Diante do intenso fluxo no Hospital Montenegro, algumas cirurgias eletivas tiveram de ser canceladas para atender bem os casos mais graves

Problemas respiratórios estão entre as maiores queixas dos pacientes. Falta de ações preventivas agrava o cenário

Com a queda drástica da temperatura nas últimas semanas, os hospitais de Montenegro tem registrado um aumento considerável na procura por atendimento médico. Entre as queixas mais recorrentes dos pacientes, estão sintomas relacionados a doenças respiratórias.

De acordo com o médico e diretor técnico do Hospital Montenegro, Maurício Fonseca, essa maior movimentação já é esperada, uma vez que o clima favorece o surgimento de algumas patologias específicas do período. “Esse aumento é visível durante o inverno, principalmente em situações que envolvem casos mais graves de problemas respiratórios. Esses são os que mais nos preocupam”, destaca o diretor. De janeiro a 27 de julho, a quantidade de internações aumentou em 65%, o que tem preocupado a direção.

Conforme a temperatura despenca, alguns setores do Hospital superam o número de atendimentos, como a área da pediatria. “Metade das internações pediátricas que aconteceram esse ano no hospital foram nos meses de junho e julho, um pico que também influencia na superlotação das emergências”, salienta Fonseca. “Esses pacientes ficam mais tempo no hospital, necessitam de mais recursos para seu tratamento e diagnóstico, uma atenção maior de profissionais ao seu redor, mais exames, medicações entre outras demandas”.

A gerente assistencial do Hospital Unimed Vale do Caí, Tagiane Martins, comenta que as principais queixas dos pacientes que chegam na emergência são dores de garganta, dor de cabeça, dor no corpo, falta de ar, febre e perda do apetite. Segundo ela, os atendimentos no hospital Unimed passaram de 3.118 no mês de junho de 2017 para 3.584 deste ano, um crescimento de 14,95%.

Para lidar com o aumento na procura pelos serviços, o diretor técnico do HM conta que alguns ajustes são necessários. “Nós temos um plano de contingência interna para tentar atender a demanda desses pacientes mais graves”, ressalta Fonseca. “Hoje já estamos trabalhando dentro do nosso limite e, em julho, tivemos momentos em que pacientes em estado mais grave tiveram que aguardar leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na emergência”.

De acordo com a supervisora de enfermagem do HM, Scheile Marcelle Ruppental, diante do intenso fluxo de atendimentos e do esgotamento da capacidade estrutural da instituição, outras medidas também tiveram que ser adotadas. Com isso, as cirurgias eletivas marcadas na última semana foram canceladas.

“Todos os procedimentos agendados na quarta, quinta e sexta-feira da semana anterior, em que os pacientes teriam que ficar internados para fazer a recuperação foram cancelados”, acrescenta Scheile. “Fizemos isso para garantir que aqueles em estado mais grave pudessem ter um atendimento mais adequado e da maneira que eles precisam.”

Incidência de AVC também preocupa
Além dos problemas respiratórios ocasionados pelo frio, os casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) também chamam a atenção pela incidência neste período do ano. Para Scheile Marcelle Ruppental, as baixas temperaturas influenciam no surgimento dos sintomas e ainda dificultam no acompanhamento dos pacientes que fazem parte do grupo de risco.

“É nesse momento que esses pacientes acabam faltando às consultas, não seguem o tratamento como deveriam e, em decorrência do frio, acabam favorecendo o surgimento da patologia”, explica Scheile. “Entre 1º e 27 de julho deste ano, foram 25 candidatos elencados ao protocolo e aos cuidados do AVC, o que acaba demandando uma atenção ainda maior para esse tipo de atendimento.”

Baixa adesão às campanhas de vacinação
Como o clima favorece o surgimento de diversas doenças relacionadas às baixas temperaturas, o médico Maurício Fonseca salienta a importância da vacinação para minimizar grande parte dos problemas presentes nos leitos dos hospitais. “Atualmente, existe um movimento muito forte contra as vacinas e isso é altamente prejudicial para a sociedade de modo geral. Aos poucos, estamos percebendo a reativação de algumas doenças, como os 11 casos de Sarampo registrados no Rio Grande do Sul”, alerta o profissional. “Existem vacinas do calendário infantil que diminuem consideravelmente o impacto de doenças respiratórias entre as crianças, e a mesma coisa para os adultos.”

A falta de vacinação aumenta os casos de internações na ala pediátrica hospitalar

No Hospital Unimed Vale do Caí, a preocupação não é diferente, como conta Tagiane Martins. “Acompanhamos os indicadores do Ministério da Saúde, onde identifica-se a baixa adesão às campanhas de vacinação desde o ano passado, principalmente entre gestantes e crianças menores de 5 anos”, lamenta a gerente assistencial da intuição de saúde. “A cobertura vacinal está prejudicada e, com isso, o número de casos de gripe com complicações mais graves aumenta, elevando a quantidade de óbitos”, completa Tagiane.

Política de prevenção é urgente, diz médico
Para o médico Maurício Fonseca, grande parte dos problemas que hoje lotam os hospitais de Montenegro poderiam ser evitados se houvesse em todo o Brasil uma política de prevenção mais efetiva. “Hoje o governo federal gasta muito mais do que arrecada com cigarros e percebemos isso a partir dos problemas de saúde causados pelo tabagismo”, ilustra o médico.

Mauricio Fonseca e Scheile Marcelle Ruppental alertam sobre o limite da capacidade estrutural do Hospital

Para reduzir a incidência de doenças durante esse período do ano, Fonseca diz que praticar atividade física regular, não fumar, controlar a pressão, peso, controlar doenças de base com os tratamentos indicados, entre outras, são medidas indispensáveis que devem ser adotadas pela população. “Essas são iniciativas que impactariam muito mais na qualidade de vida das pessoas, aliada a uma política de vacinação em massa tanto de crianças quanto de adultos”, conclui o médico.

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