Alunos voltam a lotar o pátio das escolas da rede pública estadual depois de dois meses longe dos colegas

Colegas. Alguns estudantes já começam a experimentar o clima de despedida do Ensino Fundamental e dos mestres

O clima de reencontro marcou o primeiro dia de aula na rede estadual em Montenegro. São cerca de 4.000 alunos, segundo dados da 2ª Coordenadoria Regional de Educação. Algumas escolas prepararam atividades para recepcionar a gurizada desde o turno da manhã.

Foi o caso da Yara Ferraz Gaia, que inaugurou palco de apresentações artísticas junto ao pátio com um show do professor Carlos Alexandre Krahl. “Foi a inauguração do palco e também do piso novo, antiderrapante, em 200 metro quadrados de pátio, e da cobertura desde as escadas da entrada até o corredor das salas de aula”, destaca a diretora Andrea Tatiane da Silva. As vice-diretoras Cátia Martis e Débora Rohr ainda destacam que, na escola de Ensino Fundamental, há aulas de violão e flauta e oficinas de Banda no turno inverso ao da sala de aula e sistema de vídeo-monitoramento interno. Em algumas paredes, foi preciso retocar a pintura.

Na instituição, que possui 14 professores, foi aberta mais uma turma de primeiro ano. “Essa é a maior demanda da comunidade do Timbaúva”, explica Débora.

A pequena Valentina Borba da Silva, de sete anos, nem acreditou quando chegou na escola e viu a reforma do pátio. “Pedi pra minha mãe me beliscar. Parecia que eu estava num sonho. Antes eu dizia que era o pátio assassino, porque eu cai e me machuquei no ano passado”, diz a aluna, que de tão ansiosa mal conseguiu dormir na noite que antecedeu a volta às aulas.

Já na turma de estreantes, pessoal ainda tímido, recém se conhecendo, mas cheio de histórias na bagagem. Sentados em círculo, cada um foi falando um pouco das férias. “Fui no shopping, peguei uma folha com adesivos do Batman, tomei refri e ganhei um brinquedo de dinossauro”, conta para a turma Petherson de Azevedo, de seis anos. “Minha mãe baixou um jogo pra mim do Sonic”, compartilhou Gabriel Santos da Silva, também de seis anos. Já Artur dos Santos, igualmnente seis anos, disse aos coleguinhas que se divertiu no Centenário.

No centro da cidade o sentimento entre os alunos também já é de novas expectativas e de mudanças. Isso entre o pessoal do nono ano da Escola Estadual Delfina Dias Ferraz, que já vive essa mistura de despedida, de novas descobertas e de maior compromisso. “As responsabilidades aumentam. Infelizmente, as mudanças são necessárias. Para o próximo ano, quero fazer Ensino Médio no São João e penso em ser Assistente Social”, sonha a adolescente.

Vitória da Rosa

Vitória Haag da Rosa, de 14 anos, que está na mesma turma de Gabriele, também já faz planos para cursar Medicina sem esquecer as amigas. “Questão da escola talvez termine aqui, mas a amizade a gente sabe que não. Pretendo fazer técnico no São João e ir embora de Montenegro, pois lá fora tem mais

Andrieli dos Santos

oportunidades”, projeta a garota. E Andriele dos Santos Diefenthaler, também de 14 anos, pensa em permanecer na escola, ou também ir para um curso técnico. “Ainda não decidi. É uma nova etapa, não é?”, diz com as dúvidas típicas da adolescência. Uma coisa ela já tem como certa: vai cursar

Gabriele de Vargas

Educação Física. Elas estão animadas com os sonhos e as mudanças a caminho. Todas concordam que esse ano é para “se puxar” nos estudos. “Acho que a escola nos preparou bem, mas estudar nunca é demais. A finaleira é agora”, afirmam.

O diretor da Escola, João Antônio Moreira, relata que o educandário recebeu autorização da 2ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) para abrir turmas de Ensino Médio, que poderiam ter sido ofertadas em 2017, mas, por problemas no site da Secretaria de Educação, serão ofertadas somente no ano que vem. “As inscrições foram abertas somente no último dia, por atraso no site”, explica o diretor.

Por outro lado, a Escola, que funciona nos três turnos ,conquistou junto ao Governo do Estado 400 cadeiras e 400 classes novas, que já estão em todas as salas de aula. A média é 35 estudantes por sala e a escola atende a um aluno especial na parte da manhã, além de turmas de Educação de Jovens e Adultos, com cinco grupos, à noite.

Falta de professores
E.E. São João Batista:
Faltam professores de Geografia(10h); Sociologia (15h) e para os cursos técnicos (20h);

E.E. Paulo Ribeiro Campos (Polivalente):
Falta professor de Biologia para turmas de tarde e noite e de Inglês para três turmas;

E.E. Adelaide Sá Brito:
Falta um professor de séries iniciais (1º ao 5º ano – 20h) e um de Português, que também pode assumir o Ensino Religioso (de 7h a 8h);

CIEP: Direção em reunião, não forneceu dados.

* Nas Escolas Januário Côrrea; A.J Renner; Delfina Dias Ferraz os quadros de professores estão completos.

Falta de professores e greve geral são os desafios do Estado
Desde o início do mês, os integrantes do CPERS percorrem as escolas da região com o objetivo de conscientizar os colegas sobre a Assembleia Geral que vai ocorrer em Porto Alegre e, ao mesmo tempo, fazer um levantamento sobre a falta de professores e de funcionários nas escolas. “A assembléia geral deve ser na quarta – feira, diz 8, às 13h 30min, no Gigantinho. Depois dessa etapa, em caso de greve nós vamos ver com as escolas do 5º Núcleo do CPERS quais devem aderir ao movimento”, relata o diretor da entidade sindical em Montenegro, Marcos Eloi Rambor. Segundo dados do CPERS, faltam 6 mil professores na rede pública estadual e um levantamento da região deve ser elaborado pelo CPERS local. “Sabemos que faltam professores no CIEP. Imaginamos que vá se repetir o problema dos anos anteriores”, aponta o sindicalista.

Em Maratá, Brochier, Harmonia e Pareci Novo, há faltas pontuais, mas a 2ªCRE já se comprometeu resolver nos próximos dias.

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