Encontro comemorativo dos 13 anos do grupo Amigas do Peito em março de 2020. Foto: arquivo pessoal

Destacar assuntos acerca do câncer de mama é fundamental, não apenas durante o Outubro Rosa, mês da campanha de conscientização que tem como objetivo principal alertar as mulheres e a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. Esta doença, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), é causada pela multiplicação desordenada de células anormais da mama, que formam um tumor com potencial de invadir outros órgãos. Há vários tipos de câncer de mama, alguns com desenvolvimento rápido, outros, lento.

O importante é que a maioria dos casos, quando tratados adequadamente e em tempo oportuno, apresenta bom prognóstico, por isso, a grande importância dos exames de rotina e auto-exames. Segundo centros de pesquisa e organizações voltadas para o estudo e mensuração de casos de câncer de mama, no mundo este é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres em 83% de 185 países que compuseram estudos realizados em 2018 pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC). Ainda, são cerca de 52 mil novos casos por ano no Brasil, segundo o INCA.

Sobre sintomas e diagnóstico
Segundo o INCA, o diagnóstico de câncer de mama é feito através de uma série de testes que ajudam a determinar se existe alguma formação anormal na estrutura da mama que indique a presença de um tumor benigno ou maligno. Quando há câncer de mama, alguns sintomas podem sinalizar o médico, e até mesmo o paciente; como alterações na sensação da mama ou do mamilo; presença de nódulos; espessamento; sensibilidade não relacionada à menstruação ou até mesmo caroços na axila e mudanças na aparência do seio ou mamilo. As mudanças que podem acontecer são no tamanho ou forma da mama e da pele, mudanças em torno do mamilo ou aréola (vermelhidão, inchaço ou ondulações que se parece com a casca de uma laranja) e fluído que saia do mamilo e que não esteja relacionado à amamentação.

Em uma base regular, a mulher é recomendada para visitar o médico com frequência, se há ou não sintomas de qualquer irregularidade. Após a primeira menstruação e até os 40 anos, recomenda-se que a mulher pratique o auto-exame das mamas uma vez por mês e cinco após a menstruação. Também é recomendável que visite o médico a cada dois anos, em média, para que ele realize um Exame Clínico da Mama. Depois dos 40 anos, o médico recomendará outros tipos de testes que ajudarão a determinar a presença de câncer ou descartá-lo. Ocasionalmente, esses testes podem ser solicitados antes dos 40 anos, dependendo dos fatores de risco do paciente.

Prevenção primária e secundária
O Dr. Túlio Cícero Franco Farret, mastologista do Hospital Unimed Vale do Caí, em Montenegro, explica que a prevenção primária e secundária são de extrema importância para diagnóstico precoce. A primária se trata da diminuição da chance de a doença vir a ocorrer. Já a secundária, é diagnosticar a doença de maneira precoce e então realizar o tratamento com maior chance de cura. Para evitar que a doença ocorra, Farret destaca bons hábitos como prática de atividade física regularmente, uma boa alimentação e consumo moderado de álcool.

Dr. Túlio Cícero Franco Farret, mastologista do Hospital Unimed Vale do Caí, em Montenegro. foto: arquivo PESSOAL

“Claro que existem fatores que a gente não pode modificar como a idade, que quanto mais avançada maior é o risco de a paciente apresentar o diagnóstico e o fator da menstruação, que quanto antes, maior o risco, por exemplo, mas bons hábitos são modificáveis”, cita. Mesmo assim se o câncer ocorrer, entra a prevenção secundária, momento em que a mamografia é essencial, já que é utilizado em pacientes assintomáticas como um rastreio.

Maria Paulina Hummes Polking, psicóloga, psicanalista e coordenadora do grupo Amigas do Peito Unimed Vale do Caí explica que o grupo busca desmistificar o câncer de mama como um diagnóstico de morte. Isto é muito importante quando se fala deste câncer, que tem tratamento e cura. “A detecção precoce auxilia e muito no sucesso dos tratamentos. Quanto mais cedo for diagnosticado maiores as chances de cura”, destaca. Por isso, é fundamental que sejam realizadas consultas médicas de rotina e também exames de imagem solicitados, sendo a mamografia o passo principal.

Fortalecimento emocional
A psicóloga Maria Paulina Hummes Polking explica que a acolhida e o fortalecimento emocional durante todo o processo desde a descoberta do câncer é fundamental. “Sentimentos de tristeza, revolta e desamparo fragilizam a paciente. Por isso, dar um novo sentido e direcionamento como um fortalecimento e confiança é uma das metas do trabalho do grupo Amigas do Peito. Família e amigos também têm um papel importante neste processo de ajuste emocional”, pontua.

Maria Paulina Hummes Polking, psicóloga, psicanalista e coordenadora do grupo Amigas do Peito Unimed Vale do Caí. Foto: arquivo pessoal

Além disso, os grupos de apoio, que vêm mostrando eficácia, contribuem como elemento terapêutico durante o tratamento da mulher. “Poder conviver com outras mulheres que viveram e superaram, cada uma a seu modo, a experiência do câncer atua como um fortificante emocional e traz consigo a confiança de que existe muita vida após o diagnóstico”, ressalta. Ela ainda relata que a oportunidade de falar sobre suas dúvidas e inquietações em um espaço de acolhimento e compreensão é elemento fundamental. “Fica uma ideia de “quem já viveu poderá me compreender melhor””. É com este intuito que o grupo, desenvolvido junto à Atenção Integral à Saúde da Unimed Vale do Caí, trabalha há 14 anos. Em 2014, o programa foi reconhecido pela Agência Nacional de Saúde.

Tratamento
Não existe fórmula padrão de tratamento contra o câncer. Cada paciente é único. Os exames ou tratamentos utilizados para um paciente não são exatamente os mesmos para outro, pois dependem de vários fatores como o tipo de tumor (e seu tamanho e extensão de disseminação), a idade e peso da paciente, se está ou não em menopausa, o fator de hereditariedade da doença, entre outros. Por isso o plano de tratamento é personalizado. O tratamento depende da fase em que a doença se encontra (estadiamento) e do tipo do tumor. Pode incluir cirurgia, quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia, terapia biológica, ensaio clínico e cuidados paliativos.

Estes procedimentos, sozinhos ou combinados, dependendo do estágio da doença, visam retirar o tumor, reduzir seu crescimento, reduzir o risco de disseminação (metástase), encolher o tumor para melhorar a operabilidade, aliviar os sintomas e/ou gerenciar os efeitos colaterais. Quando diagnosticado no início, o tratamento tem maior potencial curativo. No caso de já haver metástases, o tratamento busca prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida. Antes do início do tratamento, é importante discutir os objetivos e os possíveis efeitos colaterais com o médico.

Como fazer o Auto-exame
Apesar de não ser o método mais eficaz como prevenção, o auto-exame pode lhe ajudar a descobrir se há alguma anormalidade nas mamas. Siga o passo a passo e lembre-se: diante de qualquer fator diferente como desconforto, dor, ou nódulos, procure um profissional para avaliação, realização da mamografia e demais exames. O auto-exame pode ser realizado de pé, deitada ou no banho. Na hora de apalpar os seios, use os dedos levemente como na imagem.

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