Transferências via Pix e empréstimo pessoal foram feitos pela estelionatária sem que a vítima notasse

ARMADILHA. Lábia dos criminosos envolve a vítima para que não perceba o golpe

As economias de seu João da Silva (nome fictício pelo qual prefere ser chamada a vítima) foram subtraídas de sua conta bancária sem que ele imaginasse que estava “colaborando” para o êxito do plano de uma estelionatária. A vítima de 62 anos, moradora do bairro São Paulo em Montenegro, perdeu R$56 mil e agora busca ajuda para tentar reverter o prejuízo.

João foi envolvido pela conversa de uma mulher que entrou em contato via telefone. Ela se identificou como Priscila Melo – nome provavelmente falso – funcionária da agência bancária onde o aposentado possui conta. A mulher disse à vítima que a conta dele havia sido invadida por criminosos que teriam efetuado a retirada de R$2.500 e que poderiam fazer novas transações, caso João não seguisse as orientações dela.

O homem desconfiou da conversa, mas, a lábia da moça o convenceu a fazer um procedimento, que segundo ela seria necessário para impedir novas retiradas. Primeiro, a mulher instruiu a vítima a ligar para o 0800 da instituição bancária. “Liguei para o número que consta no cartão do banco.O banco quer dizer que o sistema é garantido, que a falha é na telefonia, mas este é um problema do banco com a empresa telefônica” indigna-se a vítima sem entender como o número que era para ser do banco estava em poder da estelionatária.

Na sequência, a ladra instruiu João a baixar um aplicativo – que seria um antivírus. Todo o procedimento durou cerca de uma hora. Ao término, Priscila informou que no dia seguinte o dinheiro retirado pelos bandidos seria devolvido e a conta de João estaria fora de perigo.

Enquanto manipulava a vítima, a mulher efetuou pagamentos de boletos e transferências de valores via Pix. A golpista ainda contratou um empréstimo pessoal no valor de R$3 mil.

João só teve certeza do golpe na manhã seguinte, quando um funcionário da agência entrou em contato com ele. O número de transações realizadas em curto período chamou a atenção, o que fez o colaborador do banco verificar o que estava acontecendo. Desesperado, o idoso procurou a Polícia para registrar ocorrência.

No banco, ele foi informado que havia sido identificada uma das contas para onde foi transferida a quantia de R$10mil e que esse valor seria recuperado. Contudo, até o momento isso não ocorreu. O valor perdido serviria para custear um procedi mento cardíaco pelo qual João precisa se submeter. “Esse dinheiro era de uma casa que eu vendi pra fazer uma cirurgia.” O fato relatado na reportagem ocorreu no dia 9 de junho.

Desde então, João vem tentando contato com a agência, através de e-mails, mas não tem retorno.”Quantos mais vão ter que cair no golpe para eles dar um jeito, visto que, tudo que vamos fazer no banco tem que ser agendado?

A assessoria de comunicação da entidade informou que o assunto deveria ser tratado diretamente na unidade financeira local. Já o gerente do banco não se manifestou e disse que a demanda deveria ser direcionada ao setor de comunicação. Assim, ficamos sem respostas.

Nome do favorecido deve constar no BO
O delegado titular da 1ª Delegacia de Polícia de Montenegro, André Roese, salienta a importância das vítimas relatarem, no texto do boletim de ocorrência (BO), os dados dos favorecidos na transferência via Pix, principalmente, o nome da agência bancária do estelionatário.

A Polícia Civil de Montenegro não contabiliza o número exato de vítimas do golpe do Pix. Isso porque muitos registros são feitos através da Delegacia Online, ou seja, sem que o denunciante tenha ido a uma delegacia física.

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