Morto no início desta semana, Alvin foi mais um dos gatos envenenados no bairro Ferroviário, em Montenegro. Foto: arquivo pessoal de Marilene Guerreiro

PERÍODO CRÍTICO. Há anos, meses de agosto e setembro são marcados por mortandade de animais

O mês de agosto está apenas no começo e já registra várias mortes de animais por suspeita de envenenamento. Nos últimos anos, o segundo semestre têm sido de medo entre os cidadãos que possuem bichos de estimação, principalmente em bairros como o Ferroviário, onde ocorre grande parte das mortes. A Polícia Civil incentiva os moradores a registrarem boletim de ocorrência, para que assim seja possível mapear as zonas de maior incidência de casos, com o intuito de chegar aos suspeitos. Mas, a cidadã cobra “ninguém faz nada, nossos vizinhos já registraram várias vezes que mataram os cachorros deles”, diz a técnica de enfermagem Marilene Guerreiro de 31 anos, moradora da rua Olavo Bilac, no bairro Ferroviário. “Faz três meses que estamos morando aqui. Recém nos mudamos e já mataram nosso gatinho”, desabafa. Na segunda-feira, 5, a família dela perdeu um de seus “integrantes”: o gato Alvin.Ele era o xodó de todos na casa, inclusive de animais de outras espécies, como a cadelinha da família.

A paz deu espaço ao medo logo após o almoço de domingo. “Fui estender roupa no pátio e nosso gato estava deitado no chão gemendo. Chamei meu esposo, ele pegou no colo. Estava todo mole e logo começou a sangrar. Ficamos desesperados”, relata Marilene. Medidas para evitar o pior foram tomadas, mas já era tarde. “Demos carvão ativado vegetal, mas em questão de minutos ele foi piorando. Meu esposo ligou para o veterinário e ele disse pra comprar uma injeção de vitamina e aplicar nele, dar bastante soro e água. Fizemos tudo isso, passamos a noite sem dormir cuidando dele”, detalha.

Na manhã de segunda-feira Alvin desistiu de lutar pela vida, antes de ser levado para ser atendido pelo veterinário. “Muito triste. Ele urinava, evacuava e vomitava sangue. Minhas filhas e meu marido só choram”, comenta a cidadã. “É uma perda difícil de aceitar e entender. Como um ser humano pode fazer tamanha maldade?”, questiona a técnica de enfermagem.

Fotos: reprodução internet

Marilene relata que não encontrou nenhum tipo de substância no pátio, mas pelos sintomas, tudo indica que tenha sido jogado algum tipo de veneno. Ela e o marido optaram em não levar o caso à Polícia. “Meu esposo acha que não adianta, porque ninguém faz nada”, comenta.

Marina Trindade, também moradora do bairro Ferroviário, passou pela mesma experiência de Marilene. Na manhã dessa terça-feira, 6, o gato dela morreu com sintomas de ingestão de algum tipo de produto tóxico. “Cuidem de seus bichanos. Gente ruim a solta!”, alertou a jovem em seu perfil no Facebook. Dois vizinhos de Marina também perderam animais, possivelmente, envenenados.

Como agir para colaborar com o trabalho da Polícia
A Polícia Civil ressalta a dificuldade nas investigações, visto que as pessoas não fazem a ocorrência das mortes. E, em alguns casos, possuem suspeitos, mas acabam não informando isso à autoridade policial, muitas vezes por medo de sofrer algum tipo de represália, por parte do denunciado.
Mesmo com uma grande quantidade de casos expostos via redes sociais, poucos chegam à delegacia. Em 2019, até agora, o setor de Investigação da 1ª Delegacia de Polícia Civil não recebeu nenhum registro de ocorrência de envenenamento.

Quem teve um animal morto, e suspeita que a causa seja veneno, deve recolher qualquer tipo de alimento ou objeto estranho encontrado no pátio e levar junto até a delegacia. Em Montenegro, os registros podem ser feitos na DPPA, na rua Júlio Renner (a Via II), nº 3605.

A polícia não confirma a constatação deste “padrão” dos casos em agosto e setembro, mas reconhece a prática de sacrifício animal em ritos religiosos. Cercada de polêmicas, a lei respeita as crenças individuais e não considera estes atos religiosos como crimes. Os envenenamentos dos animais de estimação de terceiros e os maus-tratos, sim, são casos de polícia.

Para quem mora em locais onde já houve mortes, a orientação é para que mantenha os animais dentro do pátio, se possível, em local onde não consigam pegar algo que seja lançado para dentro do terreno. Principalmente nesta época, ter cuidado pode significar garantir a vida do pet.

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