A mãe, Simone Gonçalves Gomes, guardou objetos que remetiam ao filho como lembrança

Jovem morreu por complicações causadas por um grave acidente, no bairro Zootecnia

O dia 31 de outubro, um domingo, era para ter sido só de felicidades para Rui Gabriel Kleinschmitt, de 20 anos. No mesmo dia o motoboy havia conhecido a sua primeira filha, que tinha nascido no dia anterior. Mas um acidente mudou o rumo da história. Trabalhando a noite, o jovem foi atingido por uma caminhonete Fiat Strada, no qual o condutor envolvido fugiu a pé, deixando o veículo no local, sem prestar socorro. Após uma semana do seu falecimento, por complicações causadas no acidente, a família clama por justiça.

O tempo todo acompanhando o filho no hospital, Simone Gonçalves Gomes, relata que a perda foi mais impactante por tudo que vivenciou ao lado dele. “É muito triste uma mãe ter que escolher um caixão pra um filho. O mais triste é tu levantar, as pessoas falar pra ti em justiça, e nada é feito”, diz.

Simone conta que após Rui ter sido atingido, e o condutor da caminhonete ter fugido, o filho ainda ficou cerca de 40 minutos esperando por socorro. Devido à gravidade, ele foi encaminhado ao HPS de Canoas, onde passou por cirurgia e chegou a necessitar de atendimento na UTI. “Antes de ir pra cirurgia ele queria vir pra casa, que ele não aguentava mais lá. Quando ele foi para a cirurgia a gente conversou, ele estava bem”, fala a mãe.

Rui estava junto com a esposa, Rafaela Martins, há três anos, e ele que escolheu o nome da filha: Agatha Gabrielly. “Ele falou pra nós que estava muito feliz com o nascimento dela, daí ele fez videochamada com todos nós, pediu que se acontecesse alguma coisa com ele era pra gente cuidar dela pra ele”, relembra a irmã, Jasmin Gomes de Oliveira.

Após contrair uma infecção, o quadro de Rui piorou. Simone explica que o jovem entrou na cirurgia bem, mas já saiu muito debilitado e desacordado. “Quando o hospital ligou, eu nunca me esqueço. Eu disse pro meu marido e pro meu filho: não precisa vocês correr, porque o teu irmão já faleceu. Eu tinha sentido que ele tinha falecido”, lamenta.

Agatha Gabrielly, filha de Rui

Se recuperando da perda, a família relata que quer justiça pelo filho. “A gente só quer justiça, a gente não quer fazer nada que seja além do que tem que ser feito. A nossa indignação é que a vida dele não vai voltar, mas ele pediu antes de morrer que ele não queria que fizesse nenhuma injustiça com o cara (suspeito), nenhum mal, de maldade, mas ele queria que fizesse justiça, que ele fosse preso, porque ele estava trabalhando. Ele não tava de arruaça”, declara a irmã.

Segundo a família, logo após o acidente, testemunhas já relataram quem teria atingido Rui, e que inclusive o suspeito estaria entrando em contato pelas redes sociais. “Ele mandou mensagem pra nós já, ele debocha de nós, a Rafaela colocou uma homenagem pro meu irmão e ele foi lá e curtiu. Mas para a justiça tudo é normal”, fala Jasmin. Mãe e irmã relatam que uma advogada já está com o caso, e que todas as providências estão sendo tomadas. “O que está dando forças para nós hoje é a minha neta”, completa Simone.

Defesa entrará com ação indenizatória contra o Estado
Segundo os advogados da família, já foram reunidas informações sobre o suspeito de ter causado o acidente e foi repassado para a polícia. A defesa relata que o acusado tem vasta ficha criminal, e está respondendo por crime de tentativa de homicídio na comarca de Triunfo, estando em liberdade provisória desde outubro de 2020. “Ou seja, na hora do fato estava descumprindo a medida, sendo o Estado responsável por indenizar a família. Já estamos acompanhando as investigações e vamos ingressar com ação indenizatória contra o Estado”, declara a nota da defesa. Em contato com o delegado títular da 1ª Delegacia de Polícia (1ªDP), André Roese, a reportagem foi informada que não é possível ceder informações, pela fase atual da investigação, mas o caso está em andamento.

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