O infectologista Antônio Rosa destaca cuidados no combate à Covid-19

Máscaras de proteção deve ser um item a mais, não o único contra a Covid-19

Nesse momento de pandemia, muitas dúvidas nos cercam todos os dias referentes ao fim da quarentena, vacinas, procedimentos seguros contra a Covid-19 e recomendações de saúde. Há algum tempo o uso de máscaras já é obrigatório na região, mas você sabia que ela não é a principal arma contra o coronavírus, ainda que seja de extrema necessidade? Antônio Rosa é médico infectologista do Hospital Montenegro 100% SUS (HM). Ele atua na área há mais de 20 anos e explica que desde os primórdios se sabe que a principal maneira de evitar contágio de doenças é o cuidado com as mãos. Ainda, o profissional esclarece algumas dúvidas quanto às medidas de contenção, cuidados e máscaras de proteção.

Rosa salienta que todas as medidas sanitárias que já conhecemos estão em uma tentativa de redução de velocidade da propagação do vírus, da evolução do contágio, mas afirma que a transmissão é inevitável. “Isolamento social e rastreamento de gente doente, por exemplo, são medidas que tentam evitar que dê um pico de casos de uma hora para a outra e sature o sistema de saúde, como já está acontecendo em algumas cidades do Brasil”, pontua.

O médico relembra que o coronavírus é novo para o ser humano, o que causa medo, preocupação e gera dúvidas que nem por ele podem ser sanadas. “Se vai piorar ou melhorar ninguém sabe porque ninguém conhece essa doença. Era um vírus que circulava em animais e que por algum motivo sofreu mutação e conseguiu pegar em humanos, então, para nós isso tudo é novidade. Ninguém tem ideia se vai existir uma vacina eficaz, se quem tem a doença fica imune, o que parece que sim porque cria anticorpos, mas não se sabe o tempo que isso dura. Não se sabe quanto tempo o vírus fica no corpo da pessoa, mesmo ela curada depois”, sinaliza.

De qualquer maneira, neste momento o Rio Grande do Sul ainda pode se considerar muito bem no panorama nacional, segundo o médico. “Isso porque não estamos tendo problemas de leitos de UTI e estamos com índice de mortalidade baixo perto de outros estados”, comenta.

Máscaras não são salvadoras
Rosa destaca que a principal transmissora de infecção que existe no mundo são as mãos e alerta a importância da higienização constante. “Se a gente lavasse as mãos adequadamente; da forma como é para ser, na frequência que é para ser, 80% de todas as infecções seriam prevenidas. Isso é um número antigo da Organização Mundial da Saúde que se sabe há muito tempo. Um dado impactante. Antigo, conhecido e ninguém divulga, não sei porquê”, pontua.

O médico é enfático ao afirmar que máscaras de proteção só são eficazes como uma medida a mais. Não se pode pensar que apenas seu uso te deixa imune ao coronavírus. “Agora a máscara parece que salvou a pátria. Essa ferramenta não vai resolver todo o problema, assim digo o mesmo sobre uma vacina, qualquer medida preventiva. Não é bem assim. Ela apenas agrega às outras medidas de contenção e controle de surto. Não se pode pensar que usando a máscara então não pega mais a doença.”

De qualquer maneira, ele explica que usar máscara nesse momento é norma e não se discute, mas o que ele vê na rua são as pessoas acreditando que a máscara é salvadora, sendo que isoladamente ela não faz nada. “Lave as mãos e evite aglomeração de pessoas. Não tem que sair de casa? Não sai. Sai só em situações essenciais. E aí sim, mais a máscara. Então o ato de lavar as mãos e utilizar o álcool tem muita importância”, aponta.

Álcool é eficaz mesmo se for líquido
É fato que existe álcool em gel de má qualidade. É essencial que se busque um produto de qualidade. “Álcool que fica grudento na mão, demora para secar e fica escorregando não é um bom produto. Mesmo assim, vai funcionar, mas por ser ruim tu utiliza menos”, comenta Rosa. Na prática, a maioria das pessoas prefere o álcool na forma de gel, por ser de mais fácil aplicação, já que o líquido pode escorrer e atingir menos partes da pele. Por isso, o líquido é mais utilizado para limpeza de superfícies. De qualquer maneira, o álcool em forma líquida tem o mesmo efeito higienizador para quem se incomoda com o gel. Ainda, não esqueça de higienizar os locais e objetos em que você tocar antes de ter utilizado o álcool em suas mãos e também depois.

Máscara deve ser utilizada corretamente
Na rua o pessoal está usando máscara errado. Ela precisa ser usada obstruindo a passagem do nariz, relembra o médico. “Uma máscara boa e bem usada restringe a respiração. As pessoas que já têm naturalmente falta de ar vão se sentir pior. Então a gente orienta que se vai ter dificuldade de usar a máscara, então não sai de casa”, conta. Para colocar a máscara, pegar pelas laterais sempre. Nunca pegar máscara nova para utilização sem antes higienizar devidamente as mãos com água, sabão e, ainda, álcool, seja em gel ou não.

Ainda, há várias especulações referentes ao uso dos protetores faciais de acrílico. Antônio acaba de vez com a dúvida e afirma que não podem ser usadas isoladamente. “Somente são eficazes se usados em conjunto com as máscaras de tecido ou demais tipos, pois o acrílico só irá proteger contra respingos e gotículas e não quanto ao fluxo de ar contaminado. Sendo assim, a utilização deve ser conjunta e é indicada em procedimentos como intubação e atendimento direto ao público, como é o caso das recepções de hospitais”.

Deixe seu comentário