Foto: Arquivo Ibiá

Para delegado, versão do acusado não tem verossimilhança para explicar morte em cela especial no fim de semana

Embora a Polícia Civil comemore o esclarecimento do primeiro homicídio do ano em Montenegro, a morte de Edison Luiz Vrielink, 49 anos, encontrado sem vida dentro de uma cela da Modulada de Pesqueiro, em Montenegro, pode ter novos desdobramentos. A informação é do delegado Marcos Pepe, da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento Vale do Caí (DPPA), que atendeu a ocorrência na manhã de domingo.

Isso porque o preso que assumiu a culpa pela morte de Edison, que é natural de Barão, afirmou à Polícia que o motivo da morte foi uma discussão pelo Gre-Nal, válido pelo Gauchão, no final da tarde de sábado. Detalhe: na cela especial em que Edison dividia o espaço com outros três presos não havia televisão e o telefone celular tem entrada proibida, pelo menos formalmente.

Conforme o delegado Pepe, a história de uma briga entre o preso que assumiu a culpa e a vítima não é crível e não tem verossimilhança. Ele conta que, ao serem questionados, os presos apresentaram todos a mesma versão, imputando ao detento com menos idade e há menos tempo na cadeia a responsabilidade. O que chama a atenção do delegado é que tanto o acusado como a vítima não possuem lesões decorrentes de troca de agressões.

Edison era natural de Barão foto: Reprodução

Além disso, imediatamente o preso de 28 anos, natural de Novo Hamburgo, fez questão de assumir a culpa. O delegado preferiu não fornecer à imprensa os nomes dos apenados. Mas garantiu que os três serão indiciados por homicídio qualificado, com as agravantes de recurso que impossibilitou a defesa e meio cruel. Edison morreu asfixiado.

Se condenados pela Justiça, os acusados poderão ser sentenciados a uma pena de 12 a 30 anos. Com isso, o homicídio deverá se juntar às demais penas dos detentos, para os que já receberam condenação na Justiça.

Ao lado de Edison, na cela especial, estava um assaltante de residências, de 28 anos, do Vale do Sinos, que assumiu a responsabilidade pela morte; uma homicida de 48 anos, natural de Rio Grande, acusado da morte de um policial militar; e um traficante de 35 anos, natural de São Sebastião do Caí. Dos três, apenas o homem do Vale do Caí disse ter ouvido alguns gemidos e batidas, mas preferiu não intervir com medo de sofrer represálias.

Cela especial não impediu o assassinato
A vítima estava na chamada cela especial, localizada no Módulo A, há poucos dias, tendo vindo do chamado “seguro”, local em que ficam presos que cometeram crimes contra crianças e estupros e não são bem quistos pelos demais apenados. Entretanto, embora tenha 26 antecedentes criminais, não constava em sua ficha nenhum crime sexual contra crianças ou mulheres.

O delegado Pepe confirma que Edison não pertencia a nenhuma facção criminosa, mas estava aguardando uma permuta para que fosse encaminhado para outra casa prisional administrada pela Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe). A descoberta da morte de Edison ocorreu no momento em que uma agente iria fazer a contagem dos presos.

O corpo estava dentro da cela, embaixo de um cobertor, mas foi jogado para fora no momento em que a servidora da Susepe chegou. O cadáver estava amarrado pelos pulsos, joelhos e tornozelo com tiras de pano feitos a partir de um lençol. A boca estava fechada com espuma de colchão.

“O rosto estava inchado, é sinal de asfixia”, detalha o delegado Pepe. O policial revela que o preso que assumiu a culpa disse que teria havido uma briga entre os dois com chutes e socos e que Edison teria batido a cabeça na pia e caído desacordado. Temendo que recebesse o revide, o acusado teria amarrado a vítima e colocado um pedaço de colchão na boca para “ajudar a respirar melhor”.

Longa ficha corrida de crimes em diversas cidades
De acordo com a Polícia, Edison Luiz Vrielink, 49 anos, tem uma vasta ficha criminal, tendo sido indiciado em 26 inquéritos, respondendo a processos por diversos crimes. Embora fosse natural do Vale do Caí, a atuação do presidiário era extensa em crimes praticados em cidades como Dois Irmãos, Taquara, Rolante, Garibaldi e Gravataí, entre outras.

Os principais delitos atribuídos a Edison são furto e arrombamentos a residências, mas também constavam roubos, homicídio tentado, estelionato, porte ilegal de arma, receptação, contrabando e falsa identidade.

Polícia levanta outras possibilidades
O policial levanta algumas hipóteses para o homicídio, em função de não ter levado fé na tese de que houve uma briga causada pelo Gre-Nal. Duas teorias são as que despontam. Uma dá conta de uma rixa antiga entre alguns dos presos, já que o preso de Rio Grande está recluso há 24 anos, ou mesmo uma desconfiança de que Edison pudesse saber demais e ter entregado algum companheiro de cela à Justiça. Isso porque, na quarta-feira, ou seja, três dias antes de sua morte, Edison esteve em Porto Alegre, no Presídio Central, para participar de uma audiência. A investigação ficará a cargo agora da 1ª DP depois da DPPA ter feito o primeiro atendimento e ter registrado a ocorrência, no domingo.

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