Anderson Jociel da Rosa – com a criança no colo – comanda a equipe de 48 voluntários

1º DE MAIO: dia histórico para os Bombeiros Voluntários do Caí

A corporação dos Bombeiros Voluntários de São Sebastião do Caí completa 25 anos de atividades nesta sexta-feira, dia 1º de maio. Em quase três décadas de serviços prestados à comunidade do Vale do Caí, já foram realizados mais de 29 mil atendimentos. A estrutura física e de aparelhos para atendimentos se destacam, assim como a dedicação de homens e mulheres em ajudar quem precisa e a construir a história da entidade.

O processo de formatação do Corpo de Bombeiros Voluntários de São Sebastião do Caí começou oficialmente com a criação da Sociedade Civil Corpo de Bombeiros Voluntários de São Sebastião do Caí, em 13 de fevereiro de 1995. A entidade foi registrada em 12 de junho do mesmo ano e, em 1º de maio de 1996, suas operações tiveram início com a inauguração do quartel, instalado no antigo galpão do Grupo Folclórico Tapirapé, no Parque Centenário, no bairro Vila Rica.

Atual sede do Corpo de Bombeiros Voluntários do Caí

Neste momento de celebração, para os membros da corporação e da comunidade do Caí, aos 25 anos de atividades, e a marca alcançada de mais de 29 mil atendimentos, vale lembrar o esforço realizado por muitas pessoas para que se chagasse a esta data.

A entidade foi criada para suprir uma lacuna na segurança pública do Caí. Até então, os atendimentos eram feitos pelos Bombeiros de Montenegro. Muitas tratativas e pedidos foram feitos ao Governo do Estado para criação de um Corpo de Bombeiros com servidores estaduais, porém sem êxito. Foi então que organizou-se uma comitiva para pesquisar exemplos nas corporações de voluntários, de Nova Prata e Nova Petrópolis. Assim nasceu a ideia do corpo de bombeiros Voluntários do Cai.

O desafio de estruturar a Corporação
O projeto iniciou com a doação de um caminhão da Alemanha, da cidade de Haselune, e uma ambulância Veraneio, cedida pela secretária municipal de Saúde. A Prefeitura repassou valores para aquisição de equipamentos, uniformes e sistema de comunicação.

Mais tarde foram recebidas doações de viaturas do Exército, um caminhão Ford F-600 com tração 4×4 e uma caminhonete Rural Willis, também off-road. As empresas Conservas Oderich e Calçados Azaléia auxiliaram na captação de voluntários, sendo alguns deles integrantes de suas próprias brigadas de incêndio. Além disso, vale lembrar, que o primeiro presidente da fundação dos bombeiros foi o técnico de segurança da Azaléia, Selson Alves. Já o primeiro comandante foi o técnico de segurança do trabalho da Oderich.

O ex-prefeito de São Sebastião do Caí Gerson Veit e o ex-secretário de Indústria e Comércio do Município Luiz Carlos Bohn, tiveram importante atuação no processo de implementação da corporação. Veit foi pessoalmente à Alemanha em 1994 para fazer contato com municípios em busca de doação de um caminhão e equipamentos.

Os bombeiro voluntários são capacitados para atender variadas ocorrências, como acidentes de trânsito e incêndios de grandes proporções, salvamento em altura, e mais

Os contatos continuaram à distância depois de sua volta, com a participação de Luiz Bohn, até conseguir o caminhão doado por Haselüne. Após a viagem, foram alguns meses de contato e apoio de novos parceiros na Europa para armazenar o veículo, depois de sua baixa da frota dos bombeiros voluntários de Haselüne.

Apesar da doação, a prefeitura investiu cerca de R$ 14 nos trâmites de importação e no frete de navio entre a Europa e o Porto de Rio Grande. O caminhão em sua chegada ao município foi esperado em frente à Prefeitura e, foi realizada uma carreata pela cidade, o que fez várias pessoas saírem às ruas, por achar que tratava-se de um incêndio.

10 anos à frente do comando dos Bombeiros Voluntários

O comandante dos Bombeiros Voluntários de São Sebastião do Caí, Anderson Jociel da Rosa, de 31 anos, tem uma história com a Corporação que começou ainda na infância. “Iniciei no projeto bombeiro mirim, lançado em 2001 para saber como era a atividade bombeiril. Acabei gostando e ficando”, comenta.

