Raleio é tradicionalmente feito pelos citricultores com o objetivo de tirar o excesso de frutas das árvores e permitir o desenvolvimento das demais. FOTO: ARQUIVO/IBIÁ

Nova safra, velhos problemas. Valor da tonelada foi fixado em torno dos R$ 172, o que não anima os citricultores

O período de raleio da bergamota já começou. Este é um processo que faz parte da produção de qualquer citricultor, e consiste na retirada do excesso de frutas dos pés como forma de garantir o desenvolvimento das demais.

A chamada bergamotinha verde – fruto proveniente dessa retirada – costuma ser vendida para empresas da região, que extraem seu óleo e o vendem para indústrias de perfumaria e cosméticos. Há anos, no entanto, o valor pago aos produtores nessa operação não vem agradando. Em 2019 deve ser a mesma coisa.

Uma das principais negociantes da bergamotinha em Montenegro é a BioCitrus. A empresa já fixou os valores a serem praticados nas aquisições junto aos citricultores para este ano. Quem levar as frutas diretamente na empresa receberá R$ 190,00 pela tonelada. Com o custo do transporte, o preço a ser pago pelas bergamotas buscadas nos pomares deve ficar em torno dos R$ 155,00, dependendo da região e da distância a ser percorrida. Na média, portando, o valor da tonelada fica em R$ 172,50.

Estimando que uma caixa pese 35 quilos – a bergamotinha é pequena e, por isso, cabe maior quantidade nos recipientes – o valor pago por cada caixa é de R$ 5,40 levando na empresa; e R$ 4,40 dependendo do transporte. Já foi pior.

Em 2018, os preços chegaram a R$ 5,26 e R$ 4,00, respectivamente, mas, mesmo com a pequena recuperação, eles estão longe de serem ideais. Para muitos citricultores, vender a fruta do raleio já nem vale mais a pena.

“A maioria, que eu sei, está colocando no chão”, revela a citricultora e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Montenegro, Maria Regina da Silveira. Ela explica que, para quem não tem funcionários trabalhando no pomar, acaba sendo mais em conta, simplesmente, tirar o excesso de frutas dos pés e deixar tudo pelo chão. “Assim, o raleio é mais rápido e a pessoa não tem o serviço de estar carregando caixas e levando pro caminhão”, aponta.

Quem contrata mão de obra para o raleio acaba não tendo opção, a não ser vender a fruta verde para, ao menos, pagar parte do salário do funcionário contratado.

“Hoje, um funcionário cobra R$ 100,00, R$ 120,00. Para colher R$ 100,00 de bergamotinha, tem que tirar umas 20 caixas e o cara precisa ser bom em colher” adiciona Maria Regina. Nesse caso, não sobram alternativas aos citricultores.

Pouca do óleo impulsiona a desvalorização
Responsável pela compra de matéria-prima na BioCitrus, Michel Kussler explica que a demanda pelo óleo da bergamotinha verde, assim como nos últimos anos, segue baixa. Isso explica a pouca valorização da fruta. “São clientes bem específicos e o setor não está crescendo muito. Está bem estagnado”.

Mesmo que muitos segmentos da economia venham declarando confiança de melhoria nos negócios e sinalizando investimentos para este ano, Kussler avalia que este não é o caso dos compradores do óleo local. “Não tem muita perspectiva de crescimento para este ano”, lamenta. Ele ressalta que, ao contrário da bergamota, o óleo extraído da laranja, que começa a ser entregue no segundo semestre do ano, tem boas expectativas de venda.

Também compradora da bergamotinha verde, a Ecocitrus informou que, neste ano, vai apenas trabalhar com as frutas de seus associados. O valor será o mesmo praticado no ano passado, mas a empresa preferiu não divulgá-lo.

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