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EM BOM PRINCÍPIO uma vítima foi estuprada e mantida em cárcere privado

Cinco cidades do Vale do Caí somaram 12 casos de violência doméstica em apenas cinco dias – no feriadão de Natal, entre os dias 23 e 27 -, uma média de 2,4 casos por dia. O número é menor que o registrado no mesmo período do ano passado, quando seis municípios da região contabilizaram 16 ocorrências dessa natureza, mas ainda assim é preocupante. Um dos casos mais graves ocorreu em Bom Princípio, onde uma mulher, de 37 anos, foi estuprada e mantida sob cárcere privado durante três dias.

Montenegro é a cidade da região com maior número de casos de violência doméstica registrados nos feriados de Natal de 2020 e também no de 2019. Este ano a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), efetuou cinco registros enquadrados na Lei Maria da Penha na cidade. No ano passado, sete vítimas procuraram a delegacia para denunciar algum tipo de violência sofrida no período de festas.

Bom Princípio aparece em segundo lugar na lista das cidades com mais ocorrências de crimes contra mulheres, no período citado acima. Foram dois casos neste ano e três em 2019. Uma das situações mais marcantes foi vivenciada por uma mulher no dia de Natal. Após três dias sendo mantida em cárcere privado e sofrendo abusos sexuais, a vítima conseguiu fugir e pedir socorro. O autor dos crimes era o próprio companheiro dela, de 28 anos.

A ocorrência teve início por volta das 10h30min, quando um bombeiro voluntário de Bom Princípio informou à Brigada Militar (BM) que estava conduzindo para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade uma mulher que estava pedindo socorro no centro do município. Em contato com os policiais do 27º Batalhão da Polícia Militar (BPM), a mulher contou que fugiu por uma janela do imóvel onde havia sido mantida presa.

A BM iniciou buscas pelo suspeito até localizá-lo em São Sebastião do Caí, na casa de sua mãe. Durante a abordagem, o acusado mostrou-se alterado e agressivo. O homem desobedeceu às ordens dos policiais e também resistiu à prisão. Familiares do acusado também tiveram que ser contidos. Inclusive, a mãe do preso tentou jogar uma panela com comida quente em cima dos policiais.

Contidas, as partes foram conduzidas para realizar laudo médico e, posteriormente, para a DPPA, onde foi lavrada a prisão em flagrante por cárcere privado e estupro. O preso tem antecedentes por tentativa de homicídio e por dirigir sem habilitação.

Reconheça um comportamento agressivo
Os números da violência contra mulheres seriam ainda mais elevados se todas as vítimas procurassem ajuda. Por medo, falta de ter onde se abrigar ou, até mesmo, por acreditar que o companheiro irá mudar de comportamento, o fato é que muitas vítimas não denunciam e continuam vivendo no chamado ciclo da violência.

Quanto mais tempo de “união” o casal tiver, mais difícil se torna para vítima denunciar o companheiro. Por isso, a Polícia Civil alerta para os sinais de que o relacionamento pode estar se tornando tóxico. Em muitos casos, cenas de ciúme e agressividade podem ser observados no comportamento do parceiro logo no início do relacionamento. Muitas vezes, o jovem que briga com a namorada pelo simples fato dela olhar para outro rapaz, mais tarde acaba desenvolvendo uma personalidade agressiva e perigosa.

A polícia não tem poder para, sozinha, mudar o cenário de violência instalado na sociedade. O problema deve ser tratado através de uma mudança cultural que começa por meio da educação dos mais jovens. Algumas mulheres consideram atitudes ciumentas como sendo sinônimo de amor. Acreditar nisso pode mascarar a real intenção do companheiro. Estar atento a sinais como esses, pode evitar que os índices de violência contra mulheres aumentem.

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