Os bombeiro voluntários são capacitados para atender variadas ocorrências, como acidentes de trânsito e incêndios de grandes proporções, salvamento em altura, e mais

A trajetória do garoto, que virou comandante da corporação, tem muitos capítulos. Em 2020, Anderson comemora duas décadas à frente da instituição. A palavra orgulho resume o sentimento dele, que no ano passado galgou mais um degrau na carreira ao tornar-se presidente dos Bombeiros Voluntários do Rio Grande do Sul. “Orgulho de liderar essa equipe magnífica, orgulho do que representamos para o Estado e para o Brasil, no que diz respeito a estrutura de bombeiros. Podemos afirmar com convicção de somos referencia no serviço de bombeiro”.

Sempre prontos para ajudar a comunidade
Faça chuva ou faça sol, seja em casos de incêndios, enchentes ou desastres, os bombeiros estão prontos para ajudar quem precisa, no Caí ou em outras cidades da região. São 48 servidores, 32 homens e 16 mulheres, que atendem de 550 até 600 chamados por ano. Os socorristas são capacitados para atender variadas ocorrências, como acidentes de trânsito e incêndios de grandes proporções, salvamento em altura, emergências químicas, entre outras. A instituição também tem equipe de mergulho e resgate aquático.

A corporação conta com uma moderna e bem equipada sede, e com uma frota composta por 18 veículos, entre eles um caminhão com plataforma elevatória, que chega até 32 metros de altura, ambulâncias, van, auto-tanque e outros.

As principais fontes de recursos da entidade são os convênios mantidos com a Prefeitura Municipal e com a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR). Outras fontes de receitas são os eventos de arrecadação organizados anualmente, e doações feitas por pessoas físicas e jurídicas.

Até 2010, como não havia Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) no município, o socorro era prestado pelos voluntários. “Nossos bombeiros são referência nesse trabalho. Fui policial civil durante 30 anos e, desde aquela época, os bombeiros eram parceiros de atividades. Quando ingressei na Prefeitura a parceria se fortaleceu ainda mais”, relata o prefeito do Caí, Clóvis Duarte. “Eles dedicam o tempo, que teriam para passar em família, a contribuir com o município. Eles são meus heróis”, acrescenta o gestor.

Desfile de 7 de Setembro de 2005, no bairro Conceição em São Sebastião do Caí. Foto: Castor Becker

Salvamentos e ações sociais são lembradas por cidadãos
A advogada Berenice Kiefer é uma das muitas pessoas já atendidas pelos Bombeiros Voluntários do Caí. Em dezembro de 2016, ela sofreu um acidente de moto, ao se deslocar pela ERS–122 em direção ao bairro Rio Branco. A motociclista foi arremessada do veículo e graças ao cuidado dos bombeiros não sofreu nenhuma fratura. “Eles realizaram todo o procedimento com o maior cuidado. A atuação deles foi maravilhosa”, afirma.

Clóvis Duarte lembra que um incêndio, ocorrido no bairro Navegantes, só não acabou em tragédia devido a rápida ação dos voluntários. “Graças a pronta ação dos bombeiros foi possível não perder vidas. São tantas coisas que eles já fizeram por nossa cidade. Lembro de um acidente na sinaleira da Vila Rica que graças a atuação dos bombeiros, o rapaz da moto que teve lesões graves conseguiu sobreviver”, comenta.

Além das mais variadas ações em salvamento, os bombeiros se dedicam ainda a promover atividades sociais, para aproximar corporação e comunidade. Visita e trabalhos sociais em asilos e na APAE, atividades realizadas no Natal, na Páscoa, no Dia das Crianças e palestras em escolas, são algumas das iniciativas.

“Eles nos ajudam em todas as situações, agora com o coronavírus nos ajudaram na campanha de arrecadação de alimentos, na distribuição e na divulgação de medidas preventivas. Os bombeiros voluntários são de uma importância fundamental para São Sebastião do Caí e para demais municípios, quando precisam de auxílio”, diz Clóvis ao saudar a Corporação pela passagem dos 25 anos de serviços prestados.

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