FOTO:ACOM/CÂMARA DE VEREADORES

Continuando a rodada de entrevistas com os vereadores eleitos para o mandato 2021-2024, Juarez Vieira da Silva, do PTB, falou ao público da Rádio Ibiá Web sobre os desafios dos últimos quatro anos e o que ele espera do futuro. Reeleito com 591 votos no último dia 15, ele tem 50 anos de idade, é eletrotécnico e desempenha a função de Evangelista na Igreja Assembleia de Deus. Confira os principais pontos dessa conversa:

Jornal Ibiá: Vereador, na primeira sessão da Câmara após a sua eleição, o senhor comentou que, em 2016, era o único candidato dentre os membros de sua igreja e que, agora em 2020, havia outros dois candidatos. Sua base de eleitores acabou dividida na Assembleia de Deus?
Juarez Vieira da Silva: Isso é bastante importante comentar. Eu particularmente, tenho uma base eleitoral que acabou acontecendo dentro da igreja, mas a gente tem bastante eleitores que não são propriamente evangélicos. Desde os dois anos de idade, eu pertenço a essa denominação, que é a Assembleia de Deus, e na primeira eleição a gente concorreu sozinho dentro da igreja. Agora, foram mais duas pessoas que também entraram pra concorrer, aí a gente sabia que iam se dividir bastante os votos, mas encaramos isso de uma forma muito tranquila por entender que tem espaço para todos. Com isso, a igreja conseguiu, hoje, ter dois representantes na Câmara de Vereadores, que era só eu (ele se refere à vereadora eleita Camila de Oliveira). Então, mesmo dividindo uma parte desses eleitores, a gente conseguiu aumentar as cadeiras, agora com duas que representam nossa base, que é a Assembleia de Deus.

O senhor entende que Política e Religião se misturam? Precisa separar as coisas?
Juarez: Eu considero que a Política e a igreja têm que andar juntas. Claro que, se fosse um pastor da igreja lá que precise cuidar da igreja e ele cuidar também da Política, fica um pouco difícil; mas pessoas que não são pastores que cuidam de um rebanho, acho que precisam estar juntos também na Política para ajudar. A Política rege a nossa vida e não adianta fugir disso, mesmo que tenham pessoas que anulam o seu voto, votam em branco, o que eu acho errado. É muito importante (essa relação) e quanto mais pessoas de bem se interessarem pela Política, ela tende a melhorar cada vez mais e mudar essa visão que as pessoas têm de um político.

Tendo passado por esse 1º mandato na Câmara, dentro da Política, o senhor passou por alguma situação que tenha testado a sua ética? Como trabalhou isso?
Juarez: Muitas. Eu não vou dizer aqui, mas com certeza teve situações em que testaram meu caráter e eu fui sempre o mesmo, de dizer, ‘olha, minha conduta é essa e eu não entro dessa forma’. Na Política, com certeza aparecem situações em que, se tu não tiver caráter, tu vai entrar pelo caminho mais fácil. Não tenho dúvida disso e tenho certeza de que todos que estão na Política ou passaram ou vão passar por situações dessas.

O senhor se arrepende de algo desse primeiro mandato? Tem algo que fará diferente?
Juarez: A gente sempre está aprendendo e, com certeza, haverá algumas coisas que a gente não fará da mesma forma. Eu digo que o segundo mandato fica mais fácil, hoje, pra poder desenvolver os nossos projetos porque a gente já sabe muitos caminhos. A primeira vez em que eu fui a Brasília para buscar recursos, eu não conhecia Brasília, não sabia nada lá dos Ministérios. Hoje, a gente tem um caminho aberto lá e também aqui, com o governo do Estado, onde muitas coisas que a gente não conseguiu buscar no primeiro mandato, no segundo teremos facilidade para ter acesso.

Nesses quatro últimos anos, por seu partido, o senhor era parte da oposição ao governo. Agora, sendo do partido do prefeito eleito, a sua forma de trabalhar vai mudar?
Juarez: Na realidade, eu continuo na mesma linha de trabalho. Se existe o centro, posso dizer que eu sempre fui o centro. Pelo partido, eu era considerado oposição, porém, por muitas vezes, eu votei junto com a base do governo por achar que aquilo que estava sendo votado era importante pra comunidade. Então, eu nunca levei esse quesito de oposição ou situação. Às vezes, as pessoas, na hora da votação, enchiam a Câmara como forma de pressão; e eu nunca dei bola pra isso. Poderia estar a quantidade de gente que estivesse e eu já estava com meu posicionamento definido. Diante disso, com certeza, teve erros e acertos, mas sempre votei de acordo com a minha posição. Até mesmo dentro do partido, nós tínhamos dois vereadores e nem sempre a nossa votação foi igual. A posição, às vezes, do outro vereador (o vereador Cabelo) era uma e a minha era outra, de acordo com o que eu imagino que é correto. Então, isso eu trago junto, mesmo hoje sendo base de governo.

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