Duas semanas sem ser visto por aqui. E sua falta tornou-se a principal reclamação dos gaúchos. O sol faz muita diferença no dia a dia, mesmo que apenas em longos períodos sem ele é que percebamos. A primeira coisa que todos notam é uma mudança no humor das pessoas. É visível que o sol deixa todos mais bem humoradas e abertos ao contato social. E isso já está comprovado pela ciência. Locais de inverno mais rigoroso têm mais casos de depressão, por exemplo. O sol, porém, é responsável por bem mais e faz toda diferença na saúde humana.

Em geral, e, sobretudo no verão, há grande disseminação de notícias orientando ao uso de protetores solares e a se evitar permanecer sob os raios solares quando da sua maior intensidade, por volta do meio-dia. Ele até parece um vilão. Longe disso. Pegar sol é necessário para a saúde, claro, respeitando sua intensidade para evitar queimaduras e manchas na pele. Ele é tão importante à saúde porque dele depende a sintetização da Vitamina D, cuja falta colabora para o surgimento de diversas doenças. “Por isso muitos médicos classificam a vitamina D na categoria de hormônios. Devido a dificuldade em atingirmos níveis sanguíneos suficiente através da alimentação, a exposição solar se torna fundamental nesse processo, é nosso principal meio para então atingirmos níveis razoáveis dessa nobre vitamina”, explica a nutricionista Geórgia Bachi.

Entre os primeiros sintomas da deficiência de vitamina D no corpo estão os níveis reduzidos e sintetizados de cálcio e fósforo, acompanhados por fraqueza muscular e riscos elevados de se contrair infecção. São benefícios que não se limitam à nutrição. Colocar roupas guardadas de uma estação à outra para pegar sol é um hábito de quem mora em lugares mais úmidos. É que a luz solar tem a capacidade de matar as bactérias. Sabe-se que os hospitais que recebem luz direta do sol em seus quartos têm muito menos bactérias do que aqueles com quartos escuros. Espaços em geral que não recebem luz solar tornam-se úmidos e, assim, um terreno fértil para as bactérias e outros micro-organismos.

E no corpo humano, qual o impacto? A exposição rotineira ao sol aumenta o fluxo sanguíneo e a absorção de melatonina, que oferece muitos benefícios ao nosso corpo, como a redução do processo de envelhecimento e a melhora na qualidade do sono. Pessoas que sofrem de dores nas articulações devido a artrite podem obter alívio com a luz do sol, que aquece o corpo e solta as articulações rígidas e doloridas. Ele ainda ajuda no rendimento da prática de esportes, porque aumenta a quantidade de oxigênio que irá para os músculos.

A luz solar regula o relógio biológico interno e os resultados na secreção do hormônio melatonina, que é importante na construção de um padrão de sono bem equilibrado. Quem tem, por exemplo, uma criança que acorda várias vezes durante a noite, pode fazer uso do sol em seu favor. É importante levá-la para passear ao ar fresco e sob luz do sol, pois isso ajudará a regular o seu padrão de sono.

Geórgia Bachi, nutricionista

Como caprichar na vitamina D se o sol não aparece?
Geórgia Bachi explica que existem dois tipos de vitamina D. A primeira, chamada de D3, é de origem animal, sendo encontrada principalmente em óleos de salmão selvagem, atum e sardinha, gema de ovo, fígado e leite. Já a vitamina D2 é de origem vegetal. A versão de origem animal é a melhor aproveitada pelo organismo.

Além da alimentação há como ampliar a presença de vitamina D no organismo por suplementação. “Para pessoas que não conseguem ficar cerca de 20 minutos por dia sob os raios do sol sem protetor solar, é recomendável obtê-la na forma de suplemento, junto ao seu profissional de saúde”, orienta a nutricionista.

Doenças ligadas à falta de vitamina D
Aumento na pressão arterial – A vitamina D é um aliado à saúde do coração e estimula a circulação sanguínea;

Osteoporose – para a absorção de cálcio pelos ossos, é essencial vitamina D. Sua falta pode deixar os ossos frágeis, aumentando a probabilidade de apresentar osteoporose;

Depressão – pessoas com deficiência de vitamina D são mais suscetíveis à depressão e a sintomas de esquizofrenia. Em lugares de clima frio, a população apresenta a chamada depressão sazonal de inverno;

Fraqueza muscular e dores – A deficiência crônica de vitamina D pode gerar fraqueza muscular e, por isso, chega a gerar diagnóstico falso de fibromialgia;

Doenças renais – A vitamina D é ativada pelos rins e fígado antes de ser utilizada pelo organismo. Por isso, doenças renais ou hepáticas podem prejudicar muito sua ativação.

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