Para se formar no Curso de Eletricista Predial e Residencial o apenado deve ter 70% de aproveitamento. Foto: Arquivo do curso realizado na Penitenciária Modulada

Mudança de vida. Através da qualificação, presos do Instituto Penal de Montenegro buscam reinserção na sociedade

Qualquer ser humano pode cometer um erro, ser julgado, condenado, pagar por ele, se arrepender e querer recomeçar. É isso que acredita grande parte dos apenados do Instituto Penal de Montenegro. Assim como eles, o engenheiro aposentado Florêncio Castilhos da Silva também crê que todos merecem uma oportunidade para recomeçar. Por isso, Florêncio resolveu fazer sua parte como cidadão e ministrar aulas de eletrônica predial e residencial para os apenados do semiaberto. A iniciativa tem como objetivo possibilitar a abertura das portas do mercado de trabalho aqueles que estão prestes a retornar ao convívio social.

O Curso de Eletricista Predial e Residencial teve 18 inscritos, de um total de 73 apenados. As aulas já estão em andamento. Duas salas foram montadas em um prédio nos fundos do Instituto Penal para que esta e outras atividades de capacitação sejam desenvolvidas. O convite para que Florêncio compartilhasse seus conhecimentos com os detentos partiu do diretor do Instituto Penal, Nairo Resta Ferreira. O engenheiro aposentado, que já havia desenvolvido ação semelhante na Penitenciária Modulada, gostou da ideia e firmou-se a parceria.

“Resolvemos fazer o curso porque as dificuldades começam pelo fato de eles serem apenados. A dificuldade de conseguir trabalho após o cumprimento da pena é muito grande, então se eles tiverem uma profissão facilita”, destaca Nairo. “A maioria das pessoas acredita que dentro de um presídio só tem bandidos, mas não é bem assim. Todo bandido é criminoso, mas nem todo criminoso é bandido. Há chance de recuperação dessas pessoas”, sublinha Florêncio.

As aulas ocorrem sempre no período da noite em salas de aula no próprio Instituto Penal. Foto: arquivo pessoal de Florêncio Castilhos

Para Castilhos, o curso dá duas possibilidades aos alunos: a de conseguir um emprego ou ainda a de trabalhar como autônomo, tendo como patrão ele próprio. “Eles vão voltar para a sociedade, e virar as costas não adianta”, comenta. O professor relata ainda que o comportamento dos alunos é avaliado e determinante para sua permanência no curso.“A gente sempre analisa o perfil do apenado. É importante saber qual a intenção deles em aprender elétrica, pode se usar para o mau ou para o bem. Se houver algo diferente eu aviso a direção”, conta.

Florêncio avalia de forma positiva o interesse da turma pelas aulas. O aluno que fizerem 50% do curso recebe certificado profissionalizante de Elétrica Básica. Já aquele que concluir receberá o certificado oficial de Eletricista Predial e Residencial, fornecido pela Escola Mega Byte, de Lajeado. Para se formar, é preciso ter 70% de aproveitamento. Ao todo, são 90 horas de aulas teóricas e 20 de práticas. “Eu acredito neles e faço minha parte como cidadão”, diz o instrutor.

Um voto de confiança para os alunos
“Eu espero que eles aproveitem o máximo, que consigam sair para rua e trabalhar, que não voltem ao mundo do crime. O trabalho é a melhor forma de fazer com que o apenado não volte ao mundo do crime”, enfatiza o diretor do Instituto Penal. Nairo pede para que empresários da região procurem o Instituto em busca de cartas de emprego. “A lei ampara o empresário de várias formas. Não precisa assinar carteira”, sublinha.

O voto de confiança do diretor é valorizado pelos apenados. “Tudo que se aprende na vida é válido. Pra nós que estamos querendo voltar para a sociedade, isso é muito bom. É sinal de que eles ainda confiam e acreditam em nós, isso é muito valioso”, avalia o apenado C.L. “Todo mundo tem direito a ter uma segunda chance. Por mais que às vezes a gente falhe, o que vale é a gente querer mudar”, conclui.

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