fotos: freepik

Após um mês de muita conscientização pela saúde feminina no Outubro Rosa, o Novembro Azul chegou. Agora o foco é conscientizar eles. Em 2011, a campanha foi criada pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, de São Paulo, com o objetivo de alertar sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata. A mais recente estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), indica que o câncer de próstata é o segundo câncer mais comum em homens (atrás apenas do câncer de pele), correspondendo a 13,5% de todos os cânceres no mundo. No Brasil, a doença corresponde a 29,2% dos tumores malignos em homens, sendo o câncer mais frequente nessa população se não considerarmos os tumores de pele não melanoma.

Ainda no país, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), órgão do Ministério da Saúde, estimam-se 65.840 casos novos de câncer de próstata para cada ano do triênio (2020-2022). Este valor corresponde a um risco estimado de 62,95 casos novos a cada 100 mil homens. Embora seja uma doença comum, por medo ou desconhecimento, muitos homens preferem não falar sobre o assunto, o que é um grande risco.

As células são as menores partes do corpo humano. Durante toda a vida, elas se multiplicam, substituindo as mais antigas por novas. Mas, em alguns casos, pode acontecer um crescimento descontrolado, formando tumores que podem ser benignos ou câncer. Conforme o INCA, o câncer de próstata, na maioria dos casos, cresce de forma lenta e não chega a dar sinais durante a vida e nem a ameaçar a saúde do homem. Em outros casos, pode crescer rapidamente, se espalhar para outros órgãos e causar a morte.

Fatores de risco e prevenção
Ainda segundo a Instituição, o risco aumenta com o avançar da idade. No Brasil, a cada dez homens diagnosticados com este câncer, nove tem mais de 55 anos. Histórico de homens cujo pai ou irmão tiveram a doença antes dos 60 anos também é um fator de risco. Ainda, estudos recentes revelam que há maior risco de câncer de próstata em homens com peso corporal elevado. Já está comprovado que uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, e com menos gordura, principalmente as de origem animal, ajuda a diminuir o risco de câncer. Neste sentido, outros hábitos saudáveis também são recomendados pelo INCA, como fazer, no mínimo, 30 minutos diários de atividade física, manter o peso corporal adequado, evitar o consumo de bebidas alcoólicas e não fumar.

Sintomas
Dificuldade de urinar e/ou demora para começar e terminar de urinar;
Sangue na urina;
Diminuição no jato da urina;
Necessidade de urinar mais vezes durante o dia e a noite.

Percebeu algum desses sintomas ultimamente? É sempre importante ir ao médico urologista para averiguar. Pode ser:

Hiperplasia benigna da próstata: aumento benigno da próstata, que acaba comprimindo a uretra e dificultando a passagem da urina. É a principal razão da maior quantidade de idas ao banheiro depois dos 50 anos. Mas, atenção: apesar de ser uma doença benigna, a urina estagnada pode provocar infecções e cálculos renais;

Prostatite: inflamação da próstata, normalmente causada por bactérias e pode ser tratada com medicamentos;

Câncer de próstata: desenvolvimento de células malignas na glândula da próstata. Na maioria dos casos, não apresenta sintomas nos primeiros anos, mas a evolução para a metástase pode acontecer.

Rastreamento: o que fazer?
Um dos exames para investigar o câncer de próstata é o de toque retal, onde o médico avalia tamanho, forma e textura da próstata, introduzindo o dedo no reto, claro, protegido com os equipamentos necessários. Ainda existe o exame do antígeno prostático específico (PSA), que é um exame de sangue que mede a quantidade de proteína produzida pela próstata. Níveis altos podem indicar câncer, mas também doenças benignas da próstata. Para confirmar o diagnóstico, é preciso fazer uma biópsia, onde são retirados pedaços muito pequenos da próstata para análise em laboratório. É indicado caso seja encontrada alguma alteração no exame de toque retal ou PSA.

Porém, o INCA não recomenda o rastreamento do câncer de próstata, ou seja, exames de rotina em homens assintomáticos antes dos 50 anos. Entre os benefícios destes exames estão a simplicidade em realizá-los; o fato de os exames ajudarem no diagnóstico do câncer, que pode não apresentar sintomas iniciais e se o paciente tiver diagnóstico positivo cedo, o tratamento pode ser facilitado.

Porém, também são elencados malefícios como: o resultado do exame de PSA pode estar elevado mesmo quando não é câncer e pode estar normal em alguns casos de câncer; níveis elevados de PSA indicam a necessidade de biópsia para confirmação do câncer e, na maioria das vezes, não se confirma; a biópsia pode ter complicações, como sangramento e infecção, além de causar dor, ansiedade e estresse no homem e em sua família e, ainda, o diagnóstico e o tratamento de um câncer que não ameaça a vida pode causar ansiedade e resultar em incontinência urinária e impotência sexual.

Tratamento
Segundo o INCA, o tratamento contra o câncer de próstata é feito por meio de uma ou de várias modalidades, que podem ser combinadas ou não. A principal delas é a cirurgia, que pode ser aplicada junto com radioterapia e tratamento hormonal, conforme cada caso. Quando localizado apenas na próstata, o câncer de próstata pode ser tratado com cirurgia oncológica, radioterapia e até mesmo observação vigilante, em alguns casos especiais. No caso de metástase, ou seja, se o câncer da próstata tiver se espalhado para outros órgãos, a radioterapia é utilizada junto com tratamento hormonal, além de tratamentos paliativos.

A escolha do melhor tratamento é feita individualmente, por médico especializado, caso a caso, após definir quais os riscos, benefícios e melhores resultados para cada paciente, conforme estágio da doença e condições clínicas do paciente. Todas as modalidades de tratamento são oferecidas, de forma integral e gratuita, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

Deixe seu comentário