A chamada “tuberculose droga resistente” é a mais perigosa. Foto: reprodução internet

O Rio Grande do Sul tem aproximadamente 39,06 mil presos, o que representa 0,34% da população estadual. Já entre os casos de tuberculose, os registrados nos presídios alcançam 8% dos casos no Estado. Estima-se que o RS tenha 40 casos/100mil habitantes enquanto, no Presídio Central, em Porto Alegre, são 6mil/100mil habitantes. Isso torna a tuberculose a doença – dentre as transmissíveis – que mais gera preocupação entre a população carcerária. O RS tem 7,2 mil novos casos totais ao ano, incluindo os que o paciente pegou pela primeira vez e os que são de retorno ao tratamento. São 5 mil casos novos ao ano.

A médica pneumologista Carla Jarczewski, coordenadora do Programa Estadual de Controle da Tuberculose, explica que essa prevalência entre a população privada de liberdade se explica pela tuberculose ser uma doença de transmissão aérea. “O confinamento em local úmido e de pouca ventilação, com acúmulo de gente colabora para transmissão”, diz Carla.

O principal problema é que o tratamento, em muitos casos, não recebe a devida atenção dos presos. Eles recebem atendimento médico e medicação, mas, em grande parte dos casos, abandonam o tratamento no meio. O resultado é o retorno da doença de forma mais forte e a transmissão contínua do vírus. Algumas pessoas podem pensar que se eles têm opção de se tratar e não tratam, deixa de ser uma preocupação da sociedade. Porém, é preciso lembrar que os presos têm contato com outras pessoas, sejam funcionários da Susepe ou quem visita os presos, incluindo as crianças. Qualquer uma dessas pessoas pode se contaminar e trazer o vírus para sua casa e família.

“Tuberculose mata ao longo do tempo, enquanto isso a pessoa vai transmitindo. A sociedade pensa que quem está preso não merece tratamento. Mas esquece que eles vão sair de lá um dia e que recebem visitas”, destaca Carla. A chance de alguém, que vai a uma casa de custódia, ficar doente varia do tempo em que ela ficará lá e das condições do local. A médica destaca que a melhor prevenção que pode ocorrer é o tratamento de quem já está com tuberculose.

Em 95% dos casos, a tuberculose é tratada de forma ambulatorial, com a ingestão de dois a quatro comprimidos, dependendo do peso, por seis meses. Porém, a chamada “tuberculose droga resistente”, causada pelo tratamento irregular, é mais perigosa. Seu tratamento dura 18 meses, sendo oito deles com droga injetável. “Tomam falhados os comprimidos, não todos os dias. Isso fortalece os germes”, finaliza Carla Jarczewski.

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