Capa e máscara que teriam sido utilizadas no ritual foram encontradas em cofre que estava no templo e demorou cinco horas para ser aberto. fotos: Divulgação/Polícia Civil

Operação Revelação. Quatro já foram presos e três são procurados pelo assassinato de dois irmãos para ritual satânico

A Polícia Civil (PC) divulgou ontem, em entrevista coletiva, detalhes da investigação de um crime que horrorizou o Rio Grande do Sul. A investigação iniciou em setembro do ano passado, quando dois corpos esquartejados de crianças foram encontrados em Lomba Grande, interior de Novo Hamburgo. Após meses de investigação, a polícia concluiu que os corpos eram de dois irmãos – um menino e uma menina – que foram sacrificados num ritual satânico para atrair prosperidade.

De acordo com o delegado Moacir Fermino, que chefiou a Operação Revelação, são sete os envolvidos no caso. Quatro deles estão presos: Sílvio Fernandes Rodrigues, dito “bruxo”, Jair da Silva, que teria encomendado o ritual, Andrei Jorge da Silva, filho de Jair e participante do ritual, e Márcio Miranda Brustolin, que também participou do sacrifício. Além deles, estão foragidos Paulo Ademir Norbert da Silva, sócio de Jair em empreendimentos imobiliários e responsável por apresentar o bruxo para ele, Anderson da Silva, outro filho de Jair, e Jorge Adrian Alves, argentino que trabalhava para os sócios e que teria sido o responsável por trazer as crianças da Argentina.

Conforme Fermino, a polícia está representando contra eles por duplo homicídio e outros crimes. “Duplo, bárbaro, horrendo, terrível, aterrorizante homicídio”, enfatizou. O delegado revelou que as crianças ainda não foram identificadas, sendo que foi pedido auxílio para a Polícia Federal e Interpol nesse sentido, além de contato com autoridades argentinas. Os crânios dos irmãos ainda não foram encontrados.

A investigação apontou que as crianças seriam naturais de uma região de extrema pobreza e teriam sido trocadas por um caminhão que foi roubado no Brasil e levado até a Argentina. Essa troca pode ter acontecido com os pais das crianças ou até mesmo com traficantes. Uma testemunha relatou às autoridades policiais que o ritual de magia negra envolvendo sete pessoas e as duas crianças foi realizado num sítio localizado no interior de Gravataí.

Delegado Fermino (E) destacou que os sete investigados responderão por duplo homicídio e outros crimes. Polícia segue com investigações. fotos: Divulgação/Polícia Civil

“As duas crianças estariam de capuz. O menino, de capuz escuro, rodeado por velas e a menina caída, desfalecida ou morta, não sabemos”, relatou Fermino. Conforme o delegado, exames apontaram para um alto grau de álcool no sangue do menino e a menina teria sido esfaqueada. A testemunha relatou ainda ter ouvido o “bruxo” falar em uma língua estranha não identificada como inglês ou espanhol e que a polícia suspeita ser aramaico, língua usada pelo povo que louvava Moloch, mesmo deus para o qual o ritual foi realizado.

Segundo a PC, os dois sócios pagaram R$ 25 mil para que o sacrifício fosse realizado. O objetivo era atrair prosperidade nos negócios. “O ‘bruxo’ e os que estão presos dizem que não se conhecem, mas nós temos provas contundentes, tanto no papel quanto de testemunhas, que eles se conheciam”, destacou o delegado. As investigações do caso continuam.

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