Representando o MST, Gabriela participou de uma roda de conversa sobre a produção de orgânicos no Espaço Comunitário Vale do Caí

No próximo dia 15 de março, o assentamento Santa Rita de Cássia sedia o evento de abertura da colheita de arroz orgânico de 2019. Localizado às margens da BR-386, em Nova Santa Rita, o assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) existe desde 2006 e produz, além do arroz, hortaliças e frutas orgânicas, sendo responsável, segundo a assentada Gabriela Souza, 40, pelo fornecimento de merenda escolar da rede municipal de Nova Santa Rita.

Hoje, o MST é o maior produtor de arroz orgânico da América latina e o maior produtor de hortaliças orgânicas do País. Um bate-papo sobre a produção de alimentos orgânicos foi realizado junto ao Espaço Comunitário Vale do Caí no fim de semana. “A agricultura só vai ser viável se houver um equilíbrio natural da biodinâmica, da ecologia e dos recursos que estão dispostos na natureza. O agronegócio é o contraponto disso, porque é um pacote de insumos e produtos sintéticos de multinacionais que deixam uma devastação de veneno”, afirma a produtora Gabriela. “A agroecologia é a única forma possível de a vida no planeta se renovar e é uma saída digna para a classe trabalhadora”.

Gabriela questiona “Qual é o grande objetivo de criminalizar um movimento social?”

Ela ingressou no MST em 2001 em busca de mais qualidade de vida. “A busca de um espaço de construção de outras possibilidades de vida, longe da violência urbana, ou pelo menos mais distante, e a possibilidade de uma alimentação saudável e outra relação com a natureza e o meio ambiente”.
Há quatro anos não ocorrem ocupações, por parte do MST, de terras no Rio Grande do Sul, e Gabriela defende a prática como uma manifestação de combate ao monopólio. “O processo de ocupação de terra aponta para a desigualdade na geração de renda desde a divisão das terras das Sesmarias”, explica.

“O MST é um movimento social legítimo e que existe há 35 anos. É o maior movimento social do mundo”, diz Gabriela. Recentemente voltaram ao debate diversos projetos de Lei que criminalizam movimentos sociais como o MST. Questionada sobre o assunto, Gabriela afirma que os movimentos sociais lutam pela preservação da memória, das escolas e dos espaços culturais e devolveu o questionamento. “A quem interessa combater o MST? Quais são os interesses que estão por trás? É o oligopólio dos venenos? Qual é o grande objetivo de criminalizar um movimento social?”.

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