Cadeira usada como trampolim para pular a janela

Um dia depois da primeira fuga de um preso na DPPA Vale do Caí, recapturado quatro horas depois em um imóvel no Morro Bela Vista, em um esforço concentrado da Polícia Civil e Brigada Militar, alguns dos principais órgãos que tratam do assunto reforçam o coro da reclamação da Polícia Civil: a dificuldade de remoção de presos. Lucas Pinto Pasquetti, 19 anos, o protagonista do fato grave, estava foragido da Justiça, foi preso pela Brigada na noite de sexta-feira e, até domingo, aguardava remoção para o sistema prisional.

Promotora de Justiça em Montenegro, Graziela Lorenzoni lembra que as celas da Delegacia deveriam servir de contenção para presos em flagrante ou em cumprimento de mandado por poucas horas, o que não ocorre. “Está se exigindo mais que o previsto da Polícia porque o Estado não aceita os presos. Poderia ter sido muito pior”, ressalta a promotora.
Para evitar isso, ela anuncia que, juntamente com a PC, irá cobrar a Vara de Execuções Criminais de Novo Hamburgo, responsável pelas cadeias em Montenegro, para que seja agilizada a transferência de presos da DPPA. Graziela se mostra favorável até ao encaminhamento de capturados para casas que estejam interditadas pela Justiça.

Responsável pela VEC de Novo Hamburgo, o juiz Carlos Fernando Noschang disse ao Ibiá, por e-mail, que se trata de um fato “extremamente lamentável”. Para o magistrado, a fuga é resultado dos anos de abandono e despreocupação com o sistema carcerário. A consequência é cada vez mais apenados amontoados em presídios e delegacias abarrotadas de bandidos à espera de transferência.

“Os presos ficam mais tempo nas delegacias e, ante sua menor estrutura para contenção e seu reduzido número de servidores, notadamente no fim de semana, não é de surpreender que ocorram fugas”, observa o responsável pela fiscalização. Por e-mail, a Susepe afirma que o preso não estava sob sua custódia e possui uma estrutura que funciona 24 horas, buscando encaminhar os detidos para os presídios do Estado. A juíza Deise Lange Vicente, do Fórum local, foi procurada, mas não respondeu ao Ibiá.

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