Em 15 anos na região, oficial comandou CRPO, 5º BPM e Esfes

Coronel Dutra também ressalta necessidade de investimento em inteligência, tecnologia e efetivo

Integração entre as forças de segurança, fomento do serviço de inteligência das instituições, além da valorização da tecnologia e da capacitação dos servidores. Estes são desafios a serem encarados pelo Governo do Estado, na opinião do chefe do Estado-Maior da Brigada Militar, Marcos Vinicius Sousa Dutra.

O oficial também lembra a importância de aumento do efetivo, visando qualificar o atendimento à população e prevenir o crime. “A Brigada, por si só, já vem fazendo. Principalmente na questão da prevenção, por meio do policiamento comunitário, Patrulha Maria da Penha e Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência), bem como se preparar e ter estrutura para as ações reativas, vinculadas à repressão mais qualificadas ao enfrentamento ao crime organizado”, comenta.

O Estado-Maior é o órgão responsável por grande parte do gerenciamento da Corporação. “Em linhas gerais, toda a parte para manter a Brigada funcionando, no que diz respeito aos direitos dos servidores bem como a condições para ela se manter passa pela Seção do Estado-Maior”, explica Dutra.

O oficial de 52 anos é natural de Bagé, mas tem estreito vínculo com o Vale do Caí. Comandou a Escola de Formação e Especialização de Soldados de Montenegro, o 5º Batalhão de Polícia Militar e o Comando Regional de Policiamento Ostensivo (CRPO) Vale do Caí. Ao todo, foram 15 anos aqui, sendo quase seis à frente do 5º BPM, algo incomum, pois a maioria dos comandos de unidades operacionais duram, em média, até um ano e meio. “Isso é importante em termos de visibilidade, porque mostra que todos os problemas que tivemos, juntamente com a equipe, conseguimos contornar. Então, nos dá uma credibilidade diante do Comando Regional e bem como ao Comando da Brigada”, acredita.

Casado com Luciana, o coronel é pai dos jovens Rogerio e Renan. A família mantém residência na Cidade das Artes. Antes de ser empossado no Estado-Maior, Dutra estava no CRPO Central, com sede em Santa Maria, no qual foi lotado após ser promovido a coronel.

Nesta entrevista, ele detalha suas posições sobre segurança e as atribuições à frente do novo cargo, no qual foi empossado 16 de janeiro.

Entrevista com o coronel Marcos Vinicius Sousa Dutra

Jornal Ibiá – Quais são as suas principais atribuições como chefe do Estado-Maior?
Coronel Marcus Vinicius Sousa Dutra – Estão vinculados ao chefe do Estado-Maior todos departamentos da Brigada Militar. Por exemplo, departamento de ensino, de informática, administrativo, que é o com relação às transferências e direitos de cada servidor, o departamento de logística e patrimônio, responsável pela aquisição de viaturas, a questão da manutenção da frota, de combustível, também está relacionada à Seção. São esses departamentos, além das Seções de Estado-Maior e Comunicação Social. Temos a PM1, que é a parte de legislação e quadro de organização básica, a PM2, que é a de inteligência, a PM3, que é Seção a de ensino e treinamento, a PM4, de orçamento e a PM5, de comunicação social.
Então os departamentos e as seções estão vinculados ao chefe do Estado-Maior. Na realidade, em linhas gerais, toda a parte para manter a Brigada funcionando, no que diz respeito aos direitos dos servidores bem como a condições para ela se manter passa pela Seção do Estado-Maior.

JI – O quanto a sua atuação aqui no Vale do Caí contribuiu para o senhor ocupar este posto atualmente?
Dutra – Eu estive por 15 anos no Vale do Caí entre Comando Regional, Escola de Formação de Montenegro e o 5º Batalhão no qual fiquei por mais tempo, quase seis anos. Isso fez com que eu fosse antes para o Estado-Maior, inicialmente para integrar da PM3, que é a parte de legislação, ensino e treinamento. Posteriormente, isso me alçou para a questão da minha promoção (a coronel), depois a minha classificação em Santa Maria, e agora, desde o início do ano, a ter esta condição de chefe do Estado-Maior. O trabalho aí junto ao Comando Regional e ao 5º Batalhão me possibilitou isso. No próprio 5º Batalhão, não é comum, atualmente, o pessoal ficar muito tempo nas unidades operacionais, normalmente, se leva de um ano e meio a dois anos, eu fiquei quase seis. Isso é importante em termos de visibilidade, porque mostra que todos os problemas que tivemos conseguimos, juntamente com a equipe, contornar. Então, nos dá uma credibilidade diante do Comando Regional e bem como ao Comando da Brigada.

JI – Na sua opinião, quais são os maiores desafios a serem enfrentados pelo Governo Eduardo Leite na área da segurança pública?
Dutra – Tem alguns eixos importantes que o governo está estabelecendo. Primeiro com relação à integração. Ampliar cada vez mais, como regra fazer com que os órgãos vinculados à Secretaria de Segurança Pública estejam trabalhando juntos, integrados. Isso é algo importante. A questão do fomento da inteligência com o objetivo de obter a informação para o combate à criminalidade.
E outra coisa importante é criar mecanismos tecnológicos e de treinamento para prestar uma melhora no atendimento às comunidades de todos os segmentos vinculados à Segurança Pública. São coisas importantes. A Brigada, por si só, já vem fazendo. Principalmente na questão da prevenção, por meio do policiamento comunitário, Patrulha Maria da Penha e Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência). E bem como se preparar e ter estrutura para as ações reativas, vinculadas à repressão mais qualificadas ao enfrentamento ao crime organizado.

JI – Nesta parte específica de enfrentamento ao crime, coronel, a questão da falta de efetivo na Segurança do Rio Grande do Sul, em especial na Brigada Militar, é histórica. Como amenizar este grave problema?
Dutra – Principalmente, com a questão das novas turmas. Em torno de 2000 servidores estão em formação, na medida em que se formarem, a regiões do Estado serão aportadas com efetivo, que vai dar melhores condições para o enfrentamento ao crime. Então, em curto prazo, nós vamos ter condições de minimizar essas questões relacionadas a efetivo.

JI – Sobre esta questão de falta de efetivo, como o senhor avalia a situação do Vale do Caí?
Dutra – O Vale do Caí, assim como outros Comandos Regionais, está com uma defasagem significativa em termos do que é previsto e o existente. O Vale do Caí está dentro dos percentuais de toda a Brigada Militar. Então por isso, o Comando, em linhas estratégicas, com a análise dos indicadores criminais, da necessidade de aporte de efetivo, vai fazer a distribuição priorizando essas questões. As estratégias que a Brigada Militar vai adotar para dar aos Comandos Regionais condições de enfrentamento à criminalidade.

JI – Na nova função, está sobrando tempo para se dedicar às suas conhecidas esculturas de arame?
Dutra – Não, isso já faz parte do passado (risos). Na realidade, estou em uma função nova que exige muita dedicação. Era uma forma que tinha de agradecer as pessoas que trabalhavam e conviviam comigo. Devo ter feito entre 150 e 200 esculturas.

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