Aula do Proerd na Escola Municipal Cinco de Maio

PROERD. Soldado conquista confiança de alunos da rede pública e mostra que a Polícia deve ser respeitada, não temida

A soldado Daiana Brandt adotou Montenegro como seu novo lar e foi acolhida pela comunidade local

Eeeeeh!!! A soldado Daiana chegou!
É assim que a soldado do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Montenegro, Daiana Brandt, de 28 anos, é recebida na maioria das turmas em que desenvolve o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd). O carinho manifestado pelos estudantes é retribuído pela policial, que procura estabelecer uma relação de amizade com a garotada, mostrando a eles que a Polícia dever ser respeitada, e não temida.

Daiana ingressou na BM há sete anos. Nesse período, desempenhou diversas atividades, inclusive em instituição prisional e no Pelotão de Operações Especiais (POE). Há cinco anos, passou a experimentar uma sensação diferente ao atuar como instrutora do Proerd. “Quando surgiu o curso, perguntaram se eu queria participar. Eu não conhecia muito porque, no meu município, não era falado tanto, eu não tive Proerd. Aí, fui ler um pouquinho e achei interessante. Quando fiz o curso, me apaixonei”, afirma a soldado.

A servidora da Segurança que tem conquistado os estudantes das escolas onde atua, tanto no Proerd como na Patrulha Escolar – outro programa desenvolvido pela Brigada Militar nas escolas de Montenegro –, é natural de Ijuí, mas já se sente montenegrina. A Escola de Formação e Especialização de Soldados (EsFes) foi seu primeiro endereço na Cidade das Artes. Quando se formou, resolveu ficar por aqui mesmo. Logo trouxe a mãe e a irmã para morar na cidade e aqui constituiu família. Hoje ela tem uma filha de quatro anos de idade, mas também sente-se um pouco mãe daquelas crianças com quem passa horas nas aulas do programa. “Às vezes, a gente não tem noção do quanto as crianças acabam lembrando do Proerd. Tem uns que estão no 9º ano, que tiveram o Proerd na 5ª série, e lembram de mim. É um carinho gratificante”, acrescenta Daiana.

Sorrisos e troca de carinho marcam os encontros entre Daiana e os estudantes

Para a policial, estabelecer uma relação de confiança com o público-alvo é um dos maiores desafios para os instrutores, mas é fundamental para o êxito da missão. Muitas crianças já viram seus familiares serem abordados pela Polícia e, por isso, em alguns casos, passam a olhar os PMs com desconfiança e medo. “Teve uma menina que relatou que a Polícia mexeu no estojo dela porque o pai teria guardado uma coisa dele. Quando vêem algo assim, já não olham para o policial como amigo. Então tem crianças e adolescentes em que tu não consegues chegar porque tiveram uma imagem errada da gente. O familiar não explicou pra eles que estava errado”, exemplifica.

Quando a abordagem dá certo, por outro lado, surge uma bela relação de amizade e confiança. “Eu falo pra eles que sou policial, mas que aqui estou só para orientar. Não tem pagamento melhor que vê-los longe das drogas”, diz Daiana. Alguns pré-adolescentes procuram a PM para desabafar. A desestruturação familiar em função do tráfico de drogas é algo presente na realidade de dezenas de estudantes no município. Muitos não entendem bem o que se passa em seus lares, mas sentem que algo está errado. “Quando vejo que alguém não está bem, chamo e digo que pode contar comigo. A gente sente que, às vezes, eles querem um carinho, um abraço”, conta. “Ver os olhos deles brilhando antes da aula e a confiança deles em se abrir e contar algo da própria vida marcam a gente”, acrescenta.

Contudo, como tudo na vida, existe o outro ponto da história. Para Daiana, evitar que “seus” meninos caiam no mundo das drogas não depende só dela. Há uma conjuntura social e familiar de grande impacto na vida desses jovens. Mesmo assim, é frustrante quando percebe que um daqueles que já passou por suas lições não teve o aproveitamento esperado. “A tristeza maior é ver alguém que foi aluno meu no Proerd passando por problema de tráfico. A gente pensa: não consegui atingir ele”, conclui.

Sobe o Proerd
O Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd) consiste num esforço cooperativo estabelecido entre a Polícia Militar, escolas e famílias, e tem como missão e visão: ensinar aos estudantes habilidades para tomada de boas decisões, para ajudá-los a conduzir suas vidas de maneira segura e saudável; e construir um mundo no qual os jovens de todos os lugares estejam capacitados para respeitar os outros e para escolherem conduzir suas vidas livre do abuso de drogas, da violência e de outros comportamentos perigosos.
Atualmente, em Montenegro, o Proerd é desenvolvido nas turmas de 5º anos nas escolas Henrique Pedro Zimermann (Passo da Serra), São Paulo, Cinco de Maio, Osvaldo Brochier (Santos Reis) e Álvaro de Moraes.

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