Seu Olivino foi orientado a fazer a entrega dos cartões através da grade do muro
“Deus botou a Michele no nosso caminho”, diz dona Ieda sobre a ação da vizinha

FALSO “motoboy” se apresentou como representante de banco e queria cartões da vítima

Uma dupla de criminosos se passou por representantes de banco para tentar ter acesso aos cartões bancários da vítima. Por sorte, uma comerciante estranhou a ação e conseguiu frustrar os planos dos estelionatários, e impedir que seus vizinhos fossem lesados no chamado golpe do “motoboy”. Um jovem de 18 anos acabou preso.

Para quem acredita em proteção divina, essa é uma daquelas histórias das quais pode-se dizer que “Deus” agiu na hora certa. É isso que pensam seu Olivino José da Rosa, de 67 anos, e a esposa dele, dona Ieda Carvalho da Rosa. Por volta das 15h 30min dessa terça-feira, 6 , seu Olivino recebeu uma ligação informando que uma compra no valor de R$4 mil havia sido efetuada em uma loja, em Porto Alegre, com uso de um cartão clonado em nome dele.

Do outro lado da linha, uma mulher informava que os cartões bancários do idoso teriam de ser substituídos por novos. Para tanto, a agência encaminharia um rapaz até a casa do aposentado para pegar os cartões antigos. “Ela disse que eu não deveria ir no banco. Era para eu esperar que ele já ia chegar aqui”, relata o morador da rua José Luiz, no Centro.

Se Olivino achou a conversa estranha e chegou a questionar a telefonista. “Perguntei pra ela se não era um assalto, mas ela me disse pra eu ficar calmo, que não era nada disso”, lembra a vítima. A mulher sabia informações pessoais e sobre a residência do casal, como a cor do imóvel, por exemplo. “Ela disse que era para eu entregar os cartões pela grade, que não era para ir na calçada”, conta Olivino.

A suposta atendente disse que o “motoboy” chegaria em instantes ao local combinado, e assim ocorreu. Enquanto seu Olivino checava se o rapaz havia chego, dona Ieda pegava uma folha de papel para enrolar o material. Foi ela quem foi até a rua para entregar os cartões, desobedecendo as ordens dadas pela telefonista. “Se eu tivesse ido na grade entregar, como a mulher queria, ele ia pegar da minha mão e sair correndo”, crê o idoso.

Intervenção da vizinha impediu concretização do golpe
Quando saiu para a rua para entregar os cartões ao homem, dona Ieda viu que a comerciante Michele Flores, 28, estava parada na calçada e comentou sobre seu receio de ser assaltada.

“Eu disse pra ela que Deus estava conosco, e que achava que era um assalto”, lembra Ieda.
Quando ele se aproximou, sem crachá, de óculos e máscara, Michele ficou atenta a conversa. “Ele falou o nome dele e disse que era de São Paulo, quando disse isso eu pedi pra ver um documento. Ele me mostrou uma habilitação. Olhei a foto e não parecia com ele. Disse pra ele que ela não ia entregar nada e que ia ligar para a polícia”, conta a lojista. O suspeito tentou se defender dizendo ser “certinho” e que iria até o supermercado comprar um lanche e retornaria quando todos estivessem mais calmos.

Em alerta, Michele percebeu que o homem passou pela frente do supermercado e seguiu reto. Nisso, ela agiu. “Chamei uma amiga e pedi pra ela seguir ele, e eu liguei pra polícia. Foi bem rápido, deslocaram as viaturas que estavam mais próximas e eu fui atrás dele. Dei as características para a polícia e aí pegaram ele”, conta a moça.

Golpista confesso acaba liberado

O sujeito teria chego à cidade há poucos dias, e se hospedado em um hotel. Uma equipe da Força Tática da Brigada Militar foi até o local informado pelo preso e teve acesso ao quarto onde havia se hospedado. Nas buscas foram encontrados um celular e três máquinas de cartões. Todo o material foi apreendido.

Na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), o flagrado relatou ter praticado o mesmo crime em Triunfo. Segundo o delegado André Roese, titular da 1ª DP de Montenegro, as investigações seguem para elucidar os demais participantes do crime. O delegado arbitrou fiança no valor de R$20 mil, mas a justiça acabou determinando a soltura do jovem, que recentemente completou 18 anos e não possuía antecedentes.

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