Trecho que trata das Artes não era questionado no projeto, mas acabou virando o centro das discussões

APÓS POLÊMICA. Entra o “Berço da Montenegrina” e cai o “Capital da Citricultura”

Os vereadores aprovaram por unanimidade na quinta-feira, dia 2, o projeto de lei que altera o título oficial de Montenegro. A iniciativa partiu do gabinete de Paulo Azeredo, do PDT, que propôs a inclusão do termo “Berço da Bergamota Montenegrina”, um reconhecimento dado à cidade pela Assembleia Legislativa do Estado em 2019.

Por emenda proposta pela Comissão Geral de Pareceres (CGP), ainda, foi retirado do título o termo “Capital da Citricultura”. “Nós somos a capital do citros de mesa, que é a bergamota. Em termo de citricultura, levamos um banho de São Paulo em laranja”, justificou o vereador Ari Müller (PP) ao propor a mudança aprovada. O novo título ficou “Montenegro, Cidade das Artes, Capital do Tanino e Berço da Bergamota Montenegrina”. O prefeito Gustavo Zanatta tem dez dias úteis para sancionar ou vetar o projeto.

DAS ARTES

A tramitação da proposta de Azeredo aconteceu em meio a uma polêmica, levantada pela vereadora Camila Carolina de Oliveira (Republicanos), ainda na sessão ordinária do dia 19 de agosto. Não foi sobre a produção de frutas, em discussão nas propostas, mas sobre o trecho do título que trata das Artes. A parlamentar chegou a declarar na ocasião que era um consenso que Montenegro não deveria mais exibir o título de “Cidade das Artes”, oficializado em 2003. “Eu não tirei da minha cabeça. Vários artistas me procuraram e disseram que não têm oportunidade, que não conseguem fazer arte em Montenegro”, comentou Camila em entrevista à Rádio Ibiá Web. A vereadora teceu críticas especialmente à centralização de recursos do Município na Fundarte.

No Legislativo, vereadores como Gustavo Oliveira, Talis Ferreira, Ari Müller (todos do PP) e Paulo Azeredo foram à defesa da manutenção do título. Na última quinta-feira, dia 2, o presidente da casa, Juarez Vieira da Silva (PTB) leu uma carta aberta do Conselho Municipal de Cultura também em defesa das Artes de Montenegro. O documento, já disponibilizado nas redes sociais do grupo e também entregue ao Executivo, fala em repúdio “sobre a inusitada e descriteriosa proposta de tirar o título de Cidade das Artes”.

Ele cita que mapeamento feito no ano passado identificou 273 artistas e 43 espaços culturais das mais diversas manifestações artísticas no Município. Destaca o Polo da Uergs, o Museu de Artes, os músicos, dançarinos e grupos de teatro; e especialmente a Fundarte como uma das instituições mais respeitadas do País, agraciada com a Ordem do Mérito Cultural em 2012 e que, nos últimos cinco anos, realizou 833 eventos. “Montenegro pulsa arte, fomenta cultura e propicia desenvolvimento intelectual, saúde social e fortalecimento econômico, com geração de emprego e renda”, traz a carta.

A mudança no título – que já não envolveu a parte artística – seria votada duas semanas antes, na data em que se instaurou a polêmica. A votação, porém, foi atrasada por pedido de vistas requerido pela vereadora Ana Paula Machado (PTB), líder do governo na Câmara. A parlamentar argumentou que o assunto merecia mais tempo para ser discutido e avaliado junto aos montenegrinos. “Após ouvir a comunidade, esse projeto está apto a ser votado”, reconheceu ela antes de também votar sim à mudança aprovada. Na sessão, ela reforçou que agora cabe a Zanatta sancionar ou não a alteração.

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