Juarez, em sua última sessão como presidente. FOTO: ARQUIVO/JORNAL IBIÁ

Prestes a passar o bastão para Talis, vereador avalia sua gestão como chefe do Legislativo

Em seu segundo mandato como vereador, Juarez Vieira da Silva, do PTB, assumiu em 2021 o desafio de chefiar a Câmara de Vereadores. Alinhado a um Executivo comandado por seu amigo e colega de partido Gustavo Zanatta, o parlamentar destaca como sua atuação foi pautada pelo diálogo e o bom relacionamento interno e externo. E, de fato, em comparação com as legislaturas anteriores, a gestão do presidente pareceu bem mais tranquila que a dos últimos que ocuparam o cargo. “Eu estou muito feliz com o resultado”, reflete.

O petebista ainda aponta como um dos pontos altos do trabalho nesse ano algumas reorganizações físicas na Usina Maurício Cardoso; especialmente no saguão de entrada. Ela está com novo mobiliário, fotografias de pontos turísticos de Montenegro, a nova galeria dos ex-presidentes e – ainda à instalar – a galeria dos vereadores mirins. Juarez conduziu uma reorganização do espaço de exposições, que agora é regulamentado para receber o trabalho de artistas locais, em rodízio. Foi criado um palco para apresentações e pequenos espaços onde os vereadores podem receber convidados e a comunidade em geral.

Com a oficialização da cedência da usina, por parte da Prefeitura, o presidente também pôde, já no início do ano, dar sequência às tratativas pra reforma do prédio ao lado da sede do Legislativo; hoje bastante deteriorado. O processo começou com a busca pelos orçamentos, a avaliação de um arquiteta e, então, voltou ao Executivo para os ajustes finais e encaminhamento da licitação. Acabou demorando mais do que o previsto. “Infelizmente, acabamos finalizando o ano sem conseguir executar a obra, mas já foi publicado edital e dia 6 de janeiro será a abertura das propostas das empresas interessadas”, comenta.

Serão revitalizados os banheiros, com acessibilidade e um fraldário, para atender as pessoas que frequentam a orla do Rio Caí aos finais de semana. Chegou a haver discussão se o restante do prédio não seria melhor aproveitado em concessão a uma empresa privada, mas foi de Juarez a definição de que, pronto, ele será um espaço público para eventos, atividades culturais, reuniões de entidades e afins. “Eu vinha defendendo desde a legislatura passada de ele ser de uso de toda a comunidade”, destaca.

R$ 200 mil do orçamento da Câmara foram separados para a obra. A gestão de Juarez também destinou, no início do ano, R$ 200 mil para a compra de testes rápidos da Covid-19; e R$ 500 mil para o projeto do Governo Zanatta de revitalização das praças. O presidente adianta que, até o final do ano, deve repassar mais R$ 30 mil para a compra de um drone para a Brigada Militar. Foi dele, também, a iniciativa de terceirizar, com mais uma pessoa, o serviço de limpeza da Câmara; e de por em prática a ideia de ter uma pessoa contratada para a recepção do local. As contas do ano ainda estão sendo fechadas, mas o vereador adianta que haverá sobra no orçamento. “Nós conseguimos fazer bastante coisa e ainda fazer sobrar recursos”, sublinha.

Vereador fez balanço da gestão na Rádio Ibiá Web

Presidente, olhando pra trás, a sua gestão parece ter sido mais tranquila quando comparada com a de seus antecessores. É claro que muitos fatores influenciaram nisso. Qual foi o seu papel pra essa realidade?
Nós viemos de uma legislatura passada bastante turbulenta em que os presidentes não conseguiram uma harmonia por vários fatores que não vem ao caso nós falarmos. A minha preocupação, quando eu entrei como presidente, era justamente que eu pudesse ter uma Câmara harmonizada e com o máximo de aprovação dos projetos. Leva-se tanto tempo para fazer um projeto e ele não ser aprovado me deixava bastante incomodado.

