DIA PARA FALAR sobre o abuso e a exploração sexual infantil

Neste exato momento uma criança ou adolescente pode estar sendo vítima de violência sexual. É preciso saber identificar os sinais expressos através do comportamento da vítima para poder ajudá-la. Uma criança que cresce sem acompanhamento profissional pode, no futuro, tornar-se um adulto cheio de problemas. É preciso falar sobre o assunto, e é esse o objetivo da data de hoje: 18 de Maio – Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil.

Vamos apresentar, com nomes fictícios para preservar a vítima, um caso ocorrido em Montenegro. Há mais de dois meses, João vive o drama do desaparecimento de sua filha, Ana, de 16 anos. No dia 3 de março, a jovem saiu de casa, apenas com a roupa do corpo, e desde então sumiu. O caso é investigado pela Polícia Civil e o pai da moça também pediu ajuda ao Ministério Público. Contudo, até agora, não existem pistas de onde está Ana.

Seu João atribui o desaparecimento da filha a um caso de estupro, ocorrido na infância da garota. “Ela foi abusada quando era mais nova e a partir dali começou a apresentar esses distúrbios. Não queria mais ficar em casa, se juntou com um rapaz”, conta o pai.

A família tentou, mas Ana não quis buscar apoio com profissionais que poderiam lhe ajudar a, pelo menos, amenizar o que sentia. O caminho escolhido por ela, para tentar fugir dos próprios sentimentos, foi o das drogas. “Tentei levar ela no psicólogo, levei no Caps (Centros de Atenção Psicossocial) e no Creas (Centro de Referência da Assistência Social), tentei ajudar, mas, ela não queria mais saber de ficar em casa”, desabafa seu João. “A gente não sabe onde ela está, se está viva ou não. Estamos sem respostas”, acrescenta o pai.

O drama vivido pela família da Ana é semelhante ao enfrentado por inúmeras pessoas que tiveram a dolorosa experiência da violência sexual dentro de suas casas. E, engana-se quem pensa que o problema está distante. Neste mês de maio, por exemplo, o Centro de Referência Especializada de Assistência Social de Montenegro atendeu a 23 crianças e adolescentes que sofreram violência sexual.

Perfil da vítima e do agressor

Especialista em Terapias Cognitiva Comportamental, Avaliação Psicológica e Neuropsicologia, a psicóloga Lucia Jacila Fontoura, atua na área da psicologia há 11 anos. Ela desenvolve trabalho psicossocial com o objetivo de fortalecer crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, atendidas pelo Creas de Montenegro.

Conforme a psicóloga, na Cidade, grande parte das vítimas são do sexo feminino, meninas e pré-adolescentes, com idades que variam dos 9 aos 12 anos. Quase sempre, o crime é cometido por alguém do convívio familiar, entre eles, pai, avô, padrasto e vizinhos de “confiança”.

Muitas mudanças de comportamento podem acontecer quando uma criança sofre violência sexual, alerta Lucia. “Quando chegam para a primeira conversa estão fragilizadas, com receio de ficarem sozinhas na sala, fogem de contato físico”, comenta a psicóloga.

Consequências na vida adulta
A vítima de violência sexual precisa de ajuda, mesmo que ainda não entenda isso. A Rede de Proteção, formada por entidades como Conselho Tutelar, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e os centros de referências, entre outros, existem para dar suporte e tratamento a quem precisa.

A psicóloga Lucia Jacila Fontoura aponta uma série de consequências comportamentais que podem surgir, em longo prazo, na vida daquele que não recebe a devida atenção e cuidado merecidos. Dificuldade para expressar sentimentos, consumo de drogas e álcool, transtorno de identidade, depressão e tentativa de suicídio aparecem na lista composta através do trauma de infância. A falta de vontade de cuidar da própria aparência também pode ser reflexo do passado. “… não quer trocar de roupa e, muitas vezes, passa a se vestir de forma mais masculinizada, se a vítima for do sexo feminino. A vítima passa a se sentir sem valor, deixa de gostar de si própria”.

Como identificar sinais
A violência sexual pode ser percebida através do comportamento da vítima. Mesmo que ela não verbalize o que sofreu, suas ações podem demonstrar que foram abusadas.

Entre as pistas podem surgir situações como: não querer ficar perto de algum familiar; ficar assustada quando essa pessoa chega perto; ter medos que não tinha antes – do escuro e de ficar sozinha, por exemplo – ; fugir de qualquer contato físico; não querer ficar perto dos amigos; choro sem motivo aparente; voltar a fazer coisas de quando era bebê, como xixi na cama ou nas calças; de calma passar a ser agressiva; não se concentrar; começar a ter pesadelos; falar sobre sexualidade e, até mesmo, fazer desenhos em que aparecem genitais. Além disso, podem aparecer com ferimentos, dores ou inchaços nas partes íntimas.

Live debate abuso contra menores
Em Montenegro, a data será lembrada através de um painel promovido pelo Conselho Tutelar e pela Câmara de Vereadores. A programação inicia às 18h30 e será on-line, através das redes sociais do Legislativo. Com o tema “Esquecer é permitir, lembrar é combater”, o painel pretende sensibilizar e convocar toda a sociedade para o compromisso de proteger as crianças e os adolescentes. O debate vai envolver representantes de instituições como Brigada Militar, Centro de Atendimento Psicossocial, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, centros de referência na área de Assistência Social, Conselho Tutelar, Central Única das Favelas, Polícia Civil, Poder Executivo, Hospital Montenegro, Juizado da Infância e da Juventude, Poder Legislativo, Ministério Público e Recreo.

Dia Nacional de Combate
A escolha da data é em memória do “Caso Araceli”, um crime que chocou o país. Araceli Crespo era uma menina de apenas 8 anos de idade, que foi violada e assassinada em Vitória, no Espírito Santo, no dia 18 de maio de 1973. O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes foi instituído oficialmente no país através da lei nº 9.970, de 17 de maio de 2000.

Onde denunciar
• Conselho Tutelar
3649 -8279
• Ministério Público 3649 -1677
• Disque 100 (por telefone ou pelo e-mail [email protected])
• Escola, com os professores, orientadores ou diretores;
• Delegacias 3632-1111 / 3649 – 0000
• Polícia Militar 3632-1177 / 190;
• Casos de pornografia na internet: denuncie em www.disque100.gov.br.
Comitê de Enfrentamento à Violência sexual infanto-juvenil 36491480

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