Durante a coletiva, Eduardo Leite também apresentou a marca do seu governo. Foto: Itamar Aguiar/Palácio Piratini

Ajuste fiscal. Governador reuniu a imprensa e falou dos planos para o futuro do Rio Grande do Sul

No centro de um círculo formado por mais de 20 jornalistas, o governador Eduardo Leite recebeu a imprensa ontem para um balanço dos 100 primeiros dias de gestão. Com poucas obras e conquistas para mostrar, ele iniciou ressaltando que o Estado não começou no dia 1º de janeiro e que, por isso, as medidas implementadas possuem um caráter evolutivo. Não ocorreram, segundo ele, rupturas ou simples continuidades, mas a introdução de práticas inovadoras e sob a inspiração de uma nova mentalidade, num conceito de evolução.

Nesse sentido, Leite declarou que a principal marca do início desse governo é capacidade de diálogo e de construção de consensos estratégicos, necessários e estruturantes para o crescimento do Estado e dos gaúchos. “Nesses 100 dias de governo, o que nós estabelecemos foram bases sólidas de um plano que enfrenta a questão fiscal do Estado, para que o RS volte a ser adimplente, que cumpra suas obrigações, não apenas com o funcionalismo, mas com fornecedores, mas também com um plano de desenvolvimento para que o Estado se torne atraente e interessante para as pessoas”, afirmou.

Relembrando as ações concretas já desenvolvidas nesses pouco mais de três meses, Leite falou sobre os programas RS Parcerias e RS Seguro e das medidas de contenção de custos e ampliação de receitas. Também citou ações de modernização do Estado, dos pagamentos à Saúde, do plano para a Educação, das conquistas na Assembleia Legislativa, além de suas viagens pelo interior do RS e para fora do Estado buscando trazer desenvolvimento.

Antes de abrir o evento para interação com perguntas dos entrevistadores, os jornalistas receberam uma versão da revista que compila as ações dos 100 primeiros dias de governo e indica os rumos que Leite pretende dar ao estado. O governador apresentou a marca da gestão, formada pela sigla do estado, RS, a palavra “gov” e a expressão “Novas façanhas”.

Com as reformas e privatizações que pretende realizar, Leite diz que, no segundo semestre, o RS poderá aderir ao Regime de Recuperação Fiscal junto ao Governo Federal. “Além de consolidar o não pagamento da dívida com a União, o Estado terá acesso a crédito, que irá nos ajudar a colocar em dia parte de um passivo com fornecedores e nos permitirá retomar, até o final do ano, o pagamento dos servidores em dia”, planeja.

Corsan terá o seu capital aberto
Leite também anunciou a abertura de capital da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), ainda em formatação. O governo trabalha inicialmente com a ideia de vender até o limite máximo: 49%. Porém ressaltou que, antes dessa operação, a companhia precisará modernizar a governança, estabelecer parcerias com o setor privado e reduzir perdas tarifárias e de distribuição, de forma a melhorar seu valor. O governador voltou a destacar que a privatização de outro setor, o energético (CEEE, Sulgás e CRM), auxiliará na adesão ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF), permitindo o acesso do Estado a novos financiamentos.

Questionado se não repete ações de administrações anteriores, que também recorreram à rolagem da dívida e financiamentos, o que não ataca os problemas estruturais que geram o déficit, Leite disse que as medidas são necessárias. E rebateu: “Não tem como eu dizer que vou resolver se não for com financiamentos. Vamos ter que alongar e reestruturar para poder administrar.”

O governador também voltou a prometer aos jornalistas a apresentação de um amplo plano de reestruturação nas carreiras do Estado e na previdência dos servidores, ainda no mês de abril.

Mudanças não foram sentidas até agora

Silvio Eduardo Schwert Caravaca, 58, padeiro – “Tudo continua a mesma coisa ainda, nada aconteceu por enquanto. Não votei em nenhum, nem no Eduardo e nem no Bolsonaro, mas espero que dê tudo certo.”

Jandair Ferreira da Silva, 47, empresário – “Na minha opinião, nada mudou, nem na área da saúde, nem na educação e muito menos na segurança, as coisas estão quase piores do que no ano passado. Assisti hoje o Eduardo Leite na TV e ele parece seguro do seu plano de governo, mas tá bem perdido. Tá tentando achar soluções, não tá conseguindo e aí tá culpando os que já saíram do governo por terem deixado muitas dívidas pra ele. Claro que nosso Estado tá endividado, ele não teria como resolver tudo em 100 dias.”

Eduardo Moraes Orth, 40, empresário – “Já não gostei de duas coisas que o Eduardo fez e disse que não faria: o parcelamento dos salários e a renovação da carga tributária. Nem precisamos de um governo tão inteligente que saiba de tudo porque ninguém nasce sabendo, mas tem que saber que deve abrir horizontes para outros estados, como Paraná e Santa Catarina. O Paraná vai baixando o imposto, atraindo a indústria e consumidores e gera competitividade. Isso que o RS precisa. Eduardo Leite é só mais um, é fraco.”

Neci Homem de Almeida, 78, professora – “Tô sofrendo com os atrasos de pagamento, já que sou professora e ele havia dito que não faria o parcelamento. Não notei muita mudança, mas quem acompanha política sabe que ele não iria conseguir cumprir tudo que prometeu. Não acho bom ter privatizações e acho que deveria existir mais fiscalizações para não ter desvio de dinheiro. Como ele é jovem, merece um voto de confiança, devemos esperar um ano para poder ver o que realmente vai acontecer.”

Deixe seu comentário