Delegado Lúcio lembra que ciúmes não é uma demonstração de carinho, mas sim uma atitude possessiva

O calor estimula o consumo de bebidas alcoólicas e potencializa a agressividade nesse período do ano. Quem mais sofre com a combinação bebida e violência são as mulheres

Dados numéricos da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Montenegro mostram aumento nos registros durante o verão. Isso porque, segundo a equipe de trabalho da delegacia, a chegada do calor eleva o consumo de bebidas alcoólicas e, com isso, muitas pessoas acabam passando dos limites e cometendo ações violentas.

Somente na primeira semana de janeiro, a Deam registrou 27 ocorrências relacionadas a algum tipo de crime, fora os registros que são encaminhados ao local pelas outras 19 delegacias da região. Dois casos, em especial, chamaram a atenção pela crueldade das ações contra as vítimas. Os registros retratam um cenário que os servidores da delegacia já acostumaram a presenciar durante o primeiro mês do ano.

A primeira semana do mês de janeiro foi marcada por uma tentativa de feminícidio. A vítima foi agredida por golpes de facão, deferidos por um homem que vivia na mesma casa que ela. A mulher nega ter um relacionamento amoroso com o autor da violência, mas este disse à polícia que sua atitude foi movida por ciúmes da vítima. O delegado Lúcio Melo, responsável pela Deam durante o período de férias da delegada titular Cleusa Spinato, relata que esse sentimento tem sido usado como desculpa por muitas pessoas para encobrir seus comportamentos agressivos.

O que também chama atenção são os casos de violência envolvendo álcool e drogas. “No verão, as ocorrências de agressão contra mulheres aumentam. O calor leva ao consumo de bebida alcoólica que acaba resultando em mudanças no comportamento das pessoas”, detalha o delegado.

Três dias depois da tentativa de feminicídio, outra ocorrência chocou a população de Montenegro e região. Uma mulher de 40 anos foi trancada em casa, agredida e abusada sexualmente pelo ex-namorado. A vitima relatou que o homem 10 anos mais jovem que ela apresentava sinais de embriaguez e consumo drogas. Nos dois casos, ambas conseguiram sobreviver, mas as marcas desses crimes foram além das cicatrizes. O abalo emocional e psicológico é algo que nem sempre o tempo consegue apagar.

É preciso reconhecer um comportamento agressivo
O delegado Lúcio alerta que, em muitos casos, os sinais de ciúme e agressividade podem ser observados no comportamento do parceiro logo no início do relacionamento. Muitas vezes, o jovem que briga com a namorada pelo simples fato dela olhar para outro rapaz, mais tarde acaba desenvolvendo uma personalidade agressiva e perigosa. Para ele, é preciso impedir que esse tipo de comportamento se estabeleça logo no início da relação.

Lúcio diz que a polícia não tem poder para, sozinha, mudar o cenário de violência instalado na sociedade. Ele acredita que para acabar com isso é preciso tratar o problema através de uma mudança cultural que começa por meio da educação dos mais jovens. “É uma questão social que deveria ser mudada. Devemos educar as crianças e mostrar que ter ciúmes não é uma coisa natural. A gente não tem posse da outra pessoa”, comenta o delegado.

Lúcio também chama atenção ao foto de que algumas mulheres consideram atitudes ciumentas como sendo sinônimo de amor. Porém, acreditar nisso pode mascarar a real intenção do companheiro. Estar atento a sinais como esses, podem auxiliar a evitar que os índices de violência contra mulheres continuem aumentando.

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