roupas organizadas carinhosamente em um dos departamentos do Hospital Unimed Vale do Vale do Caí (HUVC). Assim é o trabalho da auxiliar de lavanderia Marina Durayski Kunzler, que faz parte do 1% dos brasileiros com deficiência presente no mercado de trabalho. O dado, além de revelar um cenário excludente das Pessoas com Deficiências (PDCs), expõe a urgência do debate sobre a diversidade dentro dos ambientes corporativos no País.

“O trabalho é essencial para o sustento de qualquer pessoa, e aqui os meus colegas de setor me receberam de braços abertos, além de me darem muito apoio. No grupo, às vezes usamos gestos e eles repetem para mim e, assim, conseguimos nos comunicar”, conta Marina, que possui deficiência auditiva.
De acordo com o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 45,6 milhões de pessoas (24% dos brasileiros) declararam ter pelo menos um tipo de deficiência – visual, auditiva, física ou mental/intelectual. Porém, no mercado de trabalho, esse percentual cai drasticamente, representando apenas 0,9% do total de carteiras assinadas. Na contramão dessa realidade, presente na maioria das empresas, a gerente de gestão de pessoas do HUVC, Cristiane Sastre, explica que a instituição de saúde enfoca o processo de inclusão além do exigido por lei.

“Algumas empresas acabam trabalhando vagas especificas para as pessoas com deficiência, mas na UVC não existe esse critério. Nós temos estes profissionais trabalhando em diferentes áreas e cargos da empresa, e todas as vagas são abertas para os PCDs. Desse modo, trabalhamos de fato a questão da inclusão de forma íntegra”, destaca Cristiane. “É importante reforçar também que não é só garantir o ingresso, mas principalmente a permanência dessas pessoas dentro das empresas através de oportunidades internas, bom clima organizacional e adequação da estrutura. ”

Para a auxiliar de lavanderia, iniciativas como essas fazem toda a diferença. “É bom trabalhar em uma empresa reconhecida, sinto confiança no que faço”, dispara Marina. “Nosso trabalho é em equipe para o bem-estar tanto dos pacientes quanto dos colaboradores”, declara a funcionária, acrescentando que a instituição acolhe e atende cada um dentro de suas necessidades de forma integral e humanizada.

Para Cristiane Sastre, além de promover o ingresso, é imprescindível garantir a permanência dos PCDs no ambiente organizacional através de ações inclusivas

Inclusão para fortalecer a diversidade
No município, o Conselho dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Montenegro (COMDPED) promove diversas atividades no intuito de chamar a atenção da comunidade para o assunto. “Esse é um espaço bastante importante, pois é nele que acabamos absorvendo algumas demandas e levando outras”, explica Cristiane Sastre, que representa a cadeira da Associação Comercial e Industrial de Montenegro (ACI) junto ao Conselho.

Para Cristiane, a atuação do COMDPED é fundamental para sensibilizar e provocar o debate entre as entidades da região.“Em 2017 trabalhamos como tema principal do seminário as possibilidades e desafios para inclusão das pessoas com deficiência no mercado do trabalho, já em 2018 discutimos sobre acessibilidade e inclusão aqui no município”, disse. O Conselho se reúne mensalmente na segunda quinta-feira de cada mês às 08h na sala 06 da Estação da Cultura e as reuniões são abertas à participação da comunidade.

Saiba mais
Site oficial: https://www.unimedvaledocai.com.br/
Facebook: https://www.facebook.com/unimedcai/

Para a telefonista Aline Regina de Vargas Fetzner, o preconceito é o maior desafio

Vencendo preconceitos
Na busca por um lugar no mercado de trabalho, a telefonista da UVC, Aline Regina de Vargas Fetzner, revela os desafios de vencer os tantos obstáculos que surgem no caminho para pessoas como ela, com deficiência física. Seu primeiro emprego foi através do estágio fornecido pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), mas ela só passou a sofrer com preconceito quando buscou outras oportunidades.

“Ao fazer entrevistas, a maioria das empresas sempre selecionam a ‘menor deficiência’. Isso nos gera uma frustração muito grande, pois sabemos que somos capazes de desempenhar praticamente qualquer função. Depois deste estágio, fui selecionada para trabalhar na UVC”, conta Aline, orgulhosa dos dez anos que atua na instituição. “Aqui conquistei meu espaço, respeito e confiança.”

Atenção! Cuidado com a divulgação de vagas falsas
Com os perigos da internet, muitas empresas estão enfrentando com um problema cada vez mais comum: a divulgação de vagas falsas e sem procedência no meio digital. A assessoria da HUVC destaca que todas as oportunidades de emprego são divulgadas somente no site e página oficial do Facebook da empresa, sempre destacando o nome da Unimed Vale do Caí na publicação. Ainda, conforme a demanda, são realizadas algumas publicações em jornais da região.

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