Nós podemos elencar vários fatores pra que isso acontecesse. Tivemos 82 projetos indo do Executivo pra serem apreciados e todos foram aprovados. Foram mais 77 projetos colocados pelo Legislativo e também todos aprovados. Isso não quer dizer que foi fácil. Dentre esses projetos, vários tiveram muita discussão e, se não fosse a nossa forma de conduzir, eles iriam pra sessão sem o devido diálogo e, com certeza, vários não seriam aprovados. Nós sempre tivemos um princípio de promover o diálogo e, com a administração do Gustavo Zanatta, que também tem essa visão, nós conseguimos fazer isso acontecer.

Foram vários momentos muito acirrados dentro de uma reunião onde vereadores, por vezes, diziam que não iriam aprovar aquele projeto. Aí, a gente conversava e dava o tempo necessário para que se esclarecessem as dúvidas. Todos foram para ser votados com as dúvidas sanadas; por vezes, com emendas da CGP para adequar a uma visão que ficasse boa para todos.

Falando em projetos, tivemos alguns bem complexos, até polêmicos, como a ampliação da faixa de financiamento do Avançar Cidades e a proibição das carroças com tração animal. Essas discussões que o senhor cita, todas ocorreram em espaços fechados, apenas entre os poderes. Algumas dessas propostas não caberiam ser debatidas num lugar aberto, como a própria sessão ordinária, para serem discutidas junto às pessoas?
O objetivo sempre foi o de não levar para o povo a discussão, a briga. O que a gente via muito antes eram projetos que iam para ser votados sem o devido tempo de discussão e, na tribuna, se dava a briga, com cada um defendendo a sua tese. Isso, eu julgo necessário que se faça em uma sala fechada, onde cada um tem a sua visão e se chama quem se julga necessário. Nós tivemos um que envolvia o funcionário público, por exemplo, que não aprovamos sem chamar o sindicato, os representantes, para eles também defenderem a sua posição.

Havia um carroceiro, na última sessão onde foi aprovada a proibição das carroças com animais, que criticava que a categoria não havia sido ouvida. Foi um caso pontual, então?
É que nós não tínhamos nenhum representante legal dessa categoria pra chamar. Se tivesse uma representação organizada, nós chamaríamos, assim como fizemos em vários outros projetos que tinham pessoal representando como sindicatos e associações. Nessa questão, nós não sabíamos quem chamar; quem iria representar os demais. Mas demos todo o tempo para conversas, pra discussão; e chamamos quem tem uma representação consolidada, que são os defensores dos animais, e essas pessoas contribuíram e participaram.

Voltando a questão da gestão e do diálogo, isso se percebeu também na formação da mesa diretora; na sua chapa e nessa próxima que iniciará ano que vem chefiada pelo vereador Talis. Como foi isso?
Quando eu montei a chapa desse ano, eu tive a preocupação de usar um representante de cada partido para que não ficasse tudo direcionado a um ou dois, só. São dez vereadores e claro que nem todos poderão ser presidentes, mas procuramos essa proporcionalidade dos partidos. Deu muito certo! Tivemos um ano de realizações em função dessa harmonia.
Agora, quando eu estava pensando que ia chegar o momento de entregar a presidência para outro presidente, nós tivemos a mesma preocupação. Eu ajudei a construir a mesa diretora junto com os outros vereadores usando essa linha de pensamento de poder ser um representante de cada partido. A preocupação era de termos passado um ano com dialogo, com harmonia e, se houvesse duas ou três chapas, iria dar discussão, briga; e já iríamos iniciar o ano divididos. Assim, conseguimos montar a mesa para o ano que vem, onde foi harmônico. Eu consigo entregar para o ano que vem uma casa nessa mesma linha de harmonia e nós torcemos para que continue isso porque quem ganha é a comunidade.

O senhor quer deixar uma mensagem final?
Desejo um feliz Natal e próspero Ano Novo pra toda a comunidade. Estamos encerrando um ano com muitas realizações, muitos projetos, até polêmicos, mas aprovados, que irão beneficiar diretamente o contribuinte; as pessoas que mais precisam. Nós ficamos felizes que não trancamos nada de desenvolvimento dentro do Município e vamos encerrar o ano com chave de ouro.